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      InícioSociedadeMissa na Sé Catedral não esqueceu rezas pela paz na Ucrânia

      Missa na Sé Catedral não esqueceu rezas pela paz na Ucrânia

      Oração e jejum, como armas de Deus para responder “à insistência diabólica e insensatez da violência”, com o apelo do Papa Francisco ao mundo a prestar atenção na situação na Ucrânia, levaram a Igreja Católica de Macau a organizar ontem, na Igreja da Sé Catedral, rezas pela paz neste país, que tem sofrido bastante devido à invasão russa. Durante a missa de ontem, o Padre Eduardo Aguero apontou que a guerra é “totalmente absurda”, enquanto o Bispo Stephen Lee encorajou a luta contra o mal. Ao PONTO FINAL, vários presentes destacaram a preocupante situação na Ucrânia e condenaram os actos militares da Rússia.

       

      Face à situação na Ucrânia, que está a viver um clima de instabilidade, insegurança e polémica, e em resposta a um apelo do Papa Francisco realizado no dia 23 do mês passado, todas as paróquias na Diocese de Macau pediram aos seus crentes para jejuar e rezar, bem como uma adoração eucarística pública de uma hora para rezar pela intenção da paz na Ucrânia ontem, na Quarta-feira de Cinzas.

      Entre as actividades agendadas nas diversas igrejas católicas no território, a Sé Catedral teve ontem uma missa das cinzas em chinês na parte de manhã, e duas sessões de via Sacra e missa das cinzas em língua chinesa e portuguesa ao final de tarde, onde a situação na Ucrânia não foi esquecida. As duas sessões de missa de ontem à tarde contaram com mais de cem pessoas cada.

      O interior da Sé Catedral continuou com serenidade como sempre, mesmo com a chegada de cada vez mais pessoas ao longo da missa. No santuário, crentes de diversas etnias ouviram o padre e o bispo, e rezaram pela “vida espiritual e reflexão, bem como a purificação”.

      Apesar dos dois eventos religiosos terem dedicado grande parte do seu tempo ao início da Quaresma, o padre Eduardo Aguero, que presidiu à sessão em língua portuguesa, assinalou no seu discurso a situação e o momento de crise na Ucrânia, manifestando a sua tristeza pelas pessoas que estão a ser submersas em “medo e sombra” ao longo de “uma guerra totalmente absurda” que faz sofrer “o povo, os amigos e as crianças”.

      Durante a sessão em língua chinesa, o Bispo Stephen Lee alertou tanto aos crentes como toda a população que não se cansem da esperança, dos bons comportamentos, da oração e da insistência de lutar contra o mal, mesmo que estejamos numa má situação social.

      Recorde-se que o Papa Francisco fez um apelo na semana passada sobre os acontecimentos na Ucrânia e convocou um dia de oração e jejum pela paz. “Jesus nos ensinou que à insistência diabólica e à diabólica insensatez da violência se responde com as armas de Deus: com a oração e o jejum. Encorajo, de modo especial, os crentes a se dedicarem intensamente à oração e ao jejum neste dia [2 de Março]. Que a Rainha da Paz preserve o mundo da loucura da guerra”.

       

      Crentes contra a guerra

       

      Em declarações ao PONTO FINAL, Celeste Costa, que participou na missa, aproveitou também a ocasião para rezar pela paz na Ucrânia. Salientando a importância da missa com essa finalidade, em que “toda a gente ora pelo mesmo sentido”, Celeste Costa referiu que “é óptimo para que haja paz no mundo”. Relativamente à situação actual na Ucrânia, Celeste Costa considera que “é muito preocupante”, e espera que a guerra ali acabe “o mais rápido possível”.

      “A Rússia não devia ter invadido a Ucrânia, acho que cada um tem direito da sua liberdade, e, portanto, acho que o acto da Rússia é impensável, é abominável, não devia ter invadido. A Ucrânia tem de ter a sua liberdade como têm os outros países todos”, destacou.

      Um outro participante, que pediu para não ser identificado, relatou ao PONTO FINAL que está “muito triste” por ter sabido da invasão da Rússia à Ucrânia, e as decisões de iniciar a guerra “são muito más”.

      Após a sessão da missa em língua portuguesa, três jovens, junto à porta principal da Sé, disseram que não tinham conhecimento de que a missa era igualmente dedicada à oração pela paz na Ucrânia. No entanto, mostraram-se também desgostosos com os actos de invasão iniciada pela Rússia, que “é obviamente uma destruição de uma terra”. “Acho que temos de lembrar a crença e a maneira em que chegamos a este tempo, esta época. Não acho que o que está a acontecer lá é correcto. Imaginem que estamos lá e há uma bomba num espaço aberto, já não nos sentimos seguros”, asseverou um dos jovens.

      A guerra não é desejada por todas as pessoas, e este sentimento existe provavelmente também nos soldados russos, considera o mesmo jovem, acrescentando que a maioria dos soldados foram à guerra por causa de ordem oficial ou receio do presidente Vladimir Putin.

      O presidente russo fez um discurso no início da semana passada e alegou que a Rússia não tinha intenção de invadir a Ucrânia. Posteriormente, declarou que a Rússia precisa de se proteger enquanto a NATO continua a expandir-se para o leste, autorizando o exército russo a realizar operações militares na Ucrânia “para proteger a população local”.

      Com o decorrer de toda esta situação, o Papa Francisco falou da grande tristeza no seu coração com o agravamento da situação na Ucrânia. “Apesar dos esforços diplomáticos das últimas semanas, cenários cada vez mais alarmantes estão a surgir. Como eu, muitas pessoas no mundo estão a sentir angústia e preocupação. Mais uma vez, a paz de todos está ameaçada por interesses de uma parte. Gostaria de apelar aos responsáveis políticos para que façam um sério exame de consciência diante de Deus, que é o Deus da paz e não da guerra, o Pai de todos, não apenas de alguns, que quer que sejamos irmãos e não inimigos. Peço a todas as partes envolvidas que se abstenham de qualquer acção que possa causar ainda mais sofrimento às populações, destabilizando a convivência entre as nações e desacreditando o direito internacional”, disse.

       

      PONTO FINAL