Pequim anuncia emissão de obrigações nacionais em Macau no valor de seis mil milhões de RMB

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Este é já o quarto ano consecutivo em que o Governo chinês lança emissão de obrigações nacionais em Macau. O Governo Central confirmou que irá emitir títulos de dívida, a 16 de Julho, num valor de seis mil milhões de renminbi, montante mais elevado em relação às edições anteriores. A referida emissão “ajudará a atrair investidores internacionais para participarem no mercado obrigacionista” do território, defendem as autoridades locais.

 

O Governo Central vai emitir obrigações nacionais em Macau no valor de seis mil milhões de renminbi, sendo que a emissão decorrerá na próxima quarta-feira, a 16 deste mês, destinada aos investidores profissionais.

A informação foi ontem avançada pelas autoridades, ao citar o anúncio em conjunto do Ministério das Finanças do Governo da República Popular da China e o Governo da RAEM, destacando o objectivo de “apoiar o desenvolvimento do mercado obrigacionista” do território.

“A emissão contínua de obrigações nacionais em Macau demonstra a importância e o apoio do Governo Central em relação ao cultivo das novas áreas de actividades financeiras em Macau, como o mercado obrigacionista, e a promoção do desenvolvimento diversificado da economia de Macau”, salienta o Executivo. O Governo saudou a decisão das Finanças em Pequim e expressou o seu “sincero agradecimento” ao Governo Central.

Além disso, a emissão “ajudará a atrair investidores internacionais para participarem no mercado obrigacionista de Macau, promoverá o desenvolvimento do mercado ‘offshore’ de RMB [renminbi] em Macau e aprofundará a cooperação financeira entre o Interior da China e Macau”, pode ler-se na nota.

Segundo as informações divulgadas, esta emissão representa o quarto ano consecutivo em que o Governo Central emite obrigações nacionais em renminbi em Macau, sendo também a quinta vez da emissão.

O Governo aplaudiu a abordagem de Pequim considerando que “contribui para reforçar o aperfeiçoamento do mecanismo de emissão regular”, para além de proporcionar “aos investidores opções de investimento seguras e estáveis, e desempenhando um papel positivo na melhoria das infraestruturas do mercado obrigacionista de Macau, optimizando ainda mais a estrutura da base de investidores e acelerando o progresso da ligação ao mercado internacional”, defendeu.

As autoridades acrescentaram que se tem verificado um aumento constante em termos do montante de emissão ao longo dos últimos anos. Recorde-se que em Outubro do ano passado, o Ministério das Finanças chinês emitiu em Macau títulos de dívida no valor de cinco mil milhões de renminbi, montante igual à edição anterior datada de Setembro de 2023.

Em 2022 foram emitidas obrigações nacionais em três mil milhões de renminbi e em 2019 no valor de dois mil milhões de renminbi.

O Governo de Macau tem mencionado a possível criação de uma bolsa de valores ‘offshore’, denominada em renminbi, ligada ao papel que a região tem assumido enquanto plataforma de serviços comerciais e financeiros entre a China e os países de língua portuguesa.

Em Janeiro, o regulador financeiro de Macau disse que os bancos centrais de Angola e Timor–Leste estão interessados em emitir uma dívida pública no território para atrair investidores da China continental.

Henrietta Lau Hang Kun, membro da direcção da Autoridade Monetária de Macau, disse que a instituição tem tentado promover o território como “uma plataforma de serviços financeiros junto dos países lusófonos”. “Para já, ainda estamos a negociar com os países lusófonos” para que a emissão de dívida “passe aqui, através de Macau, para o mercado [da China] continental”, acrescentou Henrietta Lau.

Em Maio de 2019, Portugal tornou-se o primeiro país da zona euro a emitir dívida na moeda chinesa, no valor de dois milhões de renminbi.