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      Uma nova proposta para uma vida saudável

      Turismo combinado com saúde e bem-estar. É esse o conceito proposto pela SerensiaWoods, projecto agora inaugurado em Hengqin. Através da medicina alternativa, a empresária Amber Li quer ajudar à prevenção de doenças entre a população mais idosa.

      “Não somos um hospital”, explica a fundadora de Serensia Wood em entrevista ao PONTO FINAL. Embora o novo espaço tenha já obtido licença de funcionamento como unidade de saúde da parte das autoridades de Hengqing, Amber Li prefere destacar outras particularidades do centro.

      “O posicionamento da nossa instituição é muito diferente dos centros hospitalares ou clínicas convencionais. Muitos que não nos conhecem bem tentam comparar-nos com hospitais convencionais, mas eu diria que são duas coisas muito diferentes. Quando alguém está doente, vai a um hospital para tratar a doença. Aqui, a ideia é manter a doença bem longe, através da prevenção. Também se alguém quiser retardar o envelhecimento, estamos cá para isso”, adianta.

      Serensia Woods, localizado na parte noroeste da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau, é um dos primeiros sete projectos seleccionados e recomendados pelo Governo da RAEM ao Parque Industrial de Hengqin. A nova clínica oferece uma vasta gama de serviços pré-hospitalares centrados na prevenção de doenças e na promoção do bem-estar, e também serviços pós-internamento. O projecto combina os conceitos de saúde e turismo e define-se a si próprio como um “destino turístico centrado no bem-estar”. Apesar de existirem muitos outros destinos de bem-estar no mundo, Amber Li defende que este projecto é “único” e “abrangente”.

      “Os serviços de saúde que Serensia Woods oferece podem ser divididos em três ramos principais: para além das medicinas ocidental e tradicional chinesa, temos também medicina alternativa e terapia holística, de carácter integrador, como a antiga medicina tailandesa e a medicina ayurvédica da Índia, abrangendo cuidados de saúde preventivos e tratamento anti-envelhecimento”, explica Amber Li. “Quando as pessoas aqui chegam, deparam-se com uma grande variedade de opções; é isso que importa: terem a possibilidade de escolher”.

      Inaugurada no mês passado, Serensia Wood disponibiliza aos seus clientes, em 40 mil metros quadrados de terreno e com 2,5 mil milhões de renmimbis de investimento, moradias de luxo e um hotel com 133 quartos. Como promoção de abertura, é-lhes oferecido um desconto de60% durante os dias úteis e 50% durante os fins-de-semana, em qualquer tratamento ou terapia. Sem entrar em detalhes, a directora executiva do centro admite que o impacto dapandemia de Covid-19 – em particular no que diz respeito às grandes restrições à circulação e, sobretudo, às viagens internacionais – afectou o projecto de forma significativa.

      Hengqin ajuda um sonho a tornar-se realidade

      Amber Li licenciou-se em Economia pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e trabalhou depois na empresa de Consultadoria PwC, como contabilista. Quando regressou a Macau, constatou que nem aqui, nem em Hong Kong ou na China Continental, se dava a devida atenção à qualidade de vida da população mais idosa, sobretudo em comparação com os países desenvolvidos do Ocidente. “Nos EUA, por exemplo, as pessoas preocupam-se com a liberdade e qualidade de vida que vão ter durante a reforma”, observa a directora executivado Grupo HN, ardente defensora dessa postura: “A velhice não deve ser sinónimo de perda de qualidade de vida”.

      “A velhice não deve ser sinónimo de perda de qualidade de vida”.

      Ainda muito jovem, e numa primeira tentativa de alteração do estado de coisas em Macau, propôs ao governo a criação de um centro no território que permitisse aos idosos terem um final de vida independente e com qualidade. Mas a ideia foi rejeitada pelo executivo, alegando escassez de espaço em Macau e um pretenso conflito com a prática enraizada nacultura tradicional chinesa dos idosos coabitarem, em regra, com os seus filhos e netos. “Ainda estou convencida de que tinha razão”, queixa-se a empresária.

      Mais tarde, em 2008, Amber Li mudou-se para Pequim, onde permaneceu durante sete anos. Com alguma surpresa, foi na capital chinesa que conseguiu encontrar interlocutores com umespírito mais aberto a apoiá-la na concretização do projecto. “A adesão da China à Organização Mundial do Comércio trouxe um grande desenvolvimento económico ao país, mas a par disso o estilo de vida da população tornou-se cada vez menos saudável”, não deixou de notar. A velhice não se limitava às questões relacionadas com a reforma, “eramuito mais do que isso”.

      Um ano depois, o Conselho de Estado aprovou o Plano Geral de Desenvolvimento da Ilha de Hengqin, como modelo de um novo paradigma de cooperação entre Guangdong, Hong Kong e Macau. Esta nova realidade acabou por levar a empresária a trazer o projecto entretanto pensado para Pequim, de regresso a Macau e à vizinha ilha da Montanha, posicionando-o agora como destino turístico centrado no bem-estar. “A economia de Macau tem de se diversificar, não podemos ter apenas casinos”, salienta. “Hengqin, pela proximidade a Macau e Hong Kong, permite-nos ligar esta região da China a todo o mundo”.

      Localização ideal

      Amber Li pertence a uma família tradicional com origens em Macau e Hong Kong e uma longa ligação ao mundo dos negócios. É neta de Chao Kuang-piu, magnata da indústria têxtil da região vizinha, e sobrinha de Susana Chou, ex-presidente da Assembleia Legislativa de Macau. Assumiu a presidência do Grupo HN nos anos 90, depois deste ter pertencido à família macaense Nolasco da Silva desde 1920. O grupo está também envolvido em actividades de construção e engenharia, comércio de produtos petrolíferos, alimentos e produtos farmacêuticos em Macau.

      A ligação centenária a Macau faz de Hengqin um espaço de expansão da empresa muito conveniente do ponto de vista geográfico. Além disso, a empresária sente que ascaracterísticas ambientais e climáticas de Hengqin se coadunam perfeitamente com o seu projecto centrado no bem-estar. “Em Hengqin, há ar fresco, uma grande arborização da área urbana, inúmeros espaços verdes”, constata.

      No entanto, confessa que o que mais a atrai são mesmo as políticas adoptadas na zona de cooperação. As autoridades do Continente e da RAEM têm vindo a oferecer estímulos financeiros e a prestar outro tipo de apoios às empresas de Macau, para que estas possam explorar novas oportunidades de negócio em Hengqin. Após uma avaliação e selecçãoconjunta do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau (IPIM) e doDepartamento de Comércio de Guangdong, Serensia Woods conseguiu destacar-se entre osmais de 100 projectos candidatos, conseguindo um 4º lugar nas recomendações dirigidas aoParque Industrial de Cooperação Guangdong-Macau em Hengqin.

      Saúde, sem sacrifício

      Apesar de uma utilização intensa de medicamentos tradicionais chineses e asiáticos nesteprojecto, Amber Li garante que é, acima de tudo, uma defensora convicta da medicina ocidental moderna. Mas, experiências pessoais recentes com medicina alternativa têm moldado as suas ideias sobre o tema, acreditando hoje que as medicinas alternativas “abremoutro mundo de oportunidades na vida”.

      “Foi-me dito num exame de rotina, há cerca de oito anos, que o meu colesterol estava a um nível elevado. Na altura, fiquei surpreendida, uma vez que sempre pensei que estava de boa saúde. O médico aconselhou-me a seguir um regime de controlo dietético e a fazer mais exercício físico, só que isso parece não funcionar bem comigo”, conta a empresária, de 53 anos. Mais tarde, com outro médico e diferentes técnicas de diagnóstico, ficaria a saber que o seu metabolismo nada tinha de errado e que o problema do colesterol se devia, única e simplesmente, ao stress.

      A medicina funcional que a ajudou é uma forma de medicina alternativa com uma abordagem individualizada, enfatizando o uso racional de medicamentos e, sempre que possível, asintervenções não-farmacológicas. Actualmente, Amber Li pode comer à vontade bolos, chocolates ou gelados, que adora, sem perder a boa forma física. “A ideia é permanecer saudável, sem sacrificar os prazeres da vida, a qualidade de vida em geral. É preciso encontrar a verdadeira causa dos problemas – e a prevenção é muito mais importante do que a cura”.

      “É preciso encontrar a verdadeira causa dos problemas – e a prevenção é muito mais importante do que a cura”.

      Em Serensia Woods, a maioria dos profissionais da clínica vem de instituições da China Continental, como a Universidade de Medicina Chinesa de Guangzhou e a Administração Geral do Desporto na China. O restante pessoal técnico e profissional é originário de Hong Kong e Macau.