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      Teatro adoptado da Realidade Aumentada para retratar a subtileza ignorada

      Conhecendo uma cidade costumamos usar o nosso sentido visual para compreender subjectivamente o que aparece à nossa frente, sem utilização de outras sensações. Na peça teatral intitulada “Nove Paisagens Sonoras”, criada pelo Grupo de Teatro Experimental de Pequena Cidade, a equipa quer, através do ambiente sonoro concebido pela delicadeza da música, dos elementos de Realidade Aumentada e do texto escrito, que os espectadores possam escutar, libertar os seus sentidos e sentir novamente.

       

      Johnny Tam admitiu que a integração de técnica de Realidade Aumentada (RA) pode trazer alguma novidade aos espectadores em Macau. Ao PONTO FINAL, o encenador de “Nove Paisagens Sonoras”, que esteve em exibição no teatro do Parisian, afirmou que “a RA é um meio de olhar diferente das outras formas visuais, sendo uma possibilidade relativamente nova para o público de Macau. Num recinto maior, a técnica de RA permite uma espécie de expressão diferente das expressões faciais e linhas subtis das produções cénicas habituais, não de realismo ou drama televisivo”, explicou.

      “Nove Paisagens Sonoras” é a peça apresentada pelo Grupo de Teatro Experimental de Pequena Cidade, no âmbito do Festival de Artes de Macau. O espectáculo destacou elementos como a Realidade Aumentada, música ao vivo, fisicalidade e elementos teatrais, traduzindo os anseios intensos da humanidade na cidade. Através de uma experiência de ‘ultra-dualismo’, o dramaturgo quer que os espectadores sintam uma ligação com a vida diária, memória e emoção, mantendo uma sensação de distância e estranheza.

      “Provavelmente todos nós já tivemos alguma experiência com a técnica de RA, como os filtros das ‘stories’ no Instagram. No entanto, em qual forma a podemos adequadamente integrar numa peça teatral não é uma tarefa fácil. A tecnologia possui as suas vantagens, mas não queremos abusar dela. Queremos ligar a tecnologia com a nossa peça, para retratar um certo tipo de relação, ou para retratar uma imagem da nossa luta interior”, referiu ao PONTO FINAL o director do Grupo de Teatro Experimental de Pequena Cidade.

      Inspirando-se nos nove tons da língua cantonesa, o Grupo de Teatro pretende criar nove partes para retratar as emoções subtis que são ignoradas e implícitas na cidade. “Nove Paisagens Sonoras” foi apresentada em Macau e Shenzhen e recebeu uma boa resposta do público. A terceira actuação combina os elementos de RA e as composições misturadas com músicas orientais e ocidentais, almejando criar uma inovada linguagem teatral.

      “Toda a gente tem sensações mais sensíveis no fundo do coração que não podem ser explicadas com palavras”, frisou o dramaturgo, explicando que “o cantonês também está cada vez mais marginado no mundo da língua chinesa, sendo erodido pela língua e cultura de fora”. “Queremos usar os nove tons da língua cantonesa como metáfora para simbolizar e retratar as nossas emoções ricas e complicadas que são ignoradas na cidade. Devemos abraçar e enfrentar aquelas emoções que foram relativamente menos aceites pelo público, devemos aceitar nós próprios e as diferentes vozes dentro de nós.”

      O encenador também admitiu a existência de dificuldades na sequência das restrições de circulação em resposta à crise de saúde pública, o que impossibilitou a presença da co-encenadora taiwanesa Pei-Jun Lee. “Diria que é difícil realizar uma criação adoptada à técnica de realidade aumentada, já que há muitos parâmetros subtis que precisam de ser ajustados no local. Não é algo fácil porque é preciso comunicar com os membros da equipa todos os dias”, frisou.

      “Reparamos que o público de Macau prefere história e actuação completa, mas o público da China continental prefere um tema bem apresentado e um ambiente agradável. Apesar de as línguas serem diferentes, as emoções humanas no fundo do coração ressoam sem expressões verbais. Desejamos que a nossa ‘Nove Paisagens Sonoras’ continue a ser apresentada em outros sítios no futuro”, concluiu Tam.

       

      PONTO FINAL