PMEs locais podem criar lojas online para vender para o Continente, diz DSEDT

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FOTOGRAFIA: EDUARDO MARTINS/ ARQUIVO

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico recomendou às empresas locais para se adaptarem ao comércio electrónico transfronteiriço e criarem lojas de formato online de pequena dimensão para vender os seus produtos para o interior da China. O director do organismo, Tai Kin Ip, considerou que este modelo de negócio seria mais apto para as PMEs locais devido à capacidade de fornecimento. Tai Kin Ip acrescentou ainda que a DSEDT vai estudar este ano a inclusão de ‘start-ups’ de Macau na Zona de Cooperação em Hengqin no plano de apoio financeiro aos jovens empreendedores.

 

Visto que a persistência da pandemia em vários países no mundo tem acelerado o desenvolvimento da economia digital, e de forma que as pequenas e médias empresas se adaptem a esta nova tendência, a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) veio propor que as empresas locais possam aproveitar mais a tecnologia e estabelecer lojas em formato online para vender os seus produtos para o interior da China, de forma a expandir o negócio de comércio electrónico transfronteiriço.

Em declarações ao Jornal Ou Mun, o director da DSEDT assegurou, ao mesmo tempo, que vai promover a transformação e modernização das empresas locais para atenderem à evolução do mercado. Tai Kin Ip salientou que as autoridades irão continuar a ajudar os comerciantes a se integrarem no comércio electrónico, “como apoiar a indústria na construção de plataformas de comércio online e incentivar as empresas a utilizarem essas plataformas digitais para vender produtos para a China Continental, particularmente os produtos das PMEs”.

O responsável considerou que o transporte de mercadorias transfronteiriço entre a RAEM e o Continente está muito mais facilitado do que no passado e com elevada eficácia, sendo que os produtos de necessidades diárias continuam a registar um alto volume de trocas entre os dois locais, enquanto vários alimentos, como a carne, são ainda sujeitos a restrições aduaneiras rigorosas.

Já existem na China algumas plataformas de comércio online de grande dimensão operativa, cujas vendas são agora expandidas não só no interior da China, mas também nas RAEs e no estrangeiro. No entanto, Tai Kin Ip admitiu que os requisitos para se associarem a essas plataformas são elevados, uma vez que possuem uma técnica de operação apoiada por mega-dados, que podem prever o volume de consumo e categorias de consumo em diferentes períodos, com modelo de negócio por preços baixos para atingir um maior número de vendas possível.

“É difícil para as PMEs de Macau desenvolverem este tipo de plataforma de comércio electrónico devido à sua dimensão e ao volume de produção para oferta. Contudo, podem focar-se no mercado de produtos que não seja de necessidades diárias, abrindo pequenas lojas online, por exemplo, por meio de ‘miniprogramas’ no Wechat ou outras redes sociais. Claro que é preciso investir em equipamentos e anuidades de adesão nessas aplicações telemóveis, mas podem usufruir com clientes já existentes, bem como uma série de funções de receber pedidos e pagamento”, assinalou Tai Kin Ip, defendendo que o referido modelo está mais de acordo com a natureza das PMEs em Macau dado que têm requisitos mais baixos quanto à capacidade de oferta e capacidade de assumir risco por parte de comerciantes.

No que toca aos procedimentos de logística transfronteiriça, os produtos enviados de Macau devem ser recolhidos no Continente de forma centralizada, sendo apenas depois distribuídos e enviados para as diversas províncias e cidades, cujas etapas de envio aumentam o custo logístico e de tempo. O director da DSEDT advertiu, neste caso, que esses custos serão recuperados com a venda, como muitos turistas estão interessados em pastéis e comida típica, uma vez que os provaram durante a visita à RAEM, pelo que “não se importam em pagar os custos de logística para obter a comida”.

Quanto ao tempo que demora o transporte, os serviços de economia estão a estudar novas medidas de facilitar a entrega, por exemplo, com o envio directo aos clientes no Continente, frisando que algumas lojas de lembranças já inauguraram as lojas de formato online, vendendo bolachas e pastéis típicos para o Continente através de distribuidores chineses.

Além da análise dos dados e da tendência do mercado e da uniformização da cadeia de distribuição, é ainda necessário para as PMEs locais aproveitarem a promoção através das redes sociais e dos ‘influencers’ e ‘KOL’ (key opinion leader), Segundo revelou o responsável, as autoridades pretendem formar um grupo de ‘influencers locais’, estando a comunicar com o sector para um plano de formação para “os jovens de Macau aprenderem com a experiência do interior da China sobre a venda online via transmissão ao vivo nas plataformas”.

 

Plano de incentivo de jovens empreendedores poderá ser ajustado para cobrir Hengqin

 

Na mesma linha sobre o desenvolvimento comercial das PMEs e a participação dos jovens no empreendedorismo, o director da DSEDT adiantou ainda que vai ser realizado um estudo este ano sobre a necessidade de ajustar o quadro do Plano de Apoio a Jovens Empreendedores, para abranger os comerciantes jovens na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, com a finalidade de incentivar o empreendedorismo de jovens de Macau na zona.

No entanto, a principal consideração da extensão geográfica é a questão de atribuição de recursos financeiros da RAEM para a Zona de Cooperação Aprofundada, nomeadamente a maneira da prestação razoável e da respectiva fiscalização.

Tai Kin Ip frisou que a exploração de negócio em Hengqin ainda parece incerta para algumas PMEs locais. “É mais difícil para elas entrarem no mercado lá quando se desenvolverem individualmente, se puderem desenvolver-se em grupos acredito que a probabilidade de sucesso é relativamente alta. Uma vez que a Zona de Cooperação ainda é um mercado novo e está na fase de melhoramento e de desenvolvimento, é mais adequado para pequenas e médias empresas iniciarem em grupo”, referiu o responsável. “Se houver novos locais de negócios e centros comerciais, as PMEs envolvidas na vertente de retalho ou de restauração podem reunir-se e entrar nesses lugares para desenvolverem um negócio mais completo e maior em dimensão, ficando assim atraentes para investimentos e com mais confiança para os consumidores”, explicou.

A DSEDT tem vindo a entrar em contacto com o departamento de apoio ao empreendedorismo de jovens na Zona de Cooperação, tendo o trabalho sido “bem coordenado”, segundo afirmou Tai Kin Ip, sublinhando que o Governo da RAEM tem prestado apoio aos jovens empreendedores que iniciam negócio quer em Hengqin, quer na Grande Baía, cooperando com os centros de incubação de ‘start-ups’ para fornecer conselho no âmbito jurídico, de contabilidade e fiscal.

Acrescentou ainda que as autoridades de Macau e de Hengqin irão lançar mais medidas e estabelecer mais instalações para apoiar fortemente o empreendedorismo jovem. O director da DSEDT recordou que o Projecto Geral de Construção da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin prevê que os jovens de Macau que iniciam negócios em Hengqin podem beneficiar simultaneamente das políticas de apoio dos dois locais, o que vai encorajar ainda mais novos negócios pelos jovens de Macau.

 

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