Joana Chantre
A galeria da Fundação Rui Cunha abre as portas com o seu primeiro evento de 2022 no dia 6 de Janeiro, pelas 18h30. “O Menino e seu Presépio”, coorganizado com o Instituto Politécnico de Macau (IPM), será apresentado por Sara Augusto, professora adjunta convidada naquela instituição. Esta será a segunda de três conferências, inseridas no ciclo “Visões, Imagens e Memórias na Arte e Literatura”.
A sessão pretende explicar o simbolismo do presépio e do Menino Jesus na cultura ocidental. “Apesar de ter resolvido acolher a conferência no dia 6, Dia de Reis, não será este o tema da palestra, porém achei que fosse uma data de reflexão”, começou por afirmar Sara Augusto ao PONTO FINAL. “Vou essencialmente falar das imagens do presépio e do Menino na literatura e de como é que apareceram na literatura, arte e cultura”, acrescentou.
“Tem que se ter em conta que se fala sobretudo no papel importante que teve São Francisco de Assis, pois foi supostamente ele a imaginar o primeiro presépio um pouco à imagem do que conhecemos hoje”, observou Sara Augusto, continuando: “É a partir daí que as representações do presépio surgem de forma mais consistente na literatura e nas artes”.
O comunicado de imprensa do evento refere que “a história do nascimento de Jesus, na humildade de um estábulo e na glória dos anjos e dos Reis Magos, foi motivo privilegiado da poesia, na qual o sujeito poético se coloca na posição de contemplação afectuosa, da narrativa e dos tratados morais, em que é apresentado como exemplo e lição de virtudes”. “Da mesma forma, todo o panorama artístico, em épocas distintas, acolheu o tema do Natal, representando o presépio e a Sagrada Família”, pode ler-se.
A pintura italiana, por exemplo, começa a ter como tema o presépio, sobretudo a partir da representação do presépio de São Francisco de Assis, lembra a professora, apontando que esse aspecto “é muito interessante”. “O que eu vou mostrar no dia 6 de Janeiro é como a literatura portuguesa desenvolve o tema, tal como a nossa pintura”, frisou.
Segundo explicou, vai debruçar-se maioritariamente sobre três séculos. “Vou dedicar-me mais aos séculos XVI, XVII e XVIII do que à literatura contemporânea, embora também vá referir os outros, mas depois fica muito extenso e eu quero ir mais ao pormenor”, clarificou.
Questionada sobre se sentiu que em Macau este ano houve menos decorações natalícias, Sara Augusto disse que “quem procura os elementos decorativos e a decoração de Natal sempre os encontra, porque eles existem e estão aí”. “Que possa ter havido uma junção de várias actividades neste período também é verdade, mas não sei muito bem qual terá sido a razão. Agora, não me parece que o nosso Natal tenha sido de menos importância à época, porque quem tem a cultura vive a época de qualquer forma, vê onde estão os símbolos e vai à procura deles”, concluiu. A entrada no evento é livre e a sessão será realizada em português.












