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      Censura de promoção a gelado desperta curiosidade sobre massacre de Tiananmen na China

      Li Jiaqi, uma das maiores celebridades ‘online’ da China, desencadeou curiosidade entre a população mais jovem, sobre a repressão do movimento de Tiananmen, quando promovia um gelado cujo formato assemelhava-se a um tanque.

       

      No dia 3 de Junho, à noite, Li estava a promover a marca britânica Viennetta, junto com uma coanfitriã. Ambos apresentaram um gelado, em forma retangular, decorado com biscoitos redondos, colocados nas laterais, e um canudo de chocolate, colocado no topo e apoiado numa bola de chocolate. Quase imediatamente, a transmissão ao vivo foi interrompida.

      O motivo do corte terá sido óbvio para alguns espectadores: a figura do gelado assemelhava-se a um tanque, o símbolo do massacre de Tiananmen, ocorrido na noite de 3 para 4 de Junho de 1989, quando tanques do exército foram enviados para pôr fim a sete semanas de protestos em Pequim.

      A imagem tornou-se icónica quando um civil enfrentou uma fila de tanques. Os censores chineses rotineiramente apagam imagens de tanques difundidas na Internet chinesa por volta do dia 4 de Junho. “A ironia é que [o massacre] foi de facto apagado com sucesso da História, mas a súbita interrupção da transmissão de Li despertou a curiosidade das pessoas”, afirmou Yang, chinesa de 24 anos, residente em Pequim, à agência Lusa. “Por esta lógica, o acto de censura tornou, de facto, as pessoas mais conscientes da verdade”, acrescentou.

      Louisa Lim, investigadora que escreveu um livro sobre o movimento, explicou à Lusa que a “a China tem sido notavelmente bem-sucedida em eliminar a memória” sobre a repressão de há 33 anos. A autora do “The People’s Republic of Amnesia: Tiananmen Revisited”, publicado em 2014, diz mesmo ter ficado “chocada com o nível de ignorância sobre as mortes dos estudantes chineses em 1989”.

      Por isso, para muitos dos 170 milhões de seguidores de Li, a interrupção do programa causou estranheza. “O que é que ele pode ter dito de errado durante uma acção de promoção de sobremesas”, questionou uma internauta, na rede social Weibo, cujo perfil está identificado pelo nome Margaret e ano de nascimento 1992. A acção de promoção seguinte de Li, marcada para domingo, também não se realizou.

      Iniciado por estudantes da Universidade de Pequim, o movimento pró-democracia alastrou-se a toda a sociedade chinesa e, em meados de Maio, o Governo decretou a lei marcial em Pequim. O número exacto de pessoas mortas continua a ser segredo de Estado, mas as “Mães de Tiananmen”, associação não-governamental constituída por mulheres que perderam os filhos naquela altura, já identificaram mais de 200.

      Depois de o programa de Li ter sido interrompido, as primeiras especulações entre os seus seguidores focaram-se na possibilidade de estar a ser punido por evasão fiscal, uma acusação comum contra celebridades na China. Gradualmente, a teoria do tanque começou a ganhar força.

      Fãs curiosos relataram os seus esforços em busca de factos, com alguns a escrever que aprenderam sobre a sensibilidade em torno da imagem do tanque através de familiares. Outros difundiram um documento de 1989, colocado no portal do Governo Central, e que descreve o evento como um tumulto violento que causou a morte de soldados. Apesar da censura, as referências ao massacre ocasionalmente escapam.

      Em 2007, um empresário dissidente chamado Chen Yunfei colocou um anúncio num jornal em apoio aos pais dos jovens que morreram no massacre, depois de um jovem funcionário responsável pela página não ter entendido o seu significado. Quase uma década depois, um grupo de ativistas produziu um licor chinês, marcado com uma foto de tanques no rótulo. Em ambos os casos, os ativistas foram detidos e punidos com pesadas penas de prisão. Lusa

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      Redacção do Ponto Final Macau