No ano passado verificou-se uma diminuição de 10,8% no número de toxicodependentes no sistema de registo central do Instituto de Acção Social, passando de 148 para 132 pessoas. Houve também menos adolescentes consumidores de droga, refere o IAS. O ice continua a liderar a droga mais consumida, enquanto a cocaína apresenta uma tendência de declínio. O organismo alerta também para a persistência do consumo “oculto” de droga.
O número de toxicodependentes no sistema de registo central do Instituto de Acção Social (IAS) desceu no ano passado de 148 para 132 pessoas, o que representa uma redução de 10,8% em termos anuais.
As estatísticas divulgadas pelo IAS destacam a diminuição significativa do número de toxicodependentes jovens com menos de 21 anos, tendo sido contabilizados dois adolescentes no ano passado, em contraste com os sete registados no ano anterior. A percentagem global de jovens entre os consumidores de droga registados fixou-se em 1,5%, em vez dos 4,7% de 2024, sendo esta também a percentagem mais baixa dos últimos cinco anos.
De acordo com o IAS, dos registados no sistema, o mais jovem tinha 19 anos e a idade média foi de 42,9 anos, representando uma tendência ascendente na última década. Os dados mostram que 85,6% tinham mais de 30 anos e o grupo etário com idade igual ou superior a 40 anos representou 53% do total. A maioria dos novos toxicodependentes identificados é residente e chinês, sendo a única pessoa que consome droga na sua família, segundo o relatório.
A droga mais consumida continua a ser a metanfetamina, ou seja, o ice, que correspondeu a 25% dos toxicodependentes, seguida pela heroína (8,3%), canabis (6,9%), ketamina (4,2%) e cocaína (2,1%).
O IAS explicou que a percentagem foi calculada tendo por base tipos de drogas consumidas de forma abusiva nos últimos três meses por parte dos toxicodependentes. Acrescentou ainda que o etomidato, vulgarmente conhecido como “petróleo espacial”, foi consumido por 2,8% dos toxicodependentes. O consumo de ecstasy foi de 0,7%.
Neste aspecto, os dados revelam que os consumidores de heroína tendem a ser mais velhos, com uma idade média de 51,3 anos, enquanto a idade média dos consumidores do ice é de 42,1 anos.
A maioria consome apenas uma substância, representando 92,4%, enquanto 6,1% consomem duas substâncias simultaneamente. Além disso, o abuso de álcool representou 42,4%.
Registou-se também aumento dos desempregados entre os toxicodependentes registados, com o número a subir de 31,1% para 40,2% no ano passado.
No que diz respeito às despesas para o consumo de droga, o documento do IAS avança que cada consumidor gasta em estupefacientes, em média, 2.742,3 patacas por mês, um valor mais elevado do que as 2.500,6 patacas registadas no mesmo período do ano passado.
A percentagem mais elevada corresponde a valores inferiores a 1.000 patacas (38,7%), seguida de valores entre 1.000 e 1.999 patacas (18,0%), valores entre 2.000 e 2.999 patacas (14,4%), e entre 3.000 e 3.999 patacas, com 13,5%. Neste caso, a mediana das despesas mensais dos consumidores de droga com o consumo é de 1.200 patacas.
“REDUZIR O STRESS”
Quanto às razões que os levaram ao consumo de droga, 44,7% disseram ter recorrido a estas substâncias para “reduzir o stress/angústia/frustração/melancolia”, percentagem que aumentou ligeiramente em relação ao ano anterior de 43,2%. Ao mesmo tempo, a “influência dos amigos” foi motivo para 16,6% dos toxicodependentes. Outras causas, como a “curiosidade” e “má relações com a família”, foram constatadas em 4% e 4,5% dos casos, respectivamente.
O IAS verificou que os locais de consumo de droga continuam a ser principalmente no território. Mais de 76% das pessoas escolheram consumir os estupefacientes em Macau, quase 13% foram a Hong Kong e 7,4% consumiram a droga no interior da China. “A proporção de abuso de drogas ‘oculto’ continua a aumentar” e “cerca de 75% das pessoas consomem droga em locais mais discretos, como a sua própria casa, a casa de amigos e hotéis”, alertou o IAS no documento.
Mais concretamente, os lugares de consumo mais frequentes foram em casa (57,1%), em casa de amigos (17,1%), em parques/esquinas de ruas/casas de banho públicas (7,6%), em hotéis (6,5%) e em discotecas/salas de karaoke (4,1%).
As autoridades, além disso, realizaram uma análise particular sobre a situação de consumo de droga relativa aos jovens. Ambos os casos comunicados são do sexo masculino e a idade média do primeiro consumo foi de 17,5 anos.
O consumo de canábis e do etomidato representou, cada um, 50,0% dos casos juvenis. Todos disseram que consumiram a droga em casa para “reduzir o stress/angústia/frustração/melancolia”.
CONSUMO MAIS “OCULTO”
“Nos últimos anos, o número total de casos [registados no sistema] tem vindo a diminuir de forma contínua, com o consumo de drogas a tornar-se mais oculto”, salientou. O IAS revelou que, para reflectir de forma mais fiel a realidade actual do consumo de droga, foi iniciado em 2024 um trabalho de revisão e optimização do Sistema Central de Registo dos Toxicodependentes de Macau, através da colaboração com uma entidade de investigação terceira para realizar visitas às unidades de notificação, bem como uma análise e revisão abrangentes.
O Sistema Central de Registo, que funciona por meio de sistema de preenchimento eletrónico, foi lançado pelo IAS em 2009, com objectivo de poder “recolher, compilar e analisar as características e a evolução da população de consumidores de droga em Macau, no respeito pela privacidade individual, com vista a facilitar a elaboração de políticas e serviços relacionados com a luta contra a droga”, afirmou.
Existem actualmente 28 departamentos governamentais e associações que auxiliam o registo de dados para o sistema, incluindo oito serviços e entidades governamentais e 20 associações de serviços comunitários.
Segundo o IAS, dos 132 novos casos de toxicodependentes, 56 (31,3%) foram comunicados pela associação Confraternidade Crista Vida Nova de Macau -We Point; 34 casos (19%) notificados pelo Estabelecimento Prisional de Coloane; 25 casos (14%) do Serviço Extensivo ao Exterior da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) e 15 casos (8,4%) pela ARTM Centro de Serviços Integrados de Ká Hó. Relativamente ao IAS, a sua Divisão de Tratamento da Toxicodependência e Reabilitação recebeu no ano passado 23 casos.











