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      China diz que críticas sobre empréstimos a África são politicamente motivadas

       

      A China rejeitou a narrativa de que os empréstimos criaram uma crise da dívida nos países africanos e considerou que o objectivo é separar o gigante asiático dos países africanos.

       

      “Os factos e os números mostram completamente que esta acusação é puramente motivada por razões políticas, com a intenção real de criar um fosso nas relações amigáveis e cooperativas entre a China e África”, disse o vice-presidente da Agência para a Cooperação e Desenvolvimento chinesa, Zhou Liujun.

      De acordo com o responsável, a China levou em conta a capacidade de pagamentos dos países africanos e o seu nível de dívida quando ofereceu empréstimos e vai “fortalecer a cooperação e a comunicação com as diferentes partes para ajudar os países africanos a enfrentarem os seus problemas de dívida”.

      A China tem sido muito criticada pelas práticas financeiras que adopta face aos parceiros africanos, particularmente no que diz respeito à confidencialidade dos contratos e muitas vezes relativamente à própria existência de financiamento, que assim não aparece nas contas oficiais divulgadas pelos países africanos.

      De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, vários países africanos, entre os quais o Zimbabué e a Zâmbia, têm tido dificuldades em pagar os empréstimos aos credores chineses devido às consequências económicas da pandemia de covid-19.

       

      Na reunião que decorreu esta semana no Clube de Paris, um grupo de países maioritariamente ocidentais que são credores da dívida de vários países em desenvolvimento, Zhou disse que a China estava envolvida nalgumas das actividades deste clube e que melhorou a comunicação com os seus membros.

      No ano passado, o Clube de Paris juntou forças com o G20, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial para lançar a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI), permitindo aos países devedores canalizarem as receitas para o combate à pandemia em vez de para pagar aos credores internacionais bilaterais oficiais.

      No entanto, o facto de os credores privados terem ficado de fora desta iniciativa, e o Enquadramento Comum para o Pagamento da Dívida para além da DSSI, tem sido muito criticado pelos organismos internacionais, já que uma parte significativa da dívida dos países em desenvolvimento, nomeadamente africanos, é devida a bancos e credores comerciais, e tem de continuar a ser paga sob pena de os ‘ratings’ serem descidos pelas agências de notação financeira, dificultando ainda mais o acesso a financiamento internacional.

      Na semana passada, a organização não-governamental (ONG) Comité para o Jubileu da Dívida lamentou que os países de baixo rendimento tenham tido um alívio de dívida de apenas 10,9 mil milhões de dólares, tendo pago 36,4 mil milhões.

      “Os países de baixo rendimento que aderiram à DSSI gastaram 36,4 mil milhões de dólares [31,2 mil milhões de euros] em pagamentos de dívida externa durante a pandemia, e apenas 10,9 mil milhões de dólares [9,3 mil milhões de euros] foram suspensos ou cancelados”, lê-se numa nota enviada à Lusa no seguimento das reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que decorreram nos últimos dias a partir de Washington.

      “Os credores privados receberam o maior montante destes pagamentos de dívida, 14,9 mil milhões de dólares, e suspenderam apenas 0,2% dos pagamentos”, acrescenta-se na nota. No total, foram 46 os países que aderiram à DSSI, incluindo todos os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), tendo garantido uma suspensão de pagamentos de dívida no valor de 10,3 mil milhões de dólares e mais 600 milhões de dólares de dívida foram cancelados pelos credores.

      “Os credores privados suspenderam apenas 0,2% em pagamentos de dívida e receberam 14,9 mil milhões de dólares durante a pandemia, já que não eram obrigados a participar no processo de suspensão de dívida; as instituições multilaterais receberam 10,4 mil milhões de dólares, apesar de o FMI ter cancelado 600 milhões de dólares, e os governos incluindo China, França e Arábia Saudita suspenderam 10,3 mil milhões de dólares, mas ainda assim receberam 11 mil milhões de dólares”, aponta-se ainda no texto.

      O problema, avisam, é que “estes 10,3 mil milhões de dólares que foram suspensos serão devidos em meados desta década, para além dos pagamentos que já eram devidos nessa altura, o que vai aumentar o volume de pagamentos e agir como uma tesoura sobre qualquer recuperação económica da pandemia”.

       

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      Redacção do Ponto Final Macau

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