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      InícioLusofoniaSecretário-geral da Fretilin diz que ex-comandante militar não pode candidatar-se à liderança

      Secretário-geral da Fretilin diz que ex-comandante militar não pode candidatar-se à liderança

      O secretário-geral da Fretilin, maior partido timorense, disse ontem que, na sua interpretação dos estatutos do partido, o ex-comandante das forças armadas, Lere Anan Timur, não se pode candidatar à presidência da força política.

       

      “Na minha interpretação não. Lere esteve dois anos como membro do Comité Central da Fretilin. Dizer que mesmo na luta armada estava a cumprir missão, é outra coisa”, afirmou Mari Alkatiri em entrevista à Lusa.

      “Mas a minha maior preocupação é se avançar e perder. Lere ainda tem que aprender muito a fazer política, comandar uma força e fazer política não é igual. Lere é um militar, mas pode ser um valor acrescentado à Fretilin como político se continuar connosco e for aprendendo como liderar uma organização política”, considerou.

      Alkatiri falava à Lusa na antecipação do Congresso Nacional da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) que decorre em Díli entre 8 e 10 de Setembro e durante o qual serão eleitos os novos presidente e secretário-geral, além de outros quadros partidários.

      Já confirmada está a candidatura dos atuais dois responsáveis, o presidente, Francisco Guterres Lú-Olo, e o próprio secretário-geral, Mari Alkatiri, mas continua a haver dúvidas sobre outras eventuais candidaturas.

      Inicialmente estava prevista a apresentação de um ‘pacote’ alternativo, com o deputado José Somotxo candidato a presidente e o ex-primeiro-ministro Rui Araújo candidato a secretário-geral, mas alguns militantes admitem que Lere Anan Timur poderia substituir Somotxo nessa lista.

      A questão ainda está em aberto com divergências de interpretação sobre se Lere Anan Timur – que esteve formalmente afastado da máquina do partido durante a sua vida militar – cumpre ou não os requisitos estatutários para se candidatar.

      O próprio Lere Anan Timur disse à Lusa que ainda não decidiu se vai ou não se candidatar, com Alkatiri convicto da vitória da sua candidatura. “Neste momento qualquer pacote contra Lú-Olo e Mari é derrotado e não quero ver Lere derrotado a segunda vez, depois da derrota das presidenciais”, disse, recordando situações como a de Ramalho Eanes, que “se portou muito bem como Presidente da República, mas como presidente do partido não correu bem”.

      Alkatiri explicou que antes do congresso o partido levou a cabo uma atualização da base de dados de militantes – era de 213 mil pessoas – para clarificar situações de pessoas que estão noutros partidos e para incluir jovens militantes com mais de 17 anos, a idade de votar em Timor-Leste.

      Ao mesmo tempo, explicou, é necessário “repensar várias situações”, com as do regresso formal de Lere Anan Timur ao partido, “com o objectivo de não excluir ninguém e não colocar ninguém contra ninguém”.

      Explicou que semanalmente se tem reunido com o presidente do partido, Francisco Guterres Lú-Olo, e com Lere Anan Timur, num “ambiente muito positivo”, sendo claro que “tem que haver um enquadramento do Lere que mesmo como comandantes das forças dizia que era da Fretilin”. “Mas esse enquadramento tem que ser feito com certo cuidado. Tivemos todos estes cuidados tivemos e acho que estamos num bom caminho”, explicou.

      A nível de procedimento, o partido conduziu eleições de delegados a nível de posto administrativo e posteriormente município com 913 delegados a participar no congresso, dos quais dois terços eleitos a nível das bases e um terço “por inerência de funções”.

      Todos terão direito a votos num congresso em que, para a liderança, Alkatiri prefere eleições por voto secreto, recordando que se só houver um pacote candidato, “para poupar tempo”, os estatutos permitem voto de mão no ar.

      Confirmou que se recandidata ao cargo de secretário-geral, em paralelo à recandidatura de Lú-Olo a presidente do partido, e diz que há que esperar para ver se haverá ou não outras candidaturas. Alkatiri vinca que o congresso servirá para confirmar a legitimidade da liderança e considera essencial passar uma “mensagem de determinação, de nova visão do processo, de capacidade de adaptação às novas realidades”.

      A reunião magna decorre sob o lema “Lori Naroman ba Povo” (Trazer a luz para o povo) para contrariar o que considera terem sido esforços de “empurrar o povo para a escuridão, para o controlar melhor”. “Diz-se que a Fretilin é de todos, mas isso não pode ser só slogan. Como se faz para a Fretilin ser de todos, não em termos de votos, mas em termos de governação? Para fazer isso, tens que ter o partido como força de liderança de toda uma base frentista mais representativa e aí vou dar as ideias de como podemos voltar a ter esta base frentista”, disse. Recuperar a força dos quadros médios e da base é outro dos objectivos “com novos métodos com maior profundidade de diálogo com as bases”.

      Haverá ainda um conjunto de propostas de alteração aos estatutos, incluindo a eventual decisão de que caberá ao Comité Central da Fretilin designar candidatos do partido à Presidência da República e à Comissão Política Nacional designar candidato a primeiro-ministro. “Haverá também novos órgãos de enquadramento para pessoas que cumpriram outras missões. Um conselho consultivo, mas também um órgão que é o comité diretor, com figuras históricas”, disse. Lusa

       

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau