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      Queda acentuada do PIB per capita preocupa Ng Kuok Cheong relativamente ao futuro da RAEM

      O antigo deputado Ng Kuok Cheong está atento à queda significativa do PIB per capita da RAEM, considerando que a homogeneidade industrial é um factor que contribui para a recessão económica dado que a dependência do sector de jogo causou prejuízos à económica após o Governo Central ter imposto mais controlo nos turistas jogadores e no fluxo de capitais. O democrata espera que o Governo faça uma boa utilização das reservas financeiras, mostrando, por outro lado, desconfiança no desenvolvimento geral de Macau, particularmente do sector do jogo.

       

      Atendendo a uma quebra acentuada no indicador PIB per capita da RAEM, que registou no ano passado uma variação negativa de 50% em relação ao valor de 2013, Ng Kuok Cheong manifestou-se preocupado com o ambiente económico e as perspectivas de desenvolvimento geral de Macau.

      O antigo deputado alertou para a homogeneidade no desenvolvimento industrial e comercial da RAEM, o que leva a uma recessão económica sempre que o sector de jogo tem um desempenho fraco no mercado global. “Macau é uma cidade pequena e depende de uma única indústria. Quando o sector do jogo está em queda, tudo está em queda, o efeito é óbvio”, frisou Ng Kuok Cheong em declarações ao All About Macau.

      O democrata adiantou que os principais factores da queda do PIB per capita da RAEM devem-se à situação epidémica local e à questão da passagem fronteiriça. Recorde-se que a RAEM mantém a fronteira fechada desde o surgimento do surto da Covid-19, tendo imposto restrições de entrada no território a pessoas que vêm do exterior, e a política de circulação transfronteiriça com o interior da China exige sempre um resultado negativo do teste de ácido nucleico, variando em conformidade com a evolução epidémica.

      “A fonte dos jogadores em Macau é do Continente, e a pandemia dificultou a passagem fronteiriça entre Macau e o Continente. Para além disso, o Governo Central realizou uma revisão do Código Penal chinês para restringir o fluxo de fundos, nomeadamente para o exterior, o que se dedica principalmente ao combate da saída de fundos através de salas VIP nos casinos”, realçou.

      Ng Kuok Cheong asseverou que o PIB per capita de Macau tem vindo a aumentar rapidamente desde 2009, e atingiu o máximo entre 2013 e 2014, tendo o valor elevado se mantido até 2019. Todavia, o valor sofreu uma quebra rápida desde 2020 e acredita-se que vai diminuir ainda mais no ano corrente. “O grau do declínio, em comparação com outras partes do mundo, é muito surpreendente”.

      De acordo com os dados citados pelo antigo deputado, o PIB per capita de Macau foi de 91.376 dólares americanos em 2013, fazendo com que a RAEM tenha ocupado o quarto lugar do mundo. Mas o valor fixou-se apenas em 45.422 dólares americanos, o que representou uma redução de mais de metade. Actualmente, Macau situa-se fora dos primeiros 20 lugares do ranking mundial do PIB per capita.

      A instabilidade implicada na evolução epidémica e na aproximação do concurso de concessão de licença de jogo pode ser considerada como o motivo principal da recessão económica local. Com as despesas gastas na implementação das medidas antiepidémicas, o Governo procedeu a uma alteração da Lei do Orçamento de 2022, a fim de movimentar ainda mais 35,1 mil milhões de patacas da reserva extraordinária, incluindo um montante de 14,45 mil milhões de patacas para preencher “a lacuna nas finanças públicas do imposto especial sobre o jogo” entre Janeiro e Julho deste ano.

      O também presidente da associação Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário de Macau apontou que o chamado preenchimento das lacunas “é apenas um novo termo criado para descrever melhor a situação, a verdade é apenas as receitas estarem a diminuir”, destacando que dois terços da reserva foram movimentados para compensar a redução da receita anual, enquanto o resto será usado para o combate da epidemia, ou seja, aumentando o reconhecimento público do Governo e estabilizando a sociedade.

      No que toca ao plano de apoio pecuniário, Ng Kuok Cheong considera que as autoridades promoveram uma “luta de interesses entre a comunidade”. “O dinheiro será atribuído aos grupos burocráticos e às empresas. Para evitar críticas de conluio entre o Governo e empresários, além de dar dinheiro aos patrões, também dá aos trabalhadores com rendimento reduzido”, frisou, lamentando que os empregados com salário mais elevado já não podem ser beneficiados e esse facto impulsionou um conflito social.

      Entendendo que o Executivo pretende adoptar uma medida rápida e fácil, Ng pede que se estude um plano com consenso da sociedade resultante de uma análise racional, bem como um bom aproveitamento das reservas financeiras, evitando situações de oferta de vantagens.

       

      FUTURO INCERTO

       

      “Para obter a concessão de licença de jogo, as seis operadoras de jogo continuam a sustentar a operação enquanto sofrem prejuízos, não demitindo os residentes e mantendo a paz e estabilidade social. Mas as perspectivas de desenvolvimento de Macau vão ser realmente optimistas após a conclusão do concurso de licenças?”, questionou Ng Kuok Cheong. Apesar de estar relativamente pessimista, salientou que a situação se desenvolve consoante a pandemia e um eventual controlo mais apertado dos jogadores chineses do Governo Central.

      Segundo o democrata, a esperança do estado financeiro da RAEM é de recuperação económica após a Covid-19, sendo que o Governo não tem mais necessidade de tirar mais reservas da tesouraria. “O controlo de turistas oriundos do Continente e o fluxo de capital, juntamente com a abertura de mercado de jogo noutros locais, deixa a economia local ainda com dificuldades. Ainda não há outras operadoras competentes do exterior que mostrem interesse de concorrer às licenças de jogo em Macau, parece que todos estão pessimistas sobre o futuro da indústria de jogo local”, afirmou.

      Preocupado com a futura crise económica implicada na queda do PIB per capita, Ng Kuok Cheong enfatizou que o Governo terá de gastar sempre as reservas financeiras para preencher as despesas, cuja situação levará à perda contínua de reservas, prejudicando o desenvolvimento dos recursos financeiros.

       

      PONTO FINAL