O casal que ficou infectado com Covid-19 revelou ontem mais dois locais por onde passaram. Segundo o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, no dia 31 de Julho os dois pacientes estiveram, entre as 13h20 e as 13h35, na CTM da Avenida do Lam Mau, no edifício The Praia, e entre as 13h45 e as 14h14 na Hutchinson, perto da Estrada de Coelho do Amaral. Quem esteve nesses locais durante os mesmos períodos de tempo deve contactar as autoridades.
Na quarta-feira, o casal já tinha revelado que, no dia 27 à tarde tinham estado na sucursal do edifício Landmark do banco ICBC e no dia 29 estiveram, de manhã, no edifício da Administração Pública e, da parte da tarde, no edifício da Associação Geral das Mulheres de Macau.
O facto de o casal estar a lembrar-se do seu percurso a conta-gotas esteve no centro da conferência de imprensa de ontem do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. Leong Iek Hou, coordenadora do Centro de Prevenção e Controlo da Doença, indicou que a família se recordou dos sítios por onde passou depois de um interrogatório levado a cabo por agentes da Polícia Judiciária (PJ): “Os dois pacientes não tinham a certeza das deslocações feitas ao longo dos dias e, por isso, pedimos a colaboração dos agentes da PJ para um interrogatório e daí conseguimos recolher informações sobre o novo percurso”.
As autoridades de saúde foram questionados sobre se acreditavam que o casal estava a esconder informação deliberadamente. Leong Iek Hou respondeu que o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus está a analisar se foi propositado ou não.
Ma Chio Hong, representante do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), adiantou que uma das ferramentas de que as autoridades policiais dispõem para rastrear o percurso dos infectados é o sistema de videovigilância “Olhos no Céu”. “Temos esses regime jurídico por isso o ‘Olhos no Céu’ pode ser usado para protecção e salvaguarda da segurança e da vida das pessoas”, afirmou, acrescentando que a polícia usa “todos os instrumentos e meios legais para rastreamento” dos infectados. “Vamos usar todos os meios possíveis, viáveis e legais para acompanhar percurso dos infectados”, reiterou.
TESTES E QUARENTENAS DE DOIS DIAS PARA QUEM SE CRUSOU COM OS INFECTADOS
As autoridades de saúde divulgaram ontem os procedimentos relativamente a quem esteve nos locais por onde passaram os infectados. Quem esteve, no dia 27 de Julho, no Edifício Landmark, incluindo funcionários e clientes, vai ser submetido a dois testes de ácido nucleico nos próximos três dias.
Por outro lado, o pessoal da recepção do ICBC que atendeu o casal no dia 29 será sujeito a observação médica num hotel designado durante apenas dois dias, sendo obrigados a fazer dois testes de ácido nucleico. Além disso, quem esteve no mesmo elevador que o doente no Edifício da Associação Geral das Mulheres de Macau deve também ser submetido a observação médica num hotel designado durante dois dias, tendo de fazer dois testes em três dias.
Por fim, quem exerceu, no dia 29, funções no 3.º andar do Edifício Administração Pública, bem como os seguranças que estiveram no átrio, também terão de ficar em observação por dois dias num hotel designado.
Porquê só duas noites para estes casos? Porque os infectados cruzaram-se com aquelas pessoas no dia 29, já tendo passado 14 dias. Além disso já participaram no teste em massa e o seu resultado foi negativo, explicou Leong Iek Hou.
O Edifício da Administração Pública fechou durante dois dias para que as autoridades de saúde fizessem os trabalhos de desinfecção, sendo que volta a abrir na próxima segunda-feira.
SISTEMA DE RASTREAMENTO NO CÓDIGO DE SAÚDE É UMA HIPÓTESE
Na conferência de imprensa de ontem, as autoridades levantaram a possibilidade de incluir no Código de Saúde um sistema de rastreamento de cada cidadão. No entanto, referiu que é preciso cautela, uma vez que “se houver falhas isso vai afectar a vida quotidiana”. Além disso, Leong Iek Hou explicou que, caso o Código de Saúde venha a ter essa função, as autoridades não vão saber automaticamente o percurso de cada pessoa, só se houver “algum incidente”.
A responsável afirmou que este caso, em que o casal não se lembra dos sítios por onde passou, serve para “retirar uma lição”: “Recordar os percursos dos últimos dias, porque às vezes há coisas miudinhas que nos podemos esquecer”. “Esses detalhes são fundamentais”, referiu.
Ontem surgiu também a notícia de que um funcionário da Universidade de Macau (UM) se cruzou com um dos pacientes. A instituição emitiu de imediato um comunicado a dizer que, na terça-feira, o trabalhador “foi imediatamente ao local de testes em Pac On para um teste de ácido nucleico, cujo resultado foi negativo”. Na quarta-feira fez outro teste que também deu negativo.
CHEGARAM 200 MIL DOSES DE SINOPHARM
Na conferência de imprensa de ontem, as autoridades de saúde fizeram a actualização dos números da vacinação. No total, até à tarde de ontem, tinham sido administradas 543.272 doses de vacinas contra a Covid-19 a 299.677 pessoas, sendo que 54.277 só tem ainda a primeira dose. A taxa de vacinação ainda não chega aos 45%. Os responsáveis detalharam que, entre os funcionários públicos, a taxa de vacinação é de 40%.
Tai Wa Hou voltou a apelar à vacinação e adiantou que já chegaram mais 200 mil doses da vacina Sinopharm. O coordenador do plano de vacinação frisou que há vacinas suficientes para todos os cidadãos de Macau. O responsável disse também que está a ser preparado um programa de proximidade de vacinação para as escolas a partir de Setembro.
As autoridades continuam sem excluir a possibilidade de vir a ser lançado um segundo teste em massa para toda a população. No entanto, se não surgir um caso positivo de Covid-19 entre as pessoas que tiveram contacto com a família infectada, não se farão mais testes em massa, reiterou Tai Wa Hou. O responsável garantiu que, se forem necessários mais testes em massa, o processo vai correr “muito melhor”.
O Centro de Contingência para o novo tipo de Coronavírus referiram também que são precisos voluntários para levar a cabo uma eventual segunda ronda de testes em massa. Os Serviços de Saúde pediram a colaboração de trabalhadores da área da saúde de instituições privadas.
Há ainda cerca de 2.000 pessoas que não fizeram o teste e com as quais as autoridades não conseguem contactar. Tai Wa Hou disse que a hipótese mais forte é que estas pessoas já não estejam em Macau. Nos últimos dias também tinha sido noticiado que havia um residente que se tinha recusado a fazer o teste, no entanto, na conferência de imprensa de ontem, as autoridades anunciaram que o homem já concordou, não tendo assim de ficar sujeito a quarentena de 14 dias.











