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      InícioSociedadeExistem, desde 2016, 297 pessoas infectadas com o vírus da imunodeficiência humana

      Existem, desde 2016, 297 pessoas infectadas com o vírus da imunodeficiência humana

      Também desde essa data que não existem casos de VIH em Macau devido ao uso de drogas injectáveis. Para isso muito contribui o programa de distribuição de seringas da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau e o programa de manutenção de metadona do Instituto de Acção Social, referiu ao PONTO FINAL Augusto Nogueira, presidente da ARTM. A entidade iria promover este domingo uma Caminhada de Orgulho, precisamente paraconsciencializar as pessoas sobre a importância do uso do preservativo durante as práticas sexuais, mas foi cancelada devido à pandemia de Covid-19.

      Dados oficiais compilados pelas autoridades sanitárias do território e divulgados ao PONTO FINAL pelo presidente da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), Augusto Nogueira, revelam que, desde 2016, um total de 297 pessoas foram infectadas com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) em Macau. Desses, 201 são chineses e 96 não-chineses. Ainda declararam ser heterossexuais 82 pessoas, 146 disseram ser homossexuais e 23 admitiram ser bissexuais. 46 indivíduos não responderam sobre a sua orientação sexual.

      Estes números levaram o projecto Be Cool da ARTM a promover a Caminhada do Orgulho, ao jeito das paradas de orgulho gay que se vêem um pouco por todo o mundo. Mas o evento, marcado para ontem, acabou cancelado devido ao surgimento de casos locais de infecção por SARS-CoV-2. “Esta ‘Pride Walk serviria de consciencialização sobre a importância do uso do preservativo durante as práticas sexuais”, explicou ao nosso jornal Augusto Nogueira, acrescentando que os dados mostram que “os homens estão desproporcionalmente em risco de infecção pelo VIH, pois a transmissão ocorre muito mais facilmente através do sexo anal receptivo, em comparação com o sexo peniano-vaginal.

      A ARTM, com a caminhada, pretendia, uma vez mais alertar para o uso do preservativo. “Pretendíamos com esta actividade sensibilizar para a importância de reduzir o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis (DST), incluindo o VIH, e aumentar a sensibilização para o uso do preservativo”, notou Nogueira.

      Como outras doenças sexualmente transmissíveis, sexo sem preservativo, múltiplos parceiros, parceiros anónimos e uso de substâncias injectáveis ​​estão todos associados à infecção pelo HIV. Contudo, boas notícias, porque em Macau, revelou o presidente da instituição, “não existem casos de VIH devido ao uso de drogas injectáveis”. “Para isso muito contribui o programa de distribuição de seringas da ARTM e o programa de manutenção de metadona do Instituto de Acção Social (IAS)”, notou.

      Augusto Nogueira voltou aos números oficiais acima revelados para explicar que, desde 2016, “podemos ver um aumento constante de infecções por VIH entre os homossexuais, e no último ano, pela primeira vez, os bissexuais tiveram mais infecções.Acreditamos que hoje há muita informação e prevenção, por isso queremos alertar que apesar de hoje em dia a medicação ser muito eficaz, ainda não há cura para o VIH previna-se, previna os outros”, afirmou ainda Augusto Nogueira, sublinhando que “é difícil saber se alguém evoluiu para SIDA ou morreu entretanto da infecção, pois muitos dos casos que aparecem nas estatísticas já nem se encontram no território”.

      Recorde-se que os Serviços de Saúde têm vindo a incentivar, ao longo dos últimos anos, os residentes a compreenderem o seu estado de infecção, através de fornecimento de várias opções de teste rápido gratuito de VIH. O Programa Piloto de Autoteste de VIH está destinado a pessoas com mais de 18 anos, independentemente de residentes locais ou não residentes, e pode ser realizado com recurso a fluído oral ou por sangue.

      Dados ainda do tempo da Administração Portuguesa e até 2009, numa altura em que a ciência tinha mais dificuldade para controlar o avanço da doença, mostram que, desde 1986 até Dezembro de 2009, o número total de casos de infecção por VIH detectados em Macau foi de 427, dos quais 50% eram residentes temporários ligados à indústria de diversões e apenas 44 dos doentes infectados pelo VIH evoluíram para SIDA. Na altura, a principal via de transmissão foi a sexual (67,5%), correspondendo 59% à transmissão heterossexual e 8,2% à transmissão homossexual. A transmissão pela utilização de drogas injectáveis representou 13,6% das infecções acumuladas. O cenário mudou um pouco nos últimos anos, portanto.

      PONTO FINAL