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      InícioSociedadeAssociação ambiental e moradores descontentes com crematório provisório em Coloane

      Associação ambiental e moradores descontentes com crematório provisório em Coloane

      O Governo está a realizar a obra de construção de um crematório provisório dedicado a eventuais óbitos por Covid-19, através da actualização das instalações de cremação de ossadas no Cemitério Municipal de Coloane. No entanto, os moradores de Coloane e um grupo ambiental criticaram as autoridades por não terem consultado a opinião dos residentes. Há receio sobre os impactos ambientais e que a instalação se torne permanente.

       

      O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) está a realizar a obra de actualização das instalações de cremação de ossadas no Cemitério Municipal de Coloane, para construir um crematório provisório para eventuais mortos infectados com Covid-19. Apesar das autoridades indicarem que esta vai ser uma instalação temporária, a decisão do Executivo está a preocupar os moradores da zona e um grupo de protecção ambiental.

      A presidente da Associação de Moradores de Coloane, Sam Iok Ha, denunciou a falta de planeamento urbanístico e de planos de desenvolvimento para esta zona, sendo que esta obra vai “tornar a paisagem desagradável” e agravar o problema da poluição ambiental.

      Ao jornal Exmoo, a presidente da associação salientou que Coloane é conhecida pela sua paisagem natural e pelo ar fresco. Sendo uma zona menos urbana, muitos turistas e cidadãos costumam visitar Coloane nos fins-de-semana, lembrou.

      “Os moradores aqui estão preocupados com a possibilidade de a instalação temporária se tornar num crematório permanente. A construção de qualquer crematório necessita de um consenso da sociedade, pelo que o Governo deve ouvir as opiniões do público e dos moradores próximos da zona antes de iniciar as obras, e deve ainda explicar aos residentes os motivos da construção”, referiu.

      As obras relacionadas com o crematório provisório já se encontram em andamento. Conforme as informações disponíveis na página do IAM, a Obra de Substituição e Modernização dos Equipamentos de Cremação do Cemitério Municipal de Coloane foi adjudicada à empresa Nam Fong Construction & Real Estate Co., Ltd. no dia 15 deste mês, por um preço de 7,31 milhões de patacas, e o prazo previsto para a conclusão é de 60 dias.

      Macau disponibiliza actualmente apenas o serviço de cremação de ossadas de defuntos. Recorde-se que o secretário para a Administração e Justiça, André Cheong, adiantou na passada reunião plenária na Assembleia Legislativa que, devido à pandemia, o IAM tinha preparado 25 sepulturas profundas no Cemitério Municipal de Sá Kong da Taipa para enterrar os restos mortais das pessoas infectadas com Covid-19. Quanto ao último surto pandémico, “quatro dos seis falecidos foram inumados nas sepulturas, enquanto os restos mortais dos restantes dois estão à espera de cremação” em Zhuhai. André Cheong revelou ainda que Macau regista cerca de 2.200 mortes por ano, e cerca de 1.700 cadáveres são entregues para cremação, ou seja, cinco corpos precisam de ser transportados para Zhuhai para cremação todos os dias.

      Sam Iok Há, representante da associação, frisou que a localização do crematório deve ser num local afastado de prédios residenciais, no entanto, “embora a densidade populacional de Coloane seja inferior à da zona urbana da Península, ainda há muitos cidadãos a viver nesta zona. A construção do crematório causará perturbações aos moradores”.

      Para Sam Iok Ha, dado que o Governo tem estado empenhado em desenvolver o mecanismo de interligação entre Hengqin e Macau nos últimos anos, as autoridades podem ponderar e estudar construir o crematório na Zona de Cooperação.

      Na opinião do presidente da Associação de Ecologia de Macau, Ho Wai Tim, a construção do crematório deve primeiro considerar os possíveis impactos nos moradores da zona e, em segundo lugar, a poluição do ambiente ecológico.

      “O Governo, contudo, não realizou uma avaliação do impacto ambiental antes de iniciar os projectos, nem divulgou ou explicou os pormenores sobre a poluição do gás emitido do crematório para o ambiente, animais, plantas e moradores próximos, bem como da concentração de fumo, gás e cinzas”, lamentou o ambientalista, frisando que a decisão do Governo na execução da obra é demasiado precipitada.

      Ho Wai Tim observou que, uma vez que o transporte de restos mortais para o Continente está sujeito a inspecção alfandegária e sanitária, o Governo deve construir o crematório temporário na área de Macau na parte sul da ilha artificial da Ponte Delta.

       

      PONTO FINAL