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      Debate a quatro, no centro comercial, para falar de jovens e agricultura

       

      Quatro candidatos presidenciais timorenses participaram ontem num debate organizado por associações de jovens agricultores, que vincaram a importância de fortalecer o setor para melhorar as condições de vida da população e a soberania alimentar do país.

       

      Ângela Freitas, Constâncio Pinto, Felizberto Duarte e Virgílio Guterres – todos candidatos sem grandes máquinas partidárias – estiveram à conversa com representantes de grupos de agricultores de várias das zonas mais produtivas do país. Organizada pela Coligação Agricultura, uma iniciativa de jovens empenhados em promover o setor, a conversa foi tanto sobre agricultura como sobre a vontade de mobilização dos jovens, dentro e fora deste mercado.

      Uma conversa que se destacou entre o som da música de algumas lojas e dos que passeavam nas compras da tarde de domingo, no maior centro comercial de Díli, o Timor Plaza. Muitos estiveram sentados, atentos, em dezenas de cadeiras preparadas, outros pararam em pé, para ouvir, enquanto tentavam segurar os filhos que queriam continuar o passeio e as compras. Para outros, porém, o debate era apenas ruído de fundo, uma ‘música ambiente’, para a tarde no ‘shopping’.

      Virgílio Guterres foi o primeiro a falar – e o primeiro a sair (tinha que ir a correr para um encontro previsto em Manatuto, a leste de Díli) -, e vincou a importância de ancorar os jovens nas zonas agrícolas, evitando que todos fujam para a capital à procura de emprego. Insistiu que “a juventude tem que ser o foco, o sujeito de qualquer projeto de desenvolvimento no país” e que tem que ter uma voz mais forte no próprio executivo. “Se for eleito Presidente, vou recomendar ao primeiro-ministro que transforme a secretaria de Estado da Juventude num Ministério, com orçamento suficiente para o desenvolvimento do setor da juventude e para que passe de apenas estar no discurso político para ser o foco da agenda de desenvolvimento”, afirmou.

      Guterres disse que é preciso mais investimento do Estado no sector agrícola, recordou que a maioria da população depende desse setor e que é crucial pensar a soberania “não apenas em termos políticos”, mas também em questões como “soberania alimentar” para todos. “Temos que garantir que temos a soberania alimentar defendida. A liberdade de poder actuar hoje sem ter que estar preocupado sobre se tem ou não que comer amanhã”, afirmou, pedindo melhorias de infraestruturas do setor, melhores respostas às alterações climáticas, melhor aproveitamento da água. “O Presidente tem que procurar sair o máximo do palácio, visitar os agricultores, visitar o interior do país e dar voz às suas preocupações, detalhando as condições em que a população vive”, pediu.

      Pedindo uma “nova mentalidade” aos jovens, notou que há cada vez menos no setor agrícola, onde os trabalhadores estão a envelhecer e onde as oportunidades são reduzidas, levando muitos a viajar para a capital ou até para fora do país. “E temos que acabar a luta entre as gerações. Ser independente não é só cantar o hino, o povo tem que ver a sua vida a melhorar, com comida suficiente, oportunidades suficientes de melhoria”, defendeu.

      Posição ecoada por Ângela Freitas, uma de quatro mulheres que se candidatam a Presidente, e que considerou que os mais velhos, de 1974-75, têm que “passar a estafeta à nova geração”. “É necessário promover a juventude, precisamos de novas ideias, novos conceitos para acelerar o bem-estar do povo. E temos que fortalecer a economia ao máximo, utilizar melhor o rendimento do petróleo e gás para fortalecer setores produtivos”, disse. “Aprovamos um Orçamento anual que não reflete o máximo potencial para o setor produtivo. E temos que promover mais o setor privado e produtivo, criar condições para fortalecer o setor agrícola e evitar a dependência na importação de alimentos”, afirmou.

      Também Constâncio Pinto apontou as dificuldades com que um setor significativo da população ainda vive, 20 anos depois da restauração da independência. “Infelizmente depois de 20 anos, visitamos as comunidades e vemos que a sua condição continua sem melhorar. E não há justificação em Timor-Leste para que os cidadãos continuem a viver assim”, observou. “O Presidente tem o poder político de ser eleito diretamente pelos eleitores e deve utilizar esse poder para influenciar as decisões políticas do executivo, para que respondam verdadeiramente às necessidades do povo”, sublinhou.

      Felizberto Duarte, o mais jovem dos 16 candidatos concorrentes às presidenciais (tem 43 anos), queixa-se dos métodos que têm sido usados, com muitos projetos que assim que arrancar começam logo “por comprar um carro”. E depois insistiu numa acção melhor do Governo, para promover o setor privado e criar condições para que se desenvolva e para que se possa mesmo cumprir o conceito de “livre iniciativa na actividade económica.

      Na recta final da campanha, que termina oficialmente na quarta-feira, os candidatos estão, a pouco e pouco, a chegar à capital, depois de acções de campanha de vários tamanhos que percorreram todo o país. Lusa

       

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      Redacção do Ponto Final Macau