Qianhai abre a porta para guias turísticos das RAEs, mas o sector não confia na competitividade local

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FOTOGRAFIA: PEDRO ANDRÉ SANTOS

O regulamento provisório do registo de exercício da actividade de guia turístico e intérprete de Hong Kong e Macau na Zona de Cooperação da Indústria de Serviços Modernos Shenzhen-Hong Kong de Qianhai entrou ontem em vigor. A medida permite que os guias de turismo de Hong Kong e Macau prestem serviços profissionais no âmbito da Zona de Cooperação de Qianhai em Shenzhen desde que tenham recebido formação profissional e arquivado os seus registos sobre as suas práticas. No entanto, perante a nova medida, a presidente da Associação de Promoção de Guia Turismo de Macau, Chu Meng Ha, revelou que o sector permanece numa “atitude conservadora”, duvidando que os profissionais de turismo local consigam aproveitar a oportunidade devido à carência da “competitividade suficiente”.

 

A nova iniciativa intitulada “Regulamento Provisório do Registo de Exercício da Actividade de Correio Turístico e Guia-intérprete de Hong Kong e Macau na Zona de Cooperação da Indústria de Serviços Modernos Shenzhen-Hong Kong de Qianhai” entrou em vigor ontem, lançada conjuntamente pela Autoridade de Qianhai e pelos Serviços Provinciais de Rádio, Televisão, Turismo e Desporto de Shenzhen. O recém-lançado regulamento permite aos guias turísticos e acompanhantes de turismo assistirem, orientarem e transmitirem informações a pessoas ou grupos em visitas e excursões urbanas na Zona de Qianhai, que ocupa uma área urbana de mais de 120 quilómetros quadrados, depois de terem recebido formação profissional e efectuado a comunicação prévia para o respectivo registo.

Previamente era exigido aos guias turísticos de Hong Kong e Macau passarem o exame de qualificação da China para a prática de profissão no Continente, o que não era muito fácil. O novo regulamento provisório expressamente prevê que os guias turísticos de Hong Kong e Macau já não necessitem de fazer o exame na China continental, bastando concluírem a formação à distância ou presencial, e efectuarem uma comunicação para registo. Uma vez satisfeitos os requisitos, os guias turísticos e intérpretes das regiões administrativas especiais podem ser atribuídos pelas agências de viagens e de turismo para prestar serviços profissionais, acompanhando turistas em viagens e visitas a locais de interesse turístico, no âmbito da Zona de Cooperação de Qianhai em Shenzhen.

Em conformidade com o regulamento, as administrações públicas do turismo nas regiões administrativas especiais e as associações referentes ao sector de turismo podem solicitar informações junto às autoridades de Qianhai para consulta.

No que toca aos trâmites, é também mencionado no Regulamento Provisório que, com base no cumprimento da lei e garantindo a veracidade e exactidão dos documentos, os profissionais do sector turístico de Hong Kong e Macau podem enviar os documentos autenticados e carimbados, através de plataforma digital e correio expresso, para o endereço designado num prazo definido para efectuar a solicitação, não sendo necessário sair dos locais de residência.

Com a introdução da nova medida já foram atingidas 16 categorias de quadros técnico-profissionais de residentes de Hong Kong e Macau que podem exercer em Qianhai, nomeadamente, finanças, contabilidade, advocacia, design, agência de patentes, guia de turismo, entre outras. Actualmente, 39 entidades profissionais e 326 quadros técnico-profissionais na área da engenharia e construção civil completaram a comunicação para o registo à Autoridade de Qianhai. No final de 2021, foram criadas cinco empresas de operações ‘joint venture’ especializadas nas áreas da contabilidade e fiscalidade, tendo obtido o registo para exercer as suas actividades transfronteiriças na Zona de Qianhai.

Segundo as estatísticas fornecidas pela Direcção dos Serviços de Turismo, há 1.845 guias turísticos registados em Macau. Face à nova medida lançada, o sector mostra o conservadorismo, revelou Chu Meng Ha, presidente da Associação de Promoção de Guia Turismo de Macau. “Actualmente a remuneração dos profissionais de guias turísticos no interior da China é ainda relativamente baixa, acompanhar e orientar uma excursão de 7 a 8 horas só ganham 300 a 400 de patacas, enquanto uma excursão em Macau traz 600 a 800 de patacas de receita a um guia-intérprete local”, referiu.

A guia de turismo afirmou que a média de idade de um guia turístico da China continental é de 20 anos, enquanto que a maioria dos guias turísticos em Macau tem 50 anos. Chu Meng Ha acrescentou que tem dúvidas que os profissionais de turismo local tenham “competitividade suficiente” para concorrer no ambiente da China continental.

 

PONTO FINAL