Air Macau registou prejuízo líquido de 771 milhões de patacas em 2021, menos 25% do que em 2020  

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Segundo as contas e o relatório publicados ontem em Boletim Oficial, a Air Macau registou, no ano passado, um prejuízo líquido de 771 milhões de patacas, o que traduz uma redução superior a 25% em relação a 2020. A empresa registou também uma retoma nas receitas operacionais. Zhao Xiohang, presidente do Conselho de Administração, salientou que os resultados se deveram à retoma do mercado turístico, enquanto o Conselho Fiscal apontou que a Air Macau ainda enfrenta grandes dificuldades e desafios.

 

O prejuízo líquido da Air Macau registou melhorias no ano passado, fixando-se nos 771 milhões de patacas em 2021, o que representa uma diminuição de 269 milhões de patacas em comparação com 2020.

A Companhia de Transportes Aéreos Air Macau divulgou ontem o balanço dos resultados do ano passado, revelando ainda que as receitas operacionais da empresa atingiram 1,2 mil milhões de patacas, que corresponde a um acréscimo de 42% em comparação com o ano transacto.

De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Air Macau, Zhao Xiaohang, a redução de prejuízo “foi o resultado principal da recuperação do mercado turístico de Macau, do reforço da gestão em eficiência de voo e controlo de custos da Companhia e do desenvolvimento do projecto de ‘wet lease’ neste ano”, lê-se no relatório publicado em Boletim Oficial. No entanto, no fim do ano passado, a companhia não dispunha de quaisquer reservas disponíveis para distribuição aos seus accionistas.

Zhao Xiaohang salientou no relatório que a Air Macau continuou a manter uma quota de mercado líder no Aeroporto de Macau, sendo que a frequência de voos e a quota de passageiros em 2021 foram, respectivamente, de 49% e 61%. Além disso, de forma a “abraçar activamente a procura doméstica”, a empresa acrescentou duas novas rotas para Yiwu, da Província Zhejiang, e para Nantong, da Província Jiangsu, “estabelecendo uma ponte de comunicação entre Macau e o mundo exterior”, afirmou.

Relativamente ao histórico de segurança aérea, a companhia registou um total de 23.264 horas de voo seguro, sendo um aumento de 41% em comparação com o ano anterior, não havendo acidentes nem erros graves. A idade média de toda a frota da empresa também foi reduzida de 6,52 anos, no final de 2020, para 5,54 anos, no final do ano passado. Foi desenvolvido também no ano transacto o 5.º Programa Formação de Piloto Locais.

“Como uma companhia aérea de base em Macau, a Air Macau implementou resolutamente as disposições do país e do Governo da RAEM ‘prevenir casos importados, evitar o ressurgimento de casos internos, prevenir a contaminação de pessoas e objectos’, para garantir a segurança de Macau na prevenção pandémica”.

O relatório destacou ainda que a Air Macau continuou a participar na actividade Semana de Macau realizada pela Direcção dos Serviços de Turismo, de forma a estimular a recuperação económica da RAEM, atraindo mais visitantes e promovendo Macau como uma cidade segura e apropriada para visitar.

Devido ao impacto da pandemia nos movimentos transfronteiriços dos passageiros, a empresa tomou a iniciativa de lançar um plano de reembolso e alteração de reservas sem taxas para os clientes.

 

GRANDES DIFICULDADES E DESAFIOS CONTINUAM

 

O parecer do Conselho Fiscal da Air Macau sublinhou que, devido à instabilidade da situação pandémica ocorrida recentemente, “o impacto da Covid-19 na actividade futura da companhia continua a ser profundamente incerto”.

A presidente do conselho, Ho Mei Va, referiu que o funcionamento da Air Macau ainda enfrenta grandes dificuldades e desafios, uma vez que a pandemia teve um “impacto contínuo e significativo” na indústria da aviação civil e, não obstante o aumento da taxa de vacinação e a abertura gradual de viagens domésticas e restrições de entrada em alguns países, factores como o encargo da dívida, a inconstância da situação pandémica, o aumento de preço do combustível continuam a prejudicar a operação da empresa.

O Conselho Fiscal alertou que a gestão deve continuar a acompanhar a procura do mercado, controlar eficazmente os custos e alargar os canais de receitas, para garantir que a empresa seja desenvolvida de forma estável e contínua.

A Companhia de Air Macau foi estabelecida em 1994 e iniciou as suas operações em 1995 após a assinatura do contrato de concessão com o Governo de Macau. O contrato de concessão foi renovado em Setembro de 2020, sendo prorrogado por mais três anos.

O presidente Zhao Xiaohang apontou que a situação da Covid-19, apesar de se manter inconstante em 2021, melhorou face ao ano de 2020, altura em que registou o início do surto pandémico no mundo. Recorde-se que a empresa sofreu um deterioramento significativo nas operações em 2020 por causa do surto epidémico, registando-se uma redução nas receitas operacionais de 81% face a 2019, e um prejuízo líquido de 1,04 mil milhões de patacas. Neste caso, os accionistas da Assembleia Geral Extraordinária da Companhia aprovaram a injecção de capital e a Air Macau recebeu na altura uma tranche de 1,8 mil milhões de patacas para melhorar o seu estado financeiro.

 

PONTO FINAL