Em Macau, conhecem-no por ser futebolista, mas em Portugal, além de jogador no Anadia Futebol Clube, o macaense David Kong é proprietário da Just4buddies, uma creche e hotel canino, em São Domingos de Rana.
Mel! Lord! Bala! Ouvem-se os nomes, quase em sobreposição, enquanto se tentam tirar algumas fotografias. O objectivo é tentar acalmar os ânimos, enquanto alguns cães saltam de um lado para o outro, correm à volta da bola ou investigam, curiosos, a câmara fotográfica. Para os funcionários da Just4buddies, uma creche e hotel para cães, em São Domingos de Rana, este é um dia normal de trabalho, conforme conta ao PONTO FINAL o futebolista e proprietário deste negócio, o macaense David Kong.
Tudo começou no Verão de 2021, quando, em conversa com uma amiga, que detinha uma creche canina em Loures, chamada Vila do Cão, resolveu apostar no negócio. “Perguntou-me: vamos fechar, queres ficar com ela?”, revela David. Sempre teve cães na família, mas nunca pensou que fosse trabalhar profissionalmente com eles. Ainda assim, arriscou.
O negócio correu bem, mas a distância e o tempo perdido no trânsito era muito. Por isso, quando descobriu que a Just4buddies, situada em São Domingos de Rana, a cinco minutos de casa dele, se encontrava à venda, resolveu arriscar, em Janeiro de 2024. “A dona antiga é dona do espaço e eu sou o dono do negócio”, explica. Durante algum tempo tentou manter as duas creches, mas, a dado ponto, teve de optar. “Fiquei só com esta”, diz.

A creche e os treinos
Na Just4buddies oferecem serviços de creche, hotel e, para casos específicos, treino de animais. Nunca fecham. “Isto é como se fosse uma casa, os cães estão mesmo livres, não há ‘boxes’ e, à noite, temos sempre alguém a trabalhar — uma, duas, três, quatro pessoas, dependendo do número de cães”, conta. Dormem todos juntos. “Temos camas para humanos e camas para cães — se quiserem dormir na cama com o humano, podem fazê-lo; se quiserem dormir no chão, podem fazê-lo”, diz, acrescentando: “A ideia é estarem soltos e livres”.
Em contrapartida, há regras. “Os cães têm de fazer uma avaliação antes. Têm de ser extremamente sociáveis e, assim que demonstrem algum tipo de agressividade ou ansiedade, se sentirmos que não está confortável cá dentro, recusamos”, esclarece. “Nem todos adoram estar no meio de 50 (no máximo) — se calhar, gostam de estar com um ou dois”, continua. Além disso, a partir de um ano, todos os animais têm de estar esterilizados ou castrados.

São 13 trabalhadores para um número máximo de 50 cães, muitos com cursos de Medicina Veterinária ou com formação em Auxiliares de Veterinária. Da equipa faz também parte uma treinadora canina.
“Nós não ensinamos — se quiserem educar os cães, fazem uma sessão de treinos”, afirma, esclarecendo que também oferecem esse serviço, ainda que não no interior das instalações. “O tutor também tem de ser educado muitas vezes; o treino tem de ser em casa, porque quase tudo começa em casa”, declara.
Quem são os clientes
Nem todos os clientes são necessariamente daquela zona. “Temos um pouco de tudo: para quem fica lá durante a noite, normalmente, acontece quando as pessoas vão de férias”, revela. Podem ser clientes de Loures, do Algarve ou de outros lugares. “Temos estrangeiros e portugueses”, diz.
Quanto ao serviço da creche, normalmente, já são mais pessoas da zona de Cascais ou de áreas circundantes, que, por norma, saem de casa para trabalhar em Lisboa e não querem deixar os cães sozinhos em casa demasiado tempo. “Temos apenas um ou dois que realmente vêm de longe e fazem questão de cá vir deixar o cão, porque já correu bem, gostam e sentem confiança”, esclarece. Aliás, um dos serviços que oferecem e que os distingue das restantes empresas do género é a possibilidade de os tutores visionarem os seus animais, a partir do telemóvel ou computador. “Nós temos câmaras e as imagens são passadas em directo para os tutores, que os podem acompanhar”, declara.
Há quem deixe os caninos todos os dias, por ter de trabalhar presencialmente longe de casa. Mas há quem os deixe apenas nos dias em que não está em teletrabalho. A entrada faz-se logo a partir das 7h30. Depois disso, por volta das 9h30, os cães estão no jardim da Just4buddies, para socializarem e brincarem. “Somos monitores, não somos os amigos para brincar; temos actividades, como corridas de bolas, fazemos biscoitos, puxamos a corda, mas a verdade é que eles também brincam entre eles”, diz David, descrevendo um dia normal. “Descansam quando querem e brincam quando querem”, acrescenta. Após comerem, o normal é dormirem um pouco. “Temos a hora da sesta e, tal como acontece com as crianças, se não o fizerem, o fim do dia é mais complicado”, afirma. “Temos também o nosso horário para dar refeições, que será entre as 11h30 e as 12h30, e o jantar será por volta das 20h, mas também depende da vontade dos tutores [se tiverem alguma exigência específica]”, revela.

Na vivenda da Just4buddies há um jardim, onde os animais passam a maioria do tempo, e uma casa. “O interior é mais para quando está a chover ou para separar algum cão, que está cansado, ou então para o almoço”, afirma.
Por volta das 17h ou 18h, os tutores começam a aparecer para recolher os seus animais. Depois, até às 19h, todos os cães de creche saem, permanecendo apenas aqueles que vão lá ficar durante a noite. “Mais ou menos a essa hora damos o jantar a todos e chega uma altura em que vão dormir; espalhamos as camas pelo espaço, para que cada um decida onde vai dormir”, refere.
Raramente levam os cães à rua. “Só o fazemos para permanências longas, para o cão desanuviar um pouco – isto é giro, mas muito intenso”, afirma.











