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      InícioGrande ChinaChina censura letra do seu próprio hino nas redes sociais

      China censura letra do seu próprio hino nas redes sociais

      A Covid-19 atingiu Xangai e as autoridades chinesas responderam com um confinamento estrito dos seus 25 milhões de habitantes. As medidas rigorosas provocaram um grande descontentamento público e muitos residentes afectados recorreram às redes sociais para expressar a sua insatisfação com a escassez de recursos e a governança chinesa. A Weibo, rede social da China semelhante ao Twitter, tem bloqueado nos últimos dias vários tópicos relacionados com estas queixas, incluindo mesmo a primeira linha da letra do hino nacional chinês, “Marcha dos Voluntários”, que dizia “Levantem-se! Aqueles que se recusam ser escravos”.

       

      Xangai enfrenta o maior surto de Covid-19 desde o início da pandemia na China, deixando a maior cidade chinesa em confinamento total, com medidas rígidas que geram descontentamento público. Durante o confinamento, muitos moradores afectados expressaram a sua insatisfação referente à falta de abastecimentos e à governação das autoridades, o que levou a uma onda de bloqueios na rede social Weibo nos últimos dias, inclusivamente a eliminação da primeira linha da letra do hino nacional chinês, “Marcha dos Voluntários”, onde se escreve “Levantem-se! Aqueles que se recusam ser escravos”.

      De facto, não se trata da primeira vez que a China bane o seu próprio hino nacional. Segundo a Voz da América (VOA), quando o oftalmologista chinês Li Wenliang, considerado a primeira pessoa a alertar o público sobre a pandemia, morreu após o surto de Covid-19 se ter iniciado em Wuhan em 2020, Douban, outra rede social chinesa, também proibiu a letra da mesma música por conter conteúdo de “radicalismo político ou ideológico”.

      Tim Culpan, colunista da Bloomberg, escreveu nesta segunda-feira no Twitter: “O patriotismo na China é um equilíbrio complicado”. “Nunca tinha pensado que a primeira linha do hino nacional da China fosse censurada na Weibo. A ‘hashtag’ ‘Levantem-se! Aqueles que se recusam ser escravos’ foi banida depois de as pessoas a terem utilizado para desabafar a frustração sobre o confinamento prolongado”, disse a jornalista chinesa sediada em Londres, Mengyu Dong. A jornalista salientou que a frase em si ainda era pesquisável, mas a ‘hashtag’ já não era, e partilhou uma imagem do ecrã mostrando que “a página do tópico não é exibida de acordo com as legislações e políticas relevantes”.

      Na terça-feira, alguns internautas começaram a usar outra linha do hino nacional chinês. “A nação chinesa chegou a um momento mais perigoso”, como uma ‘hashtag’ para questionar as autoridades: “Por o quê está a lutar o país? Por quem o país está a lutar? Para quê o país insiste na política ‘Dinâmica de Covid Zero’?” O economista norte-americano Chris Balding também disse: “Uma revolução sempre volta atrás nos seus iniciadores”.

      “Marcha dos Voluntários” foi originalmente a trilha sonora do filme chinês “Children of Troubled Times”, nos anos 40. A obra cinemática retratou a história da invasão imperialista japonesa nas três províncias no nordeste da China após o incidente da Mukden ocorrido em 18 de Setembro de 1931 no sudoeste da Manchúria, quando a nação chinesa se encontrava num momento crítico de sobrevivência. A música, escrita por Tian Han e composta por Nie Er, tem desempenhado um papel na inspiração do espírito patriótico do povo chinês desde 1935, numa época de perigo nacional. O Congresso Nacional do Povo da China posteriormente tornou-a oficialmente no hino nacional.

      PONTO FINAL