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      Surtos em Macau por contacto com produtos importados são altamente improváveis, diz virologista

      O virologista Celso Cunha, do Instituto de Medicina e Higiene Tropical, considera que a probabilidade de os surtos de Covid-19 em Macau terem origem em alimentos contaminados é “extremamente baixa” e tem mais motivos políticos que científicos.

       

      “Não temos nenhuma evidência de que o vírus se possa transmitir através da ingestão de alimentos”, disse o virologista Celso Cunha, do Instituto de Medicina e Higiene Tropical (IMHT), comentando a atribuição do surto de covid-19 em Macau a “objectos ou produtos vindos do estrangeiro”, avançada pelo Governo.

      No passado mês de Julho, Macau suspendeu, inicialmente durante uma semana, a importação de mangas de Taiwan, após ter detetado vestígios do novo coronavírus, responsável pela covid-19, no exterior de uma embalagem. “A probabilidade de ficar infectado dessa maneira é extremamente baixa. Não é zero, porque não há probabilidades zero”, afirmou o cientista. E acrescentou: “É uma questão política das autoridades de Macau, por um lado, a quererem ficar bem perante as autoridades do continente, e a quererem culpar Taiwan”. “A situação em Macau parece estar a ficar um pouco descontrolada e a população está a ficar descontente. É muito mais fácil arranjar um inimigo externo do que estar a assumir a culpa e Taiwan é, atualmente, o inimigo público número um da China”, disse.

      O virologista esclarece que, efectivamente, “uma ou outra [manga] poderiam estar com partículas virais infecciosas, mas a probabilidade de ter vindo daí [o surto] é extremamente baixa”. E recordou que “o cuidado que se tem que ter com a fruta é lavá-la bem e descascá-la”.

      Sobre a situação em Macau, reconhece que, “estando a população chinesa e a de Macau vacinada, como está, com vacinas chinesas, mas está, não há motivo para aquela quantidade de pessoas infetadas que têm agora”. Mas lembra que os chineses foram vacinados com as vacinas que eles próprios aprovaram, uma delas aprovada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mas mesmo essa com uma protecção não tão elevada como as da Pfizer, Moderna e Astrazeneca. “Em termos práticos, o Governo de Macau vai continuar a agir mediante as directivas que recebe. Se disserem que são mangas são mangas, se são bananas, são bananas, se for peixe-galo é peixe-galo”. E concluiu: “Já temos informação mais que suficiente para dizer que isso que está a ser veiculado, muito provavelmente não corresponde à realidade”.

      Macau, que segue a política de casos zero imposto por Pequim, estava a entrar num processo que as autoridades classificavam de normalização, após um surto que em mês e meio infectou mais de 1.800 pessoas e causou seis mortes, idosos diagnosticados com doenças crónicas. O território avançou então para o isolamento de partes da cidade e quarentenas obrigatórias, para um confinamento parcial, com o fecho de estabelecimentos, que chegou a abranger os casinos, e apostou na testagem massiva quase diária da população para erradicar o surto. Lusa

       

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      Redacção do Ponto Final Macau