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      InícioÁsiaComunidade filipina em Macau prefere Bongbong na cadeira do poder

      Comunidade filipina em Macau prefere Bongbong na cadeira do poder

      Na RAEM, a comunidade filipina está a exercer o seu direito de voto desde o dia 10 de Abril. De acordo com uma breve sondagem no centro histórico de Macau, o PONTO FINAL conseguiu apurar que a grande maioria dos inquiridos escolhe Ferdinand Marcos Jr. para próximo Chefe de Estado das Filipinas.

       

      Tal e qual como revelam as mais recentes sondagens nas Filipinas, a comunidade filipina em Macau prefere ver Ferdinand Marcos Jr. sair vencedor das próximas eleições presidenciais do país a ter lugar na próxima segunda-feira, dia 9 de Maio, e assim suceder a Rodrigo Duterte à frente dos destinos do país.

      Nem o facto de ser filho de Ferdinand Marcos, líder das Filipinas entre 1965 e 1986, acusado de ter governado o país de forma dictatorial e corrupta, demove quem pretende ver agora no poder o seu filho com o mesmo nome, mais conhecido como Bongbong Marcos.

      Existem dez candidatos à presidência da república – Ernesto Abella, Leody de Guzman, Norberto Gonzales, Panfilo Lacson, Faisal Mangondato, Ferdinand Marcos Jr., Jose Montemayor Jr., Isko Moreno, Manny Pacquiao e Leni Robredo. Contudo, apenas metade destes representa mais de 2% das intenções de voto dos filipinos, de acordo com as sondagens.

      Fora Ferdinand Marcos Jr. que tem como vice-presidente a filha de Duterte, Sara, apenas Leni Robredo poderia fazer-lhe frente. Contudo, as mais recentes sondagens revelam que Bongbong apresenta-se, neste momento, com 55% das intenções de voto e a ex-vice-presidente de Duterte segue próximo dos 25%. O pugilista Manny Pacquiao aparece na terceira posição com quase 10%, e depois, abaixo dos 5%,surgem Isko Moreno, presidente da Câmara Municipal de Manila, e o senador Panfilo Lacson.

      Fomos até à rua, durante cerca de uma hora, no centro histórico da cidade para questionar alguns nacionais das Filipinas. Uma pequena amostra de 118 indivíduos revelaram que 101 têm clara preferência em Ferdinand Marcos Jr., sendo que desses, sensivelmente 25% das pessoas inquiridas pelo nosso jornal mostraram convicção com um “of course Marcosou “for sure BBM [Bongbong Marcos]”. A favor de Leni Robredo apenas responderam 12 pessoas. Cinco indivíduos optaram por não responder à simples pergunta: ‘votou Marcos ou votou Leni?’.

      Recorde-se que, em Macau, todos os filipinos elegíveis podem exercer o seu direito de voto desde o dia 10 de Abril.Uma nota de imprensa publicada pelo Consulado Geral das Filipinas em Macau, no passado dia 25 de Abril, revela que um total de 14.636 pessoas exerceram o seu direito, o que representa cerca de 40% dos filipinos registados no consulado.Segunda-feira, dia 9 de Maio, é também o último dia para se votar em Macau.

       

      A tradição ainda é o que era

      Myla Lang-ayan é a líder de campanha de Ferdinand Marcos Jr. em Macau. A sua família já era adepta do pai, por isso “é uma tradição que vem de longe”. “A minha família sempre suportou o Marcos e agora, claramente, conseguimos ver que ele é a pessoa ideal para o país”, referiu ao nosso jornal a mulher que chegou a Macau ainda durante a Administração Portuguesa do território, corria o ano de 1997.

      Ao nosso jornal, a mulher afirmou “realmente” acreditar que Bongbong “pode liderar o país com integridade e com coragem”. “Acredito que ele é o único candidato que poderia dar continuidade aos projectos do nosso actual Presidente, como o departamento de trabalhadores migrantes, que estará operacional no próximo ano.”

      A também empregada doméstica não considera ainda que o passado de vida do pai de Bongbong afecte a eleição do filho, até porque, defende, “nenhuma das acusações foi até hoje provada”. “Aqueles que o chamam de ditador é que são ditadores na verdade”, acusou.

      Jassy Santos é a responsável de campanha de Leni Robredo em Macau. A filipina, igualmente presidente da União Progressista dos Trabalhadores Domésticos de Macau, disse ao PONTO FINAL que “ainda não é hora de deitar a toalha ao chão”, apesar de reconhecer que, “infelizmente”, Ferdinand Marcos Jr. segue na frente do marcador.Ainda não sabemos quem vai ganhar, mas como líder da campanha de Robredo em Macau, posso dizer que trabalhamos em silêncio. Falamos com as pessoas cara-a-cara e não apenas nas redes sociais”, começou por dizer.

      Há sete anos no território, a empregada doméstica aponta o dedo à concorrência referindo que “os Bongbongs têm muitas certezas”, mas nada está ganho. “Nós sabemos o que queremos e não queremos Bongbong no poder. Queremos um governo limpo. Queremos um presidente que ouça o que temos para dizer, que não seja corrupto e que pague impostos”, afirmou, acrescentando que quem deseja uma boa governação, “prefere Leni [Robredo]”, apesar de, “aparentemente, a maioria preferir Marcos”.

      Ferdinand Marcos Jr, ao contrário de um outro candidato menos cotado – Isko Moreno, “nada vez pelas Filipinas durante as alturas mais críticas da pandemia”. “Trata-se de uma pessoa em quem não podemos confiar. Que forjou o próprio grau académico. O que me parece é que se Bongbong vencer, muitos investidores deixarão as Filipinas ou nem sequer terão intenção de investir. Uma vitória dele será uma grande vergonha para o nosso país”, rematou Santos.

       

      O bom legado de Duterte e melhores salários para os filipinos

      Para Charito Dulay, a viver em Macau há mais de 15 anos, Bongbong personifica “o continuar do bom legado do governo de Duterte, principalmente na luta contra o tráfico de drogas”. “Acima de tudo, ele tem um plano para o país e essa é a maior razão porque vou votar nele”, disse ao PONTO FINAL.

      A empregada doméstica considera que Ferdinand Marcos Jr. “tem visão para o país”, para além de que “não fala mal dos outros candidatos”. “Ele simplesmente tem um rumo para as Filipinas e defende os motivos pelos quais ele está a concorrer à presidência”, acrescentou.

      Tal como Myla Lang-ayan, nem o facto de Bongbong ser filho de um déspota lhe causa algum desconforto. “Ninguém o pode acusar de nada. Ninguém consegue provar nada e, seja como for, Bongbong não pode ser culpado dos eventuais pecados do pai”, rematou Charito Dulay.

      Shiela Colinares tem 29 anos e reside em Macau desde 2019. A natural da província de Pampanga escolhe também Bongbong Marcos como futuro Presidente das Filipinas. A empregada doméstica não tem grandes dúvidas na hora da escolha. “Marcos pensa sempre no bem-estar de todos os filipinos. Acredito que com ele, as Filipinas serão melhores, os mercados estabilizarão e os salários das pessoas vão subir”, afirmou.

      A jovem também acredita que a eleição de Ferdinand Marcos Jr. pode trazer benefícios à diáspora filipina, como, por exemplo, “mais hospitais regionais ou melhores seguros de saúde”.

       

      Bongbong tal como Bolsonaro

      A jornalista filipina Maria Ressa afirmou, esta semana, num evento sobre liberdade de imprensa em Genebra, na Suíça, que a situação do jornalismo é “sombria”, admitindo que uma possível vitória de Ferdinand Marcos Jr. nas Filipinas não traria nada de positivo. “Parece prestes a vencer e isto é possível apenas porque a história mudou diante dos nossos olhos”, afirmou a jornalista, citada pela AFP.        

      A vencedora do Nobel da Paz em 2021, juntamente com o russo Dmitri Muratov, fez notar que Bongbong tem vindo a aproveitar “uma torrente de desinformação nas redes sociais” que, na grande maioria das vezes, “é direccionada aos mais jovens que não têm nenhuma memória dos abusos cometidos por seu pai” e compara o candidato a Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil. “Este é o problema das redes sociais, onde emerge a propaganda e que permite a personalidades públicas como Marcos ou Bolsonaro criar a sua realidade alternativa evitando os mecanismos de contrapoder da imprensa”, disse.

      PONTO FINAL