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      Início Economia “Consequências da crise da Suncity são inestimáveis. Este é um acontecimento catastrófico”

      “Consequências da crise da Suncity são inestimáveis. Este é um acontecimento catastrófico”

      Em menos de uma semana, a Procuradoria-Geral de Wenzhou emitiu um mandado de detenção relativo a Alvin Chau; o magnata foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) em Macau, estando agora em prisão preventiva; e todas as salas de jogo VIP do grupo foram encerradas.  A crise do grupo está a provocar um efeito dominó. Luiz Lam, vogal da Associação Geral dos Administradores, Gestores e Promotores de Jogos de Fortuna ou Azar de Macau, afirmou ao PONTO FINAL que o incidente inegavelmente traz uma enorme pressão psicológica a todos os junkets e casinos. O representante da associação acredita que a detenção de Alvin Chau foi motivada politicamente e as autoridades estão a fazer uma interpretação demasiada ampla na sua acusação. As incertezas aumentam a sensação de medo no sector, apontou Luiz Lam.

      Luiz Lam, vogal da Associação Geral dos Administradores, Gestores e Promotores de Jogos de Fortuna ou Azar de Macau (GAAPMG), admite que a detenção de Alvin Chau gera um grande impacto negativo na indústria do jogo em Macau. O membro de sector de jogo assinala: “Em primeiro lugar, o inquérito é sigiloso, tanto em Wenzhou como em Macau, pois não há forma para o público se inteirar das informações detalhadas sobre o caso até ao julgamento. Só podemos adivinhar o que correu mal, criando assim uma espécie de pressão com limites pouco claros, ou mesmo sem quaisquer fronteiras”.

      “Cada vez que recebemos um cliente, quer novo quer antigo, ficamos com medo, sem saber quando vai correr mal. Em tais circunstâncias, os operadores têm que adoptar uma estratégia extremamente conservadora. Quanto mais conservadores forem, mais difícil é de fazerem negócios”, refere Luiz Lam.

      Comentando o caso de Alvin Chau, relativamente à sua acusação na China, o profissional do sector do jogo critica a ambiguidade da lei chinesa: “A disposição legal prevista no art. 303.º do Código Penal da República Popular da China [crime de jogo e crime de abertura de casino] é bastante ambígua. As noções mencionadas, como incitamento, assistência e organização, nem são bem explicadas. Uma vez que a lei é interpretada de uma forma alargada, pode facilmente violar a norma jurídica sem intenção subjectiva. Em geral, na ausência de clareza, as pessoas seguem o que vêem os outros a fazer, na esperança de que fiquem tranquilizadas. Em tais circunstâncias, se a abordagem padronizada for derrubada, as pessoas ficarão preocupadas uma vez que poderão ser as próximas a entrar em problemas”.

      Recorde-se que as autoridades de Macau acusaram Alvin Chau de ter criado uma plataforma digital nas Filipinas para aceitar ilicitamente apostas de residentes do interior da China. O vogal da associação também duvida da validade da sua fundamentação: “O casino online nas Filipinas é legal, a plataforma pertence a uma empresa cotada na bolsa. O grupo Suncity possui uma autorização concedida pela única entidade de licenciamento de jogos e entretenimento nas Filipinas, portanto, é considerada uma empresa legal. Se for considerado branqueamento de capitais e se devolver os lucros legais à empresa-mãe, será que podem os EUA acusar uma pessoa responsável do Sands Macau de actividades de branqueamento capitais, se o casino que opera em Macau legalmente devolver os seus lucros de jogo à sua empresa-mãe nos EUA? Se as autoridades afirmam que é crime só porque um indivíduo está em Macau a gerir o funcionamento de um casino online nas Filipinas, enquanto Macau proíbe o jogo online, então será razoável deter um empresário holandês que vende legalmente marijuana no seu país original, em nome do crime de tráfico de droga, apenas por receber chamadas da sua empresa holandesa e tratar do seu negócio lá quando chega a Macau? Agora as autoridades estão a acusá-lo de uma lei inexistente e de um crime inexistente”. Luiz Lam sublinha que as informações disponíveis ao público são muito limitadas, e mesmo que o julgamento vá eventualmente decidir quem está certo e quem está errado, ninguém sabe quanto tempo levará o processo jurídico”.

      Luiz Lam diz estar convencido de que a razão para a acusação é política. O profissional do sector aponta também que, todos os anos, muito capital entra nos casinos de Macau, vindo do interior da China. Só em 2019, as receitas de jogo de Macau foram superiores a 294 mil milhões de patacas. “Nestas circunstâncias, o Presidente Xi acredita que esta é uma situação que tem de parar, é necessário um efeito imediato como um sinal de alerta. A economia de Macau ainda é muito dependente à indústria do jogo, não há maneira de mudar este facto a curto prazo. Se o país combater a indústria do jogo de forma violenta, Macau não será capaz de sobreviver, e isto não é um resultado que Xi quer alcançar, mas, pelo menos, Xi Jinping espera que a indústria de jogo em Macau possa ser rapidamente reduzida. De facto, as expectativas do Governo Central sobre Macau e o posicionamento da indústria do jogo da cidade podem ser vistas nas palavras do secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, o Governo espera que as receitas do jogo em Macau se reduzam para o nível de 2007, que é inferior a cem mil milhões de patacas anualmente. Para atingir este objectivo, é necessário fazer do Alvin Chau um exemplo, que é uma das figuras mais icónicas e bem-sucedidas. Foi um sinal que o Governo Central pretende dar para a indústria de jogo”.

      Luiz Lam afirma que o sector de jogo passou de preocupado para desesperado. “O sector estava preocupado, pensava que ainda tinha uma oportunidade de mudar, de se adaptar às novas regras do jogo e de encontrar a sua própria posição, mas após o incidente de Alvin Chau, ficou completamente desesperado”. O vogal da associação enaltece que o desenvolvimento desordenado da indústria do jogo e o seu crescimento desregulado trará certamente más consequências para a sociedade. “É razoável que a indústria seja regulada desta forma adequada”. Recorde-se que o antigo secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, “tinha tentado controlar a taxa de crescimento anual de mesas de jogo para menos de 3%, mas o mecanismo não foi bem implementado e naturalmente não foi capaz de regular eficazmente a indústria caótica. Quando a indústria se expande ao ponto de as leis ou regimes existentes não serem capazes de restaurar o ambiente saudável que existia antes, o Governo tem de empregar uma medida mais dura para o efeito de ameaça, para que o sector perca a vontade e o incentivo para continuar a expandir-se, conseguindo assim o controlo”.

      O elemento de sector resume: “Após a entrada em vigor da nova lei do jogo, é de esperar que o espaço para o desenvolvimento de empresas de jogo seja fortemente restringido. Uma vez que não existem novas fontes de receitas, a única solução é reduzir os custos. É previsível que os trabalhadores dos casinos vão enfrentar inevitavelmente despedimentos em massa e congelamento de salários após a atribuição das novas concessões. O resultado é que os residentes locais ficariam mergulhados num abismo sem fim. Estes são os problemas profundamente enraizados da sociedade. Porém, o que é certo é que as consequências da crise da Suncity são inestimáveis. Este é um acontecimento catastrófico”.

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