As máscaras usadas em Macau não vão ser recicladas, indicou a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), em resposta a uma interpelação escrita de José Pereira Coutinho, que se mostrava preocupado com as emissões de gases poluentes provocadas pela incineração das máscaras usadas.
Na interpelação, datada de 6 de Agosto, o deputado afirmou que o Governo “não tem uma solução apropriada para o tratamento de grande quantidade” de artigos médicos. Coutinho lembrou que as matérias-primas para a produção de máscaras são principalmente o polipropileno, fitas elásticas e metal. A decomposição deste tipo de material demora, no mínimo, 450 anos, apontou o deputado reeleito nas últimas legislativas.
Pereira Coutinho também notou que, actualmente, as máscaras descartáveis são tratadas pelas autoridades de Macau através da incineração e de aterro, “poluindo solos, rios, oceanos, afectando o ecossistema animal e causando prejuízos irreversíveis e a longo prazo para toda a esfera ecológica da Terra”.
Por isso, o deputado diz que, face ao aumento do número de máscaras descartadas, o Governo deve tomar como referência as soluções de outros países no que toca ao tratamento, reciclagem e reutilização de máscaras usadas por não infectados, “reduzindo-se assim as emissões de gases poluentes desnecessárias”.
À sugestão, a DSPA respondeu apenas que, “tendo em consideração os problemas de higiene e de segurança, não foi planeada a reciclagem de máscaras usadas”. O organismo explica ainda que as máscaras usadas são incineradas na Central de Incineração de Resíduos Sólidos de Macau. De acordo com a DSPA, a temperatura da incineração é mantida acima dos 850 graus celsius, “o que é suficiente para matar o vírus”.
Na interpelação, Coutinho indicou também que o Governo devia aplicar às máscaras o mesmo método de tratamento que aplica às máscaras usadas nas instalações médicas, “instalando caixotes específicos na comunidade e nos edifícios, para facilitar a recolha das máscaras descartadas e prevenir o seu abandono arbitrário, para não se afectar a higiene ambiental”.
A DSPA disse que os Serviços de Saúde já têm orientações para o uso e remoção da máscara para residentes em geral e que, além disso, “as instituições médicas públicas têm cumprido as orientações definidas para o tratamento de máscaras e outros resíduos médicos, as quais incluem os procedimentos relativos à classificação, transporte e abandono dos mesmos, de forma a garantir a segurança da comunidade”.
Recorde-se que, segundo os dados revelados na semana passada pelos Serviços de Saúde, até hoje já foram vendidas, no total, 219 milhões de máscaras em Macau.











