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      Crise na Evergrande é negativa, mas tem efeito circunscrito no Brasil, diz analista

      O analista Lívio Ribeiro, considera, em declarações à Lusa, que a crise da gigante chinesa Evergrante, que enfrenta graves problemas financeiros, tem efeitos negativos no Brasil, mas tenderá a causar problemas circunscritos ao segmento de exploração mineira.

      “Há sim para o Brasil um efeito que é negativo, num cenário mais provável ele é negativo, mas é relativamente circunscrito a um segmento que é o segmento de mineração”, afirmou Lívio Ribeiro, analista associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

      O especialista identificou dois cenários futuros para os efeitos no Brasil dos problemas causados pela crise na Evergrande, que tem uma dívida estimada em cerca de 300 mil milhões de dólares, com várias dificuldades em honrar os compromissos.

      Segundo Lívio Ribeiro, no primeiro e mais provável cenário, haverá “alguma desorganização do mercado [imobiliário na China] no curto prazo ou uma consolidação deste mercado e uma natural demanda mais baixa por, principalmente, minério de ferro” facto que pode provocar uma queda no preço da matéria-prima, exportada pelas empresas brasileiras à China.

      Já no segundo cenário, classificado pelo analista como menos provável, a crise da Evergrande acarretará um choque mais profundo capaz de desorganizar e desacelerar a economia chinesa que tem o setor imobiliário como um motor essencial​ de crescimento (contribui com cerca de um quarto do Produto Interno Bruto chinês), e desempenhou um papel determinante na recuperação depois da pandemia. “Neste segundo cenário, o [preço do] minério de ferro também sofre, mas os impactos sobre a economia brasileira e economia global serão mais severos”, avaliou Ribeiro.

      Porém, como o sector de minério de ferro não é muito grande no Brasil, ou seja, não tem um peso tão relevante no resultado final do PIB nem no mercado laboral do país sul-americano, Lívio Ribeiro defende que a crise provocada pela empresa chinesa afetará o sector de mineração e exportadoras brasileiras de minérios de ferro como a Vale.

      O especialista lembrou, porém, que como a Evegrande é uma empresa muito grande, geradora de excedente comercial e de receita tributária no Brasil, não é possível descartar a hipótese de que sua bancarrota provoque no Brasil “ondas de choque que se espalham através do mercado financeiro, através do mercado cambial porque as exportações serão mais baixas e isto acaba refletindo na economia como um todo, como um choque negativo.”

      “O efeito primário direito é grande no setor [de mineração], grande na empresa [mineradora brasileira Vale], mas não é muito grande na economia do Brasil. A questão [o problema] são os choques secundários, as reverberações que [estes choques] podem ter na taxa de câmbio, na balança comercial, na arrecadação tributária e de que forma eles balançam o frágil equilíbrio económico”, concluiu Ribeiro.

      Com sede em Shenzhen, no sul da China, a Evergrande é a construtora mais endividada do mundo e assegura estar presente em mais de 280 cidades, empregar 200 mil pessoas e gerar indiretamente 3,8 milhões de empregos. A empresa cresceu graças ao fácil acesso a crédito na China e à especulação imobiliária.

      Em 2020, porém, o Governo chinês tomou medidas severas dirigidas aos promotores imobiliários, para os obrigar a reduzir o endividamento. Agora, é-lhes interdito pré-vender bens imobiliários antes que a construção esteja terminada, um sistema que representava uma parte importante do modelo económico da Evergrande.

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      Redacção do Ponto Final Macau