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      InícioSociedadeEstudo mostra falta de conhecimento sobre sexualidade entre universitários

      Estudo mostra falta de conhecimento sobre sexualidade entre universitários

      De acordo com o resultado de um inquérito realizado pelo Instituto de Enfermagem Kiang Wu, os alunos universitários em Macau entrevistados não possuem conhecimento completo e aprofundado sobre sexualidade. O estudo constatou que alguns entrevistados tiveram relacionamentos amorosos muito novos e possuíam múltiplos parceiros sexuais, levando os autores a considerar que há falta da educação sexual em Macau. O instituto espera agora lançar um curso independente sobre a matéria.

       

      Um inquérito conduzido pelo Instituto de Enfermagem Kiang Wu de Macau sobre o conhecimento, atitude, valores e comportamentos sexuais de estudantes universitários em Macau concluiu que os alunos do ensino superior entrevistados tinham uma compreensão incompleta e não aprofundada sobre a sexualidade, e muitos consideram que há uma carência de educação sexual nas escolas.

      O resultado do estudo foi divulgado na passada quarta-feira após a análise de mais de 1.200 questionários válidos recolhidos de alunos universitários. De acordo com a directora do departamento de Gestão e Desenvolvimento de Pesquisa do Instituto, Leong Sok Man, o questionário tinha perguntas de conhecimento sobre saúde sexual, cujas respostas recebidas mostraram que os entrevistados não tinham conhecimento correcto e abrangente dessa matéria. “Por exemplo, à pergunta ‘As doenças sexualmente transmissíveis afectam apenas os órgãos sexuais’, quase 60% das respostas estavam erradas. Essas doenças afectam também outros órgãos do nosso corpo”, salientou.

      Além disso, a pesquisa verificou sinais de que a idade de início de namoro está cada vez mais baixa. Segundo explicou a responsável, o mais jovem entrevistado com experiência amorosa tinha 12 anos, e a média de idade entre 60% dos estudantes inqueridos com experiência de uma relação romântica era de 15,6 anos. Um pequeno número de alunos apresentou fraca consciência sobre segurança sexual, como relações sexuais prematuras e múltiplos parceiros sexuais.

      O relatório do inquérito constatou ainda que a maioria dos estudantes entrevistados acredita que o nível actual de educação sexual é insuficiente, afirmando que obtiveram, muitas vezes, conhecimentos sobre o assunto em palestras fora da escola ou através da internet. Para além disso, afirmaram ainda que recebiam muito pouca educação sexual na família.

      “Embora Macau tenha promovido educação sexual para os alunos do ensino primário e secundário, existem deficiências na generalização da matéria. Há menos educação sexual para os estudantes universitários e eles não podem aprender o conhecimento sexual em cursos de educação sistemática e formal”, destacou o resultado, sugerindo que, a partir do nível de conhecimento, valores sexuais, comportamento e atitude sexual, o Governo da RAEM deve proporcionar, de forma activa, mais recursos humanos e curriculares nesse domínio, integrando a educação sexual no currículo escolar como um curso independente para que os alunos possam passar a entrar num modelo de aprendizagem sistemático, em vez de um modelo fragmentado.

      Por outro lado, em termos de saúde comunitária, o Instituto de Enfermagem Kiang Wu liderou ainda, em cooperação com o Centro WelAnser, Caritas Macau e algumas associações religiosas locais, uma pesquisa sobre a literacia em saúde das empregadas domésticas de nacionalidade filipina em Macau. O estudo constatou que, entre 379 trabalhadoras domésticas filipinas, mais de 60% tinham conhecimentos insuficientes sobre saúde, sendo de nível “baixo” a sua capacidade em obter, compreender, julgar e utilizar informações de saúde no território. Essa situação registou um nível mais grave entre os jovens e pessoas com proficiência média em inglês.

      O grupo entrevistado mostrou estar em estado psicológico de elevado stress, sobretudo devido ao monitoramento excessivo no ambiente de trabalho, longa duração de trabalho, trabalho pesado e salário baixo. Neste caso, os inquiridos têm uma maior procura de informação sobre como lidar com pressão emocional, problemas de sono e dores físicas crónicas, e obtêm principalmente informação relacionada nos sites oficiais das Filipinas e Macau, bem como nas redes sociais.

      O respectivo relatório refere que, como existe um grande número de empregadas domésticas filipinas na RAEM, o seu nível de literacia em saúde é muito importante para as famílias que servem, devendo prestar atenção e dar importância à promoção e educação neste âmbito, recomendando que as autoridades publiquem informações em diversos idiomas e lhes forneçam aconselhamento emocional.

       

       

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