Descodificar a cerimónia de inauguração dos Jogos Olímpicos de Inverno

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Uma cerimónia no Estádio Nacional de Pequim, conhecido como “Ninho do Pássaro”, marcou nesta sexta-feira a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022. Depois da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2008, o espectáculo da cerimónia de abertura desta edição voltou a ser concebido e dirigido pelo aclamado cineasta chinês Zhang Yimou. O director-chefe explicou à imprensa chinesa algumas das suas ideias.

 

A cerimónia de inauguração da 24.ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno realizou-se às 20h00 do dia 4 de Fevereiro no Estádio Nacional de Pequim. Ao contrário dos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008, a cerimónia de abertura esta edição foi encurtada para menos de 100 minutos devido à consideração sobre a saúde pública. A estrutura integrou os espectáculos culturais com os aspectos cerimoniais e o tamanho do elenco foi de cerca de 3.000 pessoas. Conforme o relato, três temas são destacados, designadamente, a busca e aspiração da China pela paz mundial, o lema olímpico “Mais rápido, mais alto, mais forte, mais unido”, e a visão e expectativas dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim “Juntos para o Futuro”.

Ao contrário das edições anteriores, a contagem decrescente para a cerimónia de abertura baseou-se nos 24 termos solares chineses, em vez da forma convencional com os algarismos arábicos. Zhang Yimou, director-chefe da cerimónia de abertura, explicou que a ideia teve origem no “lichun”(início da Primavera), que é um simbolismo cultural, sendo uma boa oportunidade para contar ao mundo a cultura tradicional chinesa. “Ninguém no mundo pode contar assim”, afirmou Zhang Yimou.

No ciclo dos 24 termos solares chineses, a contagem decrescente começa com ‘yushui’ (água da chuva) e termina com ‘lichun’ (início da Primavera). O director-chefe Zhang Yimou disse: “Estávamos a pensar em ideias inovadoras todos os dias. Um dia, de repente, apercebemo-nos que o dia 4 de Fevereiro terá caído no ‘lichun’ (início da Primavera), segundo o calendário lunar. Foi um bom ponto de partida para nós sabermos como completar a contagem decrescente”, referiu.

Zhang Yimou contextualizou a concepção de começar com esta perspectiva cultural chinesa, escolhendo os 24 termos solares e fazendo uma contagem decrescente de 24. “O mundo iria questionar: ‘O que significa o 24?’ Podemos dizer-lhe de forma simples e directa que se trata dos 24 termos solares chineses, um antigo algoritmo dos anos, para popularizar a cultura chinesa. A cerimónia de abertura tem a definição da cultura chinesa desde o primeiro segundo”, explicou.

Outro destaque da cerimónia de inauguração foi uma gota de tinta azul que se transformou numa imagem das “águas do Rio Amarelo vindas do céu” (um verso de poesia chinesa Li Bai), que descem da “tigela” do “ninho do pássaro” e enchem todo o local, enquanto uma parte de água sobe do centro e condensa-se no cristalino “cubo de gelo”. Vinte e quatro lasers são projectados de cima, esculpindo o cenário e invertendo-se. Os jogadores de hóquei acertam o “disco” com o taco, o “cubo de gelo” parte-se gradualmente, revelando os cinco anéis gigantes de gelo e neve que se erguem lentamente a partir dele.

Imediatamente a seguir, seis pandas (mascote oficial dos jogos) juntaram-se para abrir a “porta da China” na parte de trás do campo. O Rio Amarelo é geralmente considerado como o “rio-mãe” da China e “o berço da civilização chinesa”. Zhang Yimou explica a ideia: “A água do Rio Amarelo vem do céu, está cheia de estética chinesa e da beleza da pintura paisagística; os 24 lasers representam as 24 edições Jogos Olímpicos de Inverno, e a escultura do ‘cubo de gelo’ simboliza a profunda história em que os passados Jogos Olímpicos de Inverno são recordados um a um; os seis pandas da mascote representam os seis eventos dessa modalidade dos Jogos Olímpicos de Inverno. O espectáculo é completamente diferente de 2008. Pode haver menos pessoas presentes na audiência, mas a cerimónia de inauguração tem elementos simultaneamente culturais e tecnológicas, cheios de características da tecnologização moderna”, disse Zhang Yimou.

“A entrada da bandeira é uma parte importante da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, mostrando que o país organizador pensou um pouco mais”, diz Zhang Yimou. O director-chefe lembrou que a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008, onde crianças de 56 etnias chinesas marcharam para o “Ninho do pássaro”, abraçando a bandeira vermelha de cinco estrelas. “Tínhamos um bom ‘feedback’, desta vez decidimos começar com a abordagem do ‘povo’”, referiu. Para Zhang Yimou, os quase 200 delegados chineses de diferentes etnias no palco eram um microcosmo de todo o povo chinês, em pé em duas filas, sem separação clara entre eles. O acto de “contacto próximo entre o povo e a bandeira” não é um “grande espectáculo” em si mesmo, mas é preenchido com o “afecto inseparável que atinge o coração”, salientou Zhang Yimou.

Na noite da 4 de Fevereiro, a tocha principal foi acesa de uma forma “surpreendente” no Estádio Nacional de Pequim. A tocha foi acesa por uma “pequena fogueira” em vez de um grande fogo ardente, para transmitir o conceito ecológico e de baixas emissões de carbono dos Jogos Olímpicos Verdes, tornando-o uma inovação na história olímpica, salientou Zhang Yimou. O director-chefe adiantou que tal corresponde à antiga filosofia chinesa e ao conceito chinês de estética, a partir de detalhes para conhecer a essência de algo. “Isto é muito bonito, muito romântico e muito poético. Também se pode ver a forma como a tocha principal é acesa desta vez, uma pequena tocha portátil, uma pequena chama, mas o que se pensa é no grande espírito olímpico, uma paixão ardente e romance de toda a humanidade,” referiu Zhang Yimou.

 

 

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