Preocupando com a deterioração do ambiente comercial das PME locais, o presidente da Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos apontou que a fraca economia de Macau já veio diminuir os hábitos e a vontade de consumo por parte dos residentes, e a retoma de funcionamento das lojas não impede a falta de clientes, deixando os negócios em risco. O responsável queixou-se também da demora na implementação dos apoios pecuniários aos comerciantes.
Após a suspensão das actividades industriais e comerciais em Macau durante duas semanas, embora a maioria das lojas possa reabrir a sua porta aos clientes, o impacto económico ainda é grave e a situação operacional das pequenas e médias empresas (PME) locais está a preocupar a Federação da Indústria e Comércio de Macau Centro e Sul Distritos. O presidente da Associação, Lei Cheok Kuan, prevê que o negócio em geral no mercado local vá continuar fraco nos próximos tempos dado que a vontade de consumo do público está baixa.
A entrada no período de consolidação depois do confinamento parcial permite, desde o passado sábado, a retoma da operação limitada dos estabelecimentos comerciais, no entanto, a falta de fluxo de pessoas e clientes, nomeadamente dos turistas, deixa o negócio dos comerciantes “em risco”, destacou Lei Cheok Kuan, em declarações ao Jornal Exmoo.
“O ambiente económico não está optimista. Apesar dos cidadãos terem o cartão de consumo para gastar no dia a dia, a vontade de consumir foi bastante reduzida devido à crise económica. Além dos cabeleireiros, lojas que recebem encomendas e os casinos, outros sectores têm poucos clientes mesmo que possam retomar o funcionamento”, frisou.
Relativamente ao sector de restauração, que podia manter a operação normal durante as últimas duas semanas do confinamento parcial para prestarem serviços essenciais de alimentação, Lei Cheok Kuan confessou que muitos restaurantes estão a fornecer o serviço ‘takeaway’ e lançar descontos, de forma a sustentar o maior possível o negócio.
Entretanto, segundo o mesmo, alguns comerciantes que estão a cooperar com as plataformas de entrega de comida relataram que as operadoras de plataformas cobram cerca de 20% de taxa de entrega, acreditando que a cobrança de taxa de serviço é demasiado elevada, “o que leva a um enorme desconto nos lucros por parte dos estabelecimentos de comida”. “Mas os comerciantes só podem aceitar porque não têm outra escolha”, frisou, lamentando que as PME estejam a esgotar os seus fundos e “a fazer dieta para poupar comida”, estando à espera da implementação dos apoios pecuniários do Governo.
“A situação já mudou muito. A zona central da cidade, incluindo as Ruínas de São Paulo e o Largo do Senado, eram as áreas mais prósperas de Macau, mas agora estão a declinar gradualmente a olhos vistos. No passado, era difícil encontrar uma loja desocupada neste distrito, e hoje em dia 30% das propriedades estão dispostas a arrendar. Antes, a rua junto às Ruínas de São Paulo estava cheia de pessoas para comprar lembranças e petiscos típicos, agora as pessoas fazem filas para se submeter aos testes de ácido nucleico”, constatou.
Alertando que muitos comerciantes já sofriam com lojas fechadas há mais de um mês, Lei Cheok Kuan indicou que algumas PME decidiram encerrar permanentemente as lojas, enquanto outras “não ousam fechar os seus negócios”. “Têm de ter dinheiro para fechar. Uma vez terminado o negócio é preciso pagar todos os empréstimos do banco e do Governo, o salário e a indemnização dos trabalhadores, portanto, muitos deles escolhem procrastinar essa situação o máximo possível”, confessou.
O líder da associação aplaudiu o anúncio rápido por parte do Executivo das medidas de assistência económica no dia 19 do mês passado, um dia depois da detecção do surto. No entanto, Lei Cheok Kuan lamentou a demora da implementação das medidas. “Já passou mais de um mês. O Governo ainda disse anteriormente que os apoios não serão formalmente implementados até Agosto. Entendo que os procedimentos levem tempo, mas o orçamento já foi aprovado na Assembleia Legislativa, por que razão temos de esperar tanto tempo?”, questionou.
Ademais, apontando o facto de que a política do plano de assistência económica tinha suscitado ressentimentos na sociedade e foi alvo de várias revisões, o presidente da associação destacou que as PME já não ousaram apresentar mais opiniões, temendo que se a indústria continuasse a pedir alterações, o prazo para a implementação das medidas poderia ser adiado ainda mais.
Lei Cheok Kuan ressaltou que a maioria da sociedade ainda está insatisfeita com as disposições de apoio pecuniário anunciadas pelas autoridades, o que exige ao Governo a dedicação de mais tempo e trabalho para estudar o plano, considerando que seria mais proveitoso distribuir directamente a todos os cidadãos 15 mil patacas por três meses, na forma de dinheiro nos dois primeiros meses e injectar o fundo nos cartões de consumo no terceiro mês.
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