Xangai defende separação de crianças infectadas dos pais

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As autoridades de Xangai defenderam ontem a sua política de separar crianças que testam positivo para a covid-19 dos pais, à medida que a cidade enfrenta o seu pior surto desde o início da pandemia. Xangai é o epicentro do pior surto de covid-19 ocorrido na China desde que o novo coronavírus foi detetado no centro do país, no final de 2019. A grande maioria dos 25 milhões de habitantes de Xangai está sob confinamento. O Ministério da Saúde anunciou mais de 9.000 novos casos positivos em Xangai nas últimas 24 horas – 95% assintomáticos. O município está a testar todos os moradores. Na China, quem testa positivo, mesmo casos assintomáticos ou com sintomas ligeiros, é isolado em instalações designadas pelo governo. As autoridades de Xangai confirmaram ontem que esta medida também abrange crianças. Se um dos pais também estiver infectado “pode acompanhar a criança e cuidar dela”, num centro designado, “onde ambos serão tratados”, disse Wu Qianyu, funcionário dos serviços de saúde municipais. Mas, “se os membros da família não testarem positivo”, os filhos serão separados dos pais, sublinhou Wu, em conferência de imprensa. Os maiores de 7 anos serão alojados em centros de quarentena e os menores de 7 anos, se estiverem sozinhos, serão atendidos pelos centros de saúde públicos.

Vídeos não verificados difundidos nas redes sociais chinesas mostram crianças pequenas e bebés desacompanhados em centros de quarentena, causando indignação entre os internautas. “Os pais devem agora cumprir condições para acompanhar o filho? Absurdo! Isto é apenas um direito básico”, apontou um internauta, na rede social Weibo, o equivalente ao Twitter na China. “Os serviços de saúde de Xangai são desumanos”, reclamou outro. “Se eu fosse pai, seria infectado de propósito para poder acompanhar o meu filho”, escreveu um terceiro. A frustração está a aumentar em Xangai, devido à incapacidade das autoridades de derrotar o actual surto. Após várias semanas de encerramentos direccionados de edifícios residenciais específicos, a cidade optou por confinamentos restritos nas partes leste e oeste da metrópole – que deveriam durar quatro dias cada. Mas as medidas de confinamento continuam em grande parte da cidade. Os moradores têm reclamado das dificuldades em conseguir bens essenciais.