China acusa Estados Unidos de “atirar gasolina para o fogo” em relação à Ucrânia

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A China acusou ontem os Estados Unidos de “atirar gasolina para o fogo” na crise da Ucrânia, por vender armas a Kiev e “aumentar as tensões”, um dia depois de ter pedido contenção a todos os envolvidos.

 

“Os Estados Unidos estão a vender armas à Ucrânia, a aumentar as tensões, a criar pânico e até a exagerar o cronograma para uma guerra”, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hua Chunying. “A questão-chave é, qual o papel dos Estados Unidos nas atuais tensões na Ucrânia”, questionou, adiantando: “Alguém que atira gasolina para cima do fogo, enquanto acusa os outros, é alguém imoral e irresponsável”.

Na segunda-feira, depois de Moscovo ter reconhecido as duas autoproclamadas repúblicas separatistas pró-russas no leste da Ucrânia, levando Washington, a União Europeia (UE) e vários outros países a impor sanções contra a Rússia, Hua pediu aos actores na crise ucraniana que “mostrem moderação”.

O receio de uma escalada militar às portas da UE atingiu o pico, desde que Vladimir Putin reconheceu a independência dos territórios de Donetsk e Lugansk.

Em relações às sanções do ocidente, uma das medidas mais dramáticas foi anunciada por Berlim, que congelou o gigantesco projeto do gasoduto Nord Stream II, que deveria trazer mais gás natural russo para a Alemanha.

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou uma “primeira parcela” de sanções destinadas a impedir Moscovo de aceder a fundos ocidentais para pagar a sua dívida soberana. Questionada sobre a possibilidade de a China impor sanções à Rússia, Hua disse que “essa nunca foi uma maneira eficaz de resolver problemas”.

A decisão de Putin foi condenada pela generalidade dos países ocidentais, que temiam há meses que a Rússia invadisse novamente a Ucrânia, depois de ter anexado a península ucraniana da Crimeia em 2014.

Nesse ano, começou a guerra no Donbass entre separatistas pró-russos apoiados por Moscovo e o exército ucraniano, que provocou, desde então, mais de 14.000 mortos e 1,5 milhões de deslocados, segundo a ONU.

 

Taiwan condena envio de tropas russas para territórios separatistas

 

A líder de Taiwan, Tsai Ing-wen, condenou ontem a Rússia por ordenar o envio de tropas para os territórios separatistas pró-russos de Lugansk e Donetsk, na Ucrânia. “O nosso governo condena a violação da soberania da Ucrânia pela Rússia (…) e apela a todas as partes para continuarem a resolver os conflitos por meios pacíficos e racionais”, afirmou Tsai.

Taiwan, que vive também sob ameaça de uma anexação por parte da vizinha China através do uso da força, está a observar de perto a crise na Ucrânia. Tsai descreveu Taiwan e a Ucrânia como sendo “fundamentalmente diferentes em termos de geoestratégia, ambiente geográfico e importância das cadeias de abastecimento internacionais”, numa referência ao estatuto da ilha como um dos principais pilares da economia mundial, sobretudo devido à indústria de semicondutores.

Ainda assim, a presidente ordenou que os militares intensifiquem as defesas contra o aumento das tensões com a China. “Diante de forças externas que tentam manipular a situação na Ucrânia e afectar o moral da sociedade taiwanesa, todas as unidades do governo devem estar mais vigilantes”, avisou Tsai.

Na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, expressou preocupação com a evolução da crise na Ucrânia, mas absteve-se de tomar uma posição.

No início de Fevereiro, a China e a Rússia assinaram uma declaração conjunta na qual anunciavam uma “nova era” nas relações internacionais, afirmando-se “contra qualquer alargamento futuro da NATO”.

Na segunda-feira, o Presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu os territórios separatistas pró-russos de Lugansk e Donetsk, no leste da Ucrânia, como independentes. Putin anunciou ainda que as forças armadas russas poderão deslocar-se para os territórios ucranianos em missão de “manutenção da paz”, decisão que já foi autorizada pelo Senado russo. Lusa