O número de pessoas que pediram ajuda por vício de jogo recuou no ano passado, depois de o registo ter marcado um recorde histórico em 2025. No ano transacto, Macau registou 168 casos, uma quebra de 19,2% em termos anuais. Metade dos casos vieram de não-residentes, e os pedidos de ajuda entre homens foram quatro vezes superiores aos de mulheres. Segundo o Instituto de Acção Social, quase 70% admitiram ter dívidas, com mais de 60% com dívidas de 100 mil patacas ou mais.
A dependência do jogo levou no ano passado 168 pessoas a procurarem ajuda junto do Instituto de Acção Social (IAS) e de outras entidades de serviços comunitários. O número representou uma diminuição de 19,2% em relação ao ano anterior, altura em que se registaram 208 casos, o número mais alto desde que há registos em Macau.
O IAS divulgou recentemente o Sistema de Registo Central dos Indivíduos afectados pelo Distúrbio do Vício do Jogo de 2025. As estatísticas actualizadas apontam que, apesar de o distúrbio de grau moderado continuar a liderar nos casos de pedido de ajuda, verificou-se uma descida dos casos classificados de grau moderado ou grave, que passaram de 47% para 45% do total, e de 34% para 32%, respectivamente. Já os casos de jogo problemático de nível ligeiro subiram de 13% para 15%.
O organismo recorreu ao instrumento de medição DSM-5 para a avaliação do grau de gravidade dos casos, mas nem todos chegaram a ser avaliados.
O relatório mostra que o motivo mais frequentemente citado para as apostas entre os jogadores com problemas de vício de jogo foi a “resolução de dificuldades financeiras”. Em comparação com o ano anterior, neste período de análise houve mais pessoas, de 24% para 30%, a estarem confiantes de que conseguiriam dinheiro através das apostas.
A situação reflecte um “equívoco generalizado de que o jogo poderia aliviar os problemas financeiros”, salientou o IAS. Os jogadores apontaram ainda ao “entretenimento” (18%), “desanuviar” (16%), “em busca de emoções fortes” (14%), “matar tempo” (10%) e “actividades de socialização” (3%), como razões para apostar.
Entre os vários tipos de actividades de jogo, os mais frequentemente envolvidos nos pedidos de ajuda foram o “Bacará”, categoria que registou um crescimento anual de participação de seis pontos percentuais e que estava presente em 55% dos casos, excedendo o total acumulado de todos os outros tipos de jogo. Os outros tipos de jogo envolvidos compreendem as apostas no futebol ou basquetebol (8%), o “Sic Po Cussec” (6%) e as máquinas de póquer ou Mocha (5%).
Além disso, o número de jogadores com dívidas diminuiu, mas mantém-se ainda elevado. Quase 70% das pessoas que procuram ajuda admitiram ter dívidas, sendo que mais de 60% tinham dívidas que ascendem a 100 mil patacas ou mais. Entre estes, 11% estavam com dívidas com valor igual ou superior a dois milhões de patacas.
A análise do IAS diz que os indivíduos com adição ao jogo têm competências de gestão financeira “relativamente fracas”, e que a maioria só procura ajuda quando já está endividada. Segundo os dados do organismo, quase metade dos casos afirmaram não ter conhecimento do montante mensal gasto em jogos de azar. De resto, 16% disseram que gastam entre 5.000 e 10.000 por mês nas apostas, seguido por 14% que usam um montante mensal de 10 mil a 50 mil. Existiam 7% dos casos registados que desembolsaram, por mês, 100 mil patacas ou mais nas apostas.
MAIS NÃO-RESIDENTES E MENOS JOVENS
Por outro lado, o perfil das pessoas com dependência de jogo continua a mudar, com a proporção de solicitadores de ajuda não-residente a aumentar, atingindo 50% dos casos reportados. Esta percentagem marcou um recorde histórico desde que há dados no IAS sobre a dependência do jogo desde 2011.
As estatísticas revelam que, dos 168 casos, a grande maioria (80%) continuou a ser jogadores do sexo masculino, enquanto 20% eram mulheres, sendo que a diferença entre as partes foi aproximadamente de quatro vezes.
Já a faixa etária mais representativa entre os casos era a dos 30 aos 39 anos (24%). Os jovens que solicitaram ajuda ao IAS e às entidades relevantes reduziram significativamente, com uma quebra de seis pontos percentuais entre jovens com idade de 18 a 29 anos, bem como de um ponto percentual no grupo etário de 18 anos ou inferior.
O IAS lembrou que, em resposta à expansão dos serviços, as instituições de assistência social introduziram progressivamente serviços de aconselhamento online nos últimos anos, o que pode não permitir identificar o sexo nem a idade dos utilizadores de serviços.
Houve também mais jogadores viciados que são casados (42%) e que possuem qualificação académica de nível de licenciatura ou superior (26%).
Em relação à situação de emprego, a maioria dos casos envolvia indivíduos empregados, com aproximadamente 10% a declarar-se desempregada. É de notar que os jogadores trabalhadores viram um acréscimo de quase nove pontos percentuais, ao mesmo tempo que os jogadores estudantes, domésticas ou aposentados caíram quase sete pontos percentuais.
Cerca de 20% dos casos exigiam trabalho por turnos. Após excluir aqueles que declararam desemprego, aproximadamente 9% dos casos estavam envolvidos em ocupações relacionadas com a indústria do jogo.
O documento avança ainda a subida de percentagem dos croupiers e trabalhadores na área de jogo nos casos de distúrbios de vício de jogo no ano passado. Um total de 3% das pessoas que pediram ajuda foram croupier e 6% proveniente de trabalhadores relacionados com o sector de jogos de fortuna ou azar.
Os condutores representavam 8% dos casos de adição de jogo, 5% eram empresários e 6% estavam aposentados. O sistema de registo central constatou ainda que quase 5% dos casos eram apresentados por funcionários da Administração Pública, número que disparou nos últimos anos de 0,67% em 2023, para 1,65% em 2024 e 4,67% no ano passado.











