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      Ron Lam já esperava eleição, Coutinho teve “vitória saborosa” e Agnes Lam vai “pensar no futuro”

      Nas eleições de domingo, José Pereira Coutinho e Ron Lam foram dois dos principais vencedores. O primeiro conseguiu com que a sua lista garantisse mais um assento na Assembleia Legislativa (AL) e o segundo conseguiu pela primeira vez lugar no hemiciclo. Ao PONTO FINAL, mostraram-se satisfeitos pelos resultados da noite de domingo, sendo que Ron Lam indicou que a sua eleição “está apenas de acordo com as nossas expectativas”. Agnes Lam foi uma das derrotadas da noite e revelou-se “desiludida”.

      Fotografia: Gonçalo Lobo Pinheiro

       

      Naquelas que foram as eleições menos concorridas da história da RAEM, Coutinho e Ron Lam saíram vencedores. Coutinho, cabeça de lista da Nova Esperança, conseguiu a reeleição e, além disso, conseguiu com que o seu número dois, Che Sai Wang, também garantisse um lugar na AL. A lista conseguiu 13,81% dos votos.

      Ao PONTO FINAL, o deputado que está desde 2005 na Assembleia Legislativa (AL) disse que esta foi “uma vitória saborosa” e aproveitou para agradecer à comunidade portuguesa e macaense pelos votos. Questionado sobre se teria beneficiado de alguns dos votos dos eleitores das listas desqualificadas, Coutinho admitiu que sim: “Uma parte. Não muito, mas provavelmente alguma”.

      Segundo Coutinho, nada muda na estratégia no hemiciclo, mesmo tendo ao seu lado Che Sai Wang. “Nós vamos seguir à risca o programa eleitoral”, frisou, recordando que a lista se vai bater por temas como a habitação, a abertura das portas das reuniões das comissões permanentes da AL e a obrigatoriedade de os deputados declararem as situações de conflitos de interesses.

      Olhando para a nova composição da AL, Pereira Coutinho diz continuar disponível para fazer parcerias com outros parlamentares, porém, “a maioria tem conflitos de interesses” e, por isso, “não querem transparência”, ressalvou. “Nós sempre estivemos abertos [à possibilidade de fazer parcerias], mas eles não vão à bola connosco”, afirmou Coutinho.

      Outro dos vencedores da noite foi Ron Lam, o cabeça de lista do Poder da Sinergia, que, com 6,64%, conseguiu um assento no hemiciclo. Ron Lam já tinha tentado um lugar nas eleições de 2017, mas sem sucesso. Por isso, Ron Lam não vê a sua eleição como uma grande surpresa: “Com base nos votos obtidos na última sessão e nos resultados do trabalho comunitário nos últimos quatro anos, estivemos sempre confiantes de que íamos conseguir lugares”. “Não é uma grande vitória, está apenas de acordo com as nossas expectativas”, assinalou.

      O assistente social disse não acreditar que a maioria dos seus votos tenha vindo por parte dos eleitores das listas desqualificadas. “Os nossos votos provêm principalmente de eleitores que concordam com o nosso trabalho e filosofia”, referiu.

      Por fim, Ron Lam disse esperar poder fiscalizar o Governo nos próximos quatro anos e trabalhar em conjunto com deputados de outros sectores para “provocar mudanças visíveis” em Macau. O seu lugar na AL vai servir também “como ponte entre todos os sectores da sociedade e o Governo”, garantiu.

      Agnes Lam, por outro lado, foi a derrotada da noite. Depois de quatro anos na AL, a professora universitária obteve apenas 2,82% dos votos e não conseguiu a reeleição. Ao PONTO FINAL explicou que não esperava que isso pudesse acontecer, no entanto, durante a tarde, os números históricos da taxa de abstenção deixaram-na apreensiva: “Quando vi que a taxa de abstenção ia ser alta percebi logo que isso não ia ser bom para nós”.

      A cabeça de lista do Observatório Cívico disse estar “desiludida” com o resultado e apontou para a abstenção como o maior factor. No entanto, há outros, no entender da candidata: “Alguns não gostaram do meu desempenho na AL, outras viram várias falsas acusações contra mim na internet e eu não tive a capacidade de estar sempre a explicar a verdade”.

      Segundo Agnes Lam, os seus eleitores também estavam com confiança a mais na sua reeleição e por isso a maioria nem se deslocou às urnas para votar. “Até recebi mensagens hoje de manhã a pedir desculpa por não terem ido votar”, confessou. O que se segue agora para Agnes Lam? “Agora tenho de pensar no futuro”, disse apenas.