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      Os agudos, as personagens e a morte trágica de Enrico Caruso, “o tenor dos tenores”

      O centenário da morte de Enrico Caruso está na base da sessão “Efemérides na Ópera” que vai acontecer hoje na Fundação Rui Cunha, pelas 18h30. Shee Va estará a cargo da sessão e vai falar sobre a carreira, a voz, as personagens e a morte trágica daquele que considera ser “o tenor dos tenores”.

      Acontece hoje, pelas 18h30, na Fundação Rui Cunha, mais uma sessão do ciclo “Efemérides na Ópera”. Desta vez, o protagonista é o tenor italiano Enrico Caruso, que morreu há 100 anos. Shee Va fará as honras da casa e, ao PONTO FINAL, descreveu: “É considerado o tenor dos tenores. Diz-se que é a melhor voz de tenor que apareceu até hoje”.

      Que características tinha Caruso para ser, então, “o tenor dos tenores”? “Uma voz muito forte, com uns agudos muito sonoros e também temperado com uma voz muito doce quando era necessário”, explicou Shee Va, acrescentando que Caruso foi também um dos percussores do teatro lírico na interpretação teatral das suas personagens.

      No entanto, o início da carreira não foi fácil. Caruso começou a cantar por insistência da mãe, mas a voz fina fez com que o seu primeiro professor de canto se recusasse a dar-lhe aulas. Na altura, a voz de Caruso era descrita como “uma brisa soprando por entre as persianas”.

      No entanto, a família insistiu que Caruso deveria aprender a cantar, tendo-se estreado numa ópera aos 21 anos de idade. Antes disso, esteve na tropa, tendo depois sido substituído pelo seu irmão devido ao canto. Uma das versões da história diz que o sargento de Caruso gostava tanto de o ouvir cantar que achou que ele deveria estar a aprender canto e não na tropa, por isso, mandou-o de volta para casa, para que ele pudesse aperfeiçoar a voz. Outra versão da história diz que o sargento não gostava de o ouvir, por isso é que o mandou embora.

      Apesar de ter nascido em Nápoles, em 1873, Caruso nunca conseguiu convencer os napolitanos. Por isso prometeu que nunca mais iria cantar na sua cidade. No estrangeiro, a sua carreira dispara. Passa por Lisboa, São Petersburgo, Egipto, Cuba, Argentina. Em 1903 vai para os Estados Unidos e é lá que se estabelece ao longo de 17 anos, a cantar no Metropolitan de Nova Iorque, com várias récitas e várias personagens.

      Porém, aos 48 anos, morre de forma inesperada. Caruso apresentava, na altura, a ópera “Sansão e Dalila” no Metropolitan de Nova Iorque, quando o cenário cai, deixando-o ferido. Caruso até acabou a récita mas, dias mais tarde, percebeu que tinha uma pleuresia e teve de ser operado no seu quarto de hotel. Meses depois foi dado como recuperado e, por isso, decidiu ir de barco a Nápoles. Já na comuna de Sorrento, Caruso tem uma recaída e acaba por morrer em Itália. “No funeral dele, Nápoles inteira apareceu”, contou Shee Va.