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      Viagem de Portugal até Macau em exposição de fotografia no Alentejo  

       

      O fotógrafo Jorge Duarte Estevão está a expor na vila alentejana de Castro Verde 38 fotografias captadas numa viagem de seis meses realizada em 2019 entre Portugal e Macau. A ideia da viagem surgiu no âmbito dos 20 anos da transição de administração do território para a China. O também jornalista, confesso apaixonado por Macau, acalenta dois desejos: expor a mostra na RAEM e, quem sabe, viver cá.

       

      Gonçalo Lobo Pinheiro

       

      No âmbito do programa cultural comemorativo dos 400 Anos da Feira de Castro Verde, o fotógrafo português Jorge Duarte Estevão apresenta a exposição “Fronteiras Fechadas: Na Rota da Seda até Macau”. Uma série de 38 fotografias a preto-e-branco captadas durante uma viagem de seis meses onde o autor percorre cerca de 25 mil quilómetros entre Portugal e a RAEM. “O projecto surge na sequência da viagem efectuada de comboio — de Portugal a Macau, em 2019. A viagem aconteceu porque 2019 foi o ano em que se assinalaram os 20 anos da transição da Região Administrativa Especial de Macau para a China. A viagem, de 25 mil quilómetros, coincidiu assim com esta efeméride”, começou por dizer o autor.

      A mostra fotográfica, de “linhas simples e composições arrojadas”, estará patente até 12 de Novembro no Fórum Municipal de Castro Verde, vila alentejana de onde é natural o autor, e dá a conhecer “o seu olhar pelas inúmeras experiências das rotas que traçou ao longo do tempo”, afirmou o município castrense em nota de imprensa enviada às redacções. “As imagens demonstram a variedade que uma viagem deste tipo proporciona, ainda que não devam ser vistas como um roteiro de viagem, nem sequer sigam um percurso ordenado. São, antes, um convite e inspiração para todos os que desejam também descobrir horizontes longínquos”, explicou Jorge Duarte Estevão ao PONTO FINAL.

      E porquê o uso do preto-e-branco? Jorge Duarte Estevão explica. “São estes sentimentos que tento mostrar nas fotografias, o que levou à escolha do preto e branco. Desta forma, quem observa pode abstrair-se das distrações que a cor provoca e focar-se apenas nos elementos, nas texturas e nas sombras. O preto e branco força-nos a olhar com mais atenção, provoca uma reacção e pode evocar um estado de espírito, seja este de surpresa, admiração ou empatia”, adicionou ainda o fotógrafo alentejano.

      Jorge Duarte Estevão, actualmente a residir no Reino Unido, foi colaborador da Rádio Castrense durante muitos anos, acabando por se formar em jornalismo. O gosto pela fotografia surgiu anos depois, a par das viagens, o que lhe permitiu captar “diferentes e imensas geografias e culturas”, que deu a conhecer no seu website, no blogue “Lugares Incertos” e nas redes sociais. “A ideia não é seguir o trajecto linear da viagem, mas encontrar uma ligação e descobrir as diferenças entre costumes, traços culturais, religião, povos e paisagens. Entre rostos abertos e fechados, da arquitectura contemporânea à tradicional, dos desertos às montanhas”, notou.

      As fotografias são o resultado da sua chegada a Macau depois cruzar 15 países ou regiões entre Portugal e a região administrativa especial da China, onde ficou durante dois meses. O alentejano, ao longo da sua vida, já visitou mais de 50 países onde procura motivo para “contar histórias” sempre, não fosse jornalista de formação. “A exposição fotográfica é, do meu ponto de vista, uma sequência lógica depois de uma aventura deste género. Este é apenas mais um projecto associado a essa travessia. O primeiro desafio para exibir as imagens foi lançado pelo município de Castro Verde — até porque a viagem começou no Alentejo — mas que devido à pandemia foi sendo adiado até 2021. No entanto, este hiato de tempo foi positivo, pois permitiu o afastamento necessário para, friamente, elaborar a selecção final”, referiu.

      Macau, ainda assim, ficou marcado na vida do fotógrafo. Jorge Duarte Estevão confidenciou ao nosso jornal que “já tinha uma paixão especial pela região”, quiçá viver por cá, mas, por enquanto, o seu desejo é expor as imagens no território. “Que se acentuou depois de aí ter passado algumas semanas. Aliás, ainda mantenho a intenção de um dia viver em Macau. Espero também ter o privilégio de, logo que possível, expor estas imagens em Macau. Seria, julgo eu, o final adequado para o projecto”, explicou ao nosso jornal.

      A exposição pode ser visitada de segunda-feira a sexta-feira, das 9h às 19h, e ao sábado e domingo, das 14h às 19h (horas locais).

       

      PONTO FINAL