Um relatório divulgado ontem pela Associação Comercial Federal Geral das Pequenas e Médias Empresas de Macau, baseado num inquérito feito durante Fevereiro e Março de 2022, mostrou que as PMEs em Macau têm uma perspectiva “muito negativa” para o futuro ambiente de negócios. Uma em cada dez PMEs inqueridas queriam fechar o negócio, enquanto que mais de 70% das PMEs acreditam que ainda é necessário mais de um ano para retomar o nível pré-pandemia, mesmo que a pandemia acabasse já. Um terço das PMEs tem opinião favorável a Hengqin, mas muito poucas deram o primeiro passo.
A Associação Comercial Federal Geral das Pequenas e Médias Empresas de Macau divulgou ontem um relatório sobre a confiança das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) para o ambiente de negócios onde se inserem, baseado num inquérito feito durante 25 de Fevereiro e 11 de Março de 2022. Os resultados mostram que as PMEs em Macau têm uma perspectiva “muito pessimista” para o ambiente de negócios no futuro.
O índice de PME que o estudo calculou inclui seis indicadores referentes aos factores de ambiente de negócio, com um intervalo de valor disponível de 0 a 100 e linha divisória de pontos 50. De acordo com o resultado dos questionários recolhidos, o relatório mostrou que o índice de PME em Macau é de 30.
Este inquérito recolheu questionários de 503 PMEs em Macau, abrangendo oito principais categorias e mais de 60 indústrias. Entre as oito categorias, PMEs ligadas à área de Conferências e Exposições (MICE) (25,3) e à Indústria Cultural e Criativa (CCI) (25,6) têm a perspectiva mais negativa no ambiente de negócios em Macau.
Entre os seis índices de factor de ambiente de negócio, o “volume total de negócio” (17,8) e “novo negócio” (23,7) foram os mais baixos, indicando que muitos operadores das PMEs acreditam que o volume total de negócio e o novo negócio em 2022 seriam ambos mais baixos do que no ano anterior. Em termos de “preço de venda”, “intenção de investimento” e “trabalhadores”, o resultado do estudo também mostrou que as PMEs em Macau consideram que estes três factores recuariam em comparação a 2021.
Cerca de 87,9% das PMEs relataram que o seu volume de negócio diminuiu devido ao impacto da pandemia de Covid-19. A taxa de declínio foi quase de metade (49,4%).
As PMEs de Macau mostraram uma perspectiva negativa, principalmente devido ao “alto custo de aluguer” (61,7%) e ao “numero de visitantes muito inferior ao passado” (56,5%).
Conforme o relatório, cerca de 9,3% de PMEs afirmaram que iriam encerrar. Esta proporção foi mais do que 20% nas indústrias de turismo e entretenimento (20,4%). Além disso, a maioria das PMEs optou por despedir trabalhadores (31,5%) ou colocá-los em licença sem vencimento (31,1%) para responder ao impacto causado pela pandemia. As categorias industriais, Turismo e Entretenimento, MICE e CCI, Restauração são as áreas mais afectadas pela onda de despedimentos. Presumindo que a pandemia chegasse agora ao fim, mais de 70% das PMEs estimam que levaria mais do que um ano para retornar ao nível pré-pandemia.
No que diz respeito à Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, aproximadamente 32,1% das PMEs acreditam que a iniciativa pode trazer um impacto positivo. Apesar de mais de metade (53,4%) das PMEs terem mostrado vontade de marcar presença na ilha de Hengqin, as que têm um “plano pronto para implementação” ou estão “em planificação” são, respectivamente, de 5,8% e 7,7%.
Em geral, 44% de PMEs acreditam que o potencial encerramento de casinos-satélite pode trazer consequências negativas. Segundo a análise do estudo, as razões específicas podem variar por indústrias diferentes. Para a restauração, o sector mostrou-se preocupado com a forma como o encerramento de casinos-satélite pode afectar a economia de Macau e a empregabilidade de residentes locais. Os sectores grossista e retalhista consideram que o fecho de casinos-satélite pode conduzir à perda de clientes e à queda do número de turistas, o que pode resultar num declínio nos seus negócios. Quanto às empresas no domínio do sector MICE e CCI, mostraram-se preocupadas com a diminuição de pedidos de casinos-satélite.
Segundo o relatório divulgado, analisado por região, as PMEs (12,3%) sedeadas na freguesia da Sé (ZAPE, Praia Grande, Baixa de Macau) afirmaram que, uma vez que se localizam em redor dos casinos-satélite, podem sofrer prejuízos e perder um apoio importante aos negócios aquando do encerramento de casinos-satélite e da redução de fluxo de pessoas na área. Quanto às PMEs que ficam na freguesia da Nossa Senhora de Fátima (Ilha Verde, Tamagnini Barbosa, Areia Preta, Fai Chi Kei), 23,4% mostraram-se preocupadas mais com o impacto na economia global de Macau.
O estudo recomendou que o Governo de Macau deve considerar adoptar medidas para prestar apoio financeiro de curta duração às PMEs, com o intuito de aliviar a pressão de encerramento de casinos-satélite e despedimento de trabalhadores, bem como o potencial desemprego enfrentado pelos residentes. O estudo também sugeriu que o Governo deva lidar cuidadosamente com as questões derivadas do fecho de casinos-satélite, reduzindo o seu impacto em vários sectores relacionados. Além disso, o resultado da pesquisa defende que as autoridades devem disponibilizar mais publicidade e consulta para permitir às PMEs um melhor conhecimento sobre a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, facilitando assim a possibilidade das empresas locais poderem implementar os seus planos de negócio nesse local.
PONTO FINAL











