Estudada criação de instalações de tratamento para responder a eventual surto de Covid em Macau

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FOTOGRAFIA GONCALO LOBO PINHEIRO

As autoridades sanitárias estão a trabalhar para estipular um plano de contingência de forma a estarem preparadas para responder a um possível surto de infecção comunitária. Segundo o responsável dos Serviços de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário, o plano inclui encontrar locais para criar instalações de tratamento comunitário distantes dos habitantes, evitando a sobrecarga no serviço médico normal nos hospitais. Por outro lado, os Serviços de Polícia Unitários afirmaram que vão reforçar os trabalhos de combate à imigração ilegal, que podem provocar transmissão da pandemia na comunidade. O Centro de Coordenação de Contingência reiterou também apelos à vacinação, particularmente às crianças e aos idosos.

 

Considerando que se a situação pandémica local se tornar extrema ou existir um surto de infecção comunitária que venha sobrecarregar o sistema médico na RAEM, o responsável do Serviços de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário revelou que as autoridades sanitárias estão a formular um plano de contingência para enfrentar uma possível crise epidémica. A ideia inicial passa pela construção de instalações de tratamento comunitário em grande dimensão num local distante das zonas residenciais em Macau, ou seja, os serviços médicos de urgência poderão ser transferidos para locais menos frequentes por parte dos cidadãos, como os estádios.

Citado pelo All About Macau, Lei Wai Seng salientou que “gostaríamos de criar um processo conveniente para que os doentes diagnosticados positivos possam se instalar num local de isolamento o mais rápido possível, pelo que a consideração principal é arranjar um lugar para os pacientes poderem receber a consulta e avaliação médica imediata, bem como tratamento imediato”, disse à margem da cerimónia de entrega de Medalhas e Títulos Honoríficos na passada sexta-feira.

A questão foi levantada pela situação pandémica em Hong Kong, cujo sistema médico está sobrecarregado devido ao novo recorde em número de casos confirmados diários. O número de vagas para internados encontra-se em carência, pelo que a maioria dos pacientes apenas pode ficar à espera fora dos hospitais para serem atendidos à consulta ou ao tratamento.

Recorde-se que as autoridades de saúde de Macau também confirmaram, no ano passado, que foi considerada a construção de um hospital de campanha em Macau, nomeadamente na Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau. Segundo a informação adiantada naquela altura, o proposto hospital teria 500 camas para doentes, bem como capacidade elevada de armazenamento de medicamentos.

Nesse sentido, o responsável não especificou desta vez que o plano seja a continuação do projecto de um hospital de campanha, mas assinalou que o Governo está ainda a empenhar-se em encontrar um local apropriado para servir como instalações com finalidade médica, com espaço suficiente para os pacientes viverem durante o tratamento.

Lei Wai Seng observou que a variante da Covid-19 actual de Ómicron não causou muitos casos de infecção grave, pelo que muitos pacientes não precisam de apoio médico especial, mas sim de testes e consultas médicas. “De momento, a maioria dos doentes na cidade vizinha está com sintomas leves, até assintomáticos, eles precisam de espaço para isolamento para não regressarem à comunidade, e não devem ir aos Serviços de Urgência em grande multidão. Se houver um grande número de pacientes com sintomas leves a pedir para fazer testes ou consulta nos Serviços de Urgência, vai afectar o tratamento médico normal dos outros pacientes, ou seja, o tratamento de pessoas com doença cardíaca ou outras doenças urgentes poderá ser atrasado por causa disso”, explicou o também médico consultor de Pneumologia.

Durante este surto epidémico na RAEHK após as férias do Ano Novo Lunar, além dos estabelecimentos médicos estarem sobrecarregados, o transporte de doentes encontra-se difícil para os departamentos de Bombeiros e sanitários em Hong Kong, e dezenas de veículos do sector do turismo e táxis foram requisitados para ajudar a transportar os doentes para as instalações de tratamento comunitário.

Para o plano de contingência na RAEM, Lei Wai Seng destacou que serão considerados também os procedimentos e os meios de transporte. Além de utilizar as ambulâncias do Corpo de Bombeiros, as autoridades ponderam ainda a expropriação de veículos de transporte público. Por outro lado, relativamente ao número de pacientes que visitaram o Serviço de Urgência, o responsável apontou que, devido ao recente tempo frio, o número de pacientes aumentou, mas mantém-se semelhante ao do ano passado.

A carga de trabalho no hospital aumentou durante a pandemia, e o número de pessoal está relativamente apertado, pelo que o tempo de espera no Serviço de Urgência para os doentes não urgentes é mais longo, referiu Lei Wai Seng. Sugeriu ainda que, se não forem casos urgentes, os cidadãos podem ir ao médico nos estabelecimentos comunitários, como as clínicas médicas e centros de saúde, para que o serviço de urgência tenha mais espaço para atender os pacientes com necessidades.

 

Combater a pandemia através de entradas ilegais

 

Foram registados casos de imigração ilegal no interior da China cometidos por residentes de Hong Kong devido à persistência e agravação da pandemia na cidade. À margem do mesmo evento de distribuição de medalhas, o comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários, Leong Man Cheong, indicou que Macau não registou uma tendência de aumento de casos de entrada ilegal, nem foi detectado, até agora, migrantes ilegais provenientes da RAEHK.

O responsável assumiu ainda que, sob as instruções do secretário para a Segurança, o organismo vai fortalecer as inspecções marítimas, de forma a evitar a imigração ilegal e combater a possível transmissão da pandemia através da entrada ilegal. Leong Man Cheong destacou ainda a eficácia do mecanismo contra o crime em cooperação com as autoridades do Continente, tendo detido mais de 30 pessoas no ano passado.

 

Mais apelos à vacinação devido ao aumento de risco de infecção comunitária

 

O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus fez mais apelos à vacinação, justificando que o risco de infecção comunitária local continuar a aumentar, uma vez que existe uma transmissão em grande escala de covid-19 nas áreas vizinhas, e já foram registados vários casos importados de infecção em Macau, apelando ainda que as pessoas maiores de 18 anos que completaram a 2.ª dose há mais de 6 meses devem administrar uma dose de reforço o mais brevemente possível. Referiu ainda que a taxa de cobertura de vacinação em Macau ainda “não é a ideal, principalmente entre as crianças e idosos”. O Centro vai proceder ao envio de mensagens de telemóvel de aviso para indivíduos com idade igual ou superior a 50 anos e que não administraram vacina contra a Covid-19, lembrando-as para se vacinarem.

 

Mais quatros casos importados de infecção assintomática

 

Foram registados mais quatro casos importados de infecção assintomática em Macau no fim-de-semana. Dois residentes de Hong Kong, uma mulher de 52 anos administrada com duas doses de vacina e um menino de 10 anos não vacinado, foram testados positivos no sábado, após a sua chegada à RAEM no dia 13 de Fevereiro através da Ponte do Delta num autocarro, onde constou ainda mais um passageiro infectado, uma mulher de 41 anos. Ontem, duas mulheres residentes, de 55 anos proveniente do Reino Unido, e de 51 anos proveniente da Suécia, também inoculadas com as três doses da vacina, deram positivo no teste após regressarem a Macau por via aérea com escala em Singapura.

 

 

PONTO FINAL