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      Empresas portuguesas podem entrar no mercado chinês através da Grande Baía

      Para as empresas portuguesas, a Grande Baía e a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin poderão ser lugares de potencial e cheios de possibilidades para o seu desenvolvimento, nomeadamente para empreendedores dos sectores relacionados com a tecnologia, a saúde e o comércio electrónico, com a vista a entrar no mercado chinês, segundo os palestrantes de diferentes áreas profissionais que participaram ontem numa conferência na Fundação Rui Cunha.

       

      Com uma elevada circulação de pessoas, capitais e produtos, a Grande Baía, zona que tem estado em crescimento nos últimos anos, entrou ou poderá entrar no plano de desenvolvimento comercial e empresarial de algumas empresas portuguesas e dos países lusófonos, e os sectores da tecnologia informática, do comércio electrónico e de ‘Big Health’ são considerados como domínios potenciais para o empreendedorismo e exploração por parte das empresas lusófonas.

      Numa conferência realizada ontem na Fundação Rui Cunha, intitulada “Presença Empresarial Portuguesa na Grande Baía: Perspectivas de Empreendedores e Investidores”, palestrantes de diversos sectores partilharam o seu ponto de vista relativamente ao investimento na Grande Baía. O presidente do Banco Nacional Ultramarino (BNU), Carlos Cid Álvares, salientou que Hengqin, onde está a ser desenvolvida uma zona da cooperação aprofundada, poderá ser o futuro de Macau.

      O empresário referiu que o BNU começou a explorar Hengqin em 2017 e conseguiu gerar 14 milhões de patacas em receitas este ano, acrescentando que Hengqin funciona para o desenvolvimento de Macau da mesma forma que Shenzhen funciona para Hong Kong. No entanto, apesar de ter registado um crescimento económico de 8% no ano passado, a recuperação de investimento demora tempo.

      Ao mesmo tempo, Carlos Cid Álvares afirmou que, para mais empresas portuguesas poderem aproveitar as oportunidades da Grande Baía, o Governo português deve disponibilizar mais apoios e medidas para facilitar o negócio na zona, nomeadamente para as indústrias da tecnologia e cuidados de saúde.

      A directora da Agência de Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) destacou o desenvolvimento potencial e positivo dos sectores de saúde e da sustentabilidade ambiental com inovação tenológica, como de ‘smart city’. Carolina Lousinha considera também a Grande Baía como uma porta através da qual as empresas portuguesas podem entrar no mercado chinês, mas isso vai exigir capacidade financeira e competência empresarial, uma vez que o ambiente de negócio está competitivo e proteccionista.

      Além da percepção de empreendedorismo, as disposições jurídicas e fiscais e estratégia de marketing são igualmente cruciais nessa matéria, segundo a advogada inscrita em Portugal, representante do escritório de advogados MdME, Un I Wong. Para a advogada, a zona da Grande Baía é considerada como “o motor da economia para a China, acompanhando com a política do Governo Central da China de ‘Uma Faixa, uma Rota’”, sendo rica em oportunidades para quem quiser entrar no mercado da China, através de circunstâncias de infra-estruturas “bem-montadas” e com um alto fluxo dos produtos, capitais, talentos, políticas e medidas de incentivos para investimento estrangeiro.

      Segundo a advogada, o papel de Macau como uma plataforma mediadora, o aumento de talentos, nomeadamente com competência bilingue que facilita o negócio, e o crescimento da participação das empresas portuguesas nas cidades vizinhas de Macau, são factores que criam sinergia para o desenvolvimento de cooperação sino-lusófona na Grande Baía.

      Outra potencialidade das empresas portuguesas na China é o sector de comércio de exportação dos produtos com alta qualidade, pois “os chineses estão dispostos a pagar mais devido à questão de qualidade”, referiu.

      Ao partilhar a sua perspectiva sobre a integração da advocacia de Macau na Grande Baía, particularmente na zona de cooperação em Hengqin, o advogado Calvin Chui, do escritório de advogados Rato, Ling, Lei & Cortés, destacou ontem que houve uma “grande evolução” neste aspecto. Recorde-se que em 2014 foi aprovada a permissão de escritórios de Macau e Hong Kong poderem cooperar com outros escritórios chineses através do modelo de ‘joint venture’, prestando serviços jurídicos na China.

      Com o facto de que os advogados de Macau podem agora se inscrevem para exercer a sua profissão na Grande Baía, Calvin Chui julgou que, “para o negócio de Portugal, da China e dos países lusófonos, os advogados são facilitadores de negócios, e podem introduzir e também atrair investimentos” recíprocos.

      Entretanto, a situação pandémica tornou-se de certa forma um obstáculo para um avanço mais acelerado para as empresas portuguesas na Grande Baía devido às restrições de passagem transfronteiriça, quer para pessoas, quer para produtos, segundo as opiniões dos participantes da conferência.

      A conferência na Fundação Rui Cunha decorreu de forma híbrida, online e presencial, e contou ainda com presenças do participantes espalhados em várias cidades (Macau, Shenzhen, Porto e Coimbra), incluindo o moderador José Carlos Matias, os palestrantes José Sales Marques (Presidente do Instituto de Estudo Europeus de Macau), Nuno Batista (Soulfato Group), José Quinteiro (Grupo Globallmed), Miguel Lemos Rodrigues e Tiago Bonucci Pereira, da Associação de Cooperação e Desenvolvimento Portugal – Grande Baía.

       

      PONTO FINAL