Trump quer que Xi ajude a desbloquear negociações entre Rússia e Ucrânia

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O Presidente norte-americano, Donald Trump, terá pedido pessoalmente ao homólogo chinês, Xi Jinping, que utilize a influência de Pequim sobre Moscovo para pôr fim à guerra na Ucrânia, segundo fontes citadas pelo jornal South China Morning Post.

 

De acordo com pessoas familiarizadas com as conversações realizadas durante a cimeira entre os dois líderes, em maio, em Pequim, Trump transmitiu a Xi que as negociações entre Rússia e Ucrânia encontram-se bloqueadas e apelou à China para convencer o Presidente russo, Vladimir Putin, a regressar à mesa de negociações com o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, escreveu o jornal de Hong Kong.

O pedido reflete a necessidade de Washington envolver Pequim nos esforços para resolver um conflito que entrou no quinto ano e que Trump colocou no centro da sua agenda de política externa desde o regresso à Casa Branca.

A guerra foi um dos temas abordados durante a cimeira, embora o comércio e o investimento tenham dominado as conversações. Segundo as mesmas fontes, questões como Taiwan e o Irão tiveram também maior destaque do que a Ucrânia nas discussões entre os dois líderes.

Trump confirmou publicamente que o conflito foi abordado durante os encontros, mas limitou-se a afirmar que se trata de um tema que os Estados Unidos gostariam de ver resolvido. A ficha informativa divulgada pela Casa Branca após a cimeira não fez qualquer referência à guerra, enquanto o comunicado chinês apenas indicou que Xi e Trump trocaram opiniões sobre a crise na Ucrânia e outros assuntos internacionais.

Pequim aprofundou as relações com Moscovo desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022, tornando-se um importante apoio económico e diplomático para a Rússia.

A China nunca condenou publicamente a invasão e tem rejeitado as acusações ocidentais de que ajuda a sustentar o esforço de guerra russo através do fornecimento de bens de dupla utilização, insistindo que controla rigorosamente as exportações e que o comércio com Moscovo decorre dentro da normalidade.

Dias após a partida de Trump de Pequim, Xi recebeu Vladimir Putin na capital chinesa. Na ocasião, os dois países assinaram uma declaração conjunta na qual a Rússia manifestou apoio ao desejo da China de desempenhar um “papel construtivo” na resolução da crise ucraniana por vias políticas e diplomáticas.

As fontes indicaram ainda que as exportações chinesas de terras raras também estiveram em destaque durante a cimeira. Washington continua insatisfeito com os controlos impostos por Pequim à exportação destes minerais estratégicos, fundamentais para a produção de semicondutores e sistemas de defesa.

Segundo as mesmas fontes, são esperadas novas negociações entre o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.

A China impôs no ano passado amplas restrições à exportação de terras raras, suspendendo posteriormente parte dessas medidas no âmbito da trégua comercial alcançada por Trump e Xi durante a reunião realizada em outubro, em Busan, na Coreia do Sul. De acordo com um documento divulgado pela Casa Branca em Maio, Pequim comprometeu-se a responder às preocupações dos Estados Unidos relacionadas com falhas nas cadeias de abastecimento de terras raras e outros minerais críticos.

 

Rubio nega que relação com Taiwan tenha mudado após visita de Trump à China

 

O secretário de Estado norte-americano negou que a política em relação a Taiwan tenha mudado após a visita do Presidente dos EUA à China e sublinhou que a administração autorizou uma “venda massiva” de armamento à ilha. “O mais importante a compreender é que queremos que se preserve o ‘status quo’, tal como existe neste momento. Essa é a nossa política, foi isso que dissemos e é isso que continuamos a dizer. É uma relação muito delicada que requer um equilíbrio cuidadoso, mas a nossa política em relação a Taiwan não está a mudar. Não mudou durante essa viagem”, disse Rubio perante o Senado norte-americano.

Após se ter reunido em Maio, em Pequim, com o Presidente chinês, Xi Jinping, Donald Trump recusou-se a confirmar se autorizará a aprovação da venda de um novo pacote de armas pendente para Taiwan, avaliado em cerca de 14 mil milhões de dólares, que seria o maior da história.

Rubio afirmou que essa venda continua em análise, mas recordou que, em dezembro passado, a administração Trump aprovou uma venda de armas a Taiwan no valor de 11 mil milhões de dólares. Segundo o secretário de Estado, o montante dessa venda ultrapassa o total das vendas realizadas durante a administração de Joe Biden (2021-2025) e provocou uma reação agressiva por parte da China.

O líder taiwanês, William Lai, insistiu que a venda de armas dos Estados Unidos à ilha é necessária para manter a paz e a estabilidade. Donald Trump afirmou que reservava a sua resposta relativamente ao seguimento das entregas pretendidas por Taipé, afirmando após a sua visita que se tratava de “um trunfo de negociação muito bom” face a Pequim. “Penso que é evidente que a parte chinesa gostaria de ver uma mudança, mas não se verificou qualquer alteração a este respeito”, acrescentou Rubio. O secretário interino da Marinha norte-americana, Hung Cao, tinha afirmado no mês passado que as vendas de armas a Taiwan tinham sido suspensas. Lusa