Uma cidade em movimento: A viagem de Macau rumo à diversificação económica

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“A coisa mais excitante para mim é correr num circuito como este – não há nada igual no mundo”, exclamou o piloto de motociclismo britânico Michael Rutter, de 52 anos, sobre o Circuito da Guia em Macau.

Em Novembro, o 71.º Grande Prémio de Macau entrou em acção, atraindo pilotos de classe mundial a esta pequena cidade costeira de apenas 33 quilómetros quadrados. Este evento desportivo emblemático de Macau é o epítome do potencial da cidade enquanto centro desportivo.

 

ASCENSÃO COMO CENTRO DESPORTIVO

 

Ao longo dos anos, a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) tem adoptado uma estratégia para diversificar adequadamente a sua economia, ultrapassando a sua histórica dependência da indústria do jogo.

O empenho do governo da RAEM em construir uma “cidade do desporto” levou à realização de muitos eventos de grande visibilidade, como o Campeonato do Mundo de Ténis de Mesa Masculino e Feminino da ITTF, a Maratona Internacional de Macau e as Regatas Internacionais de Barcos-Dragão. De acordo com o organizador do evento, os bilhetes para as meias-finais e as finais da Taça do Mundo da ITTF esgotaram quase instantaneamente, o que demonstra a sua popularidade.

No seu discurso sobre a política para 2024, o Chefe do Executivo de Macau, Ho Iat Seng, propôs acolher pelo menos dois eventos desportivos internacionais por mês.

Ho disse que a construção da “cidade do desporto” pode reforçar a reputação de Macau como centro mundial de turismo e lazer, dotando o lazer e o entretenimento de caraterísticas mais positivas e dinâmicas.

Rutter disse aos meios de comunicação social que, embora a pista não tenha mudado muito, a cidade – com os seus novos edifícios e infra-estruturas – mudou imenso ao longo dos seus 30 anos de corridas aqui. O seu sentimento reflecte a crescente reputação da cidade como um local onde a velocidade e a modernidade se encontram com a beleza a longo prazo.

“O seu carácter distinto (do Grande Prémio de Macau) e a forma como reúne pessoas de todo o mundo tornam-no muito especial”, disse.

Luis Gomes, presidente do Instituto do Desporto de Macau, disse que nos 25 anos desde o regresso de Macau à pátria, o desporto de Macau ligou-se ao mundo.

 

A CONSTRUÇÃO DE UM DESTINO PARA AS ARTES DO ESPECTÁCULO

 

Os esforços de Macau para se tornar uma “cidade das artes do espectáculo” constituem mais um factor de diversificação.

Do princípio ao fim do ano, a Cotai Strip da cidade acolhe vários concertos, espectáculos e eventos culturais, atraindo milhões de espectadores e aumentando as receitas nos sectores da hotelaria, restauração e retalho.

Desde 2023, a Galaxy Arena e vários locais de atuação da Galaxy Entertainment acolheram mais de 180 espectáculos de entretenimento e cinco eventos desportivos, atraindo mais de um milhão de espectadores em todo o mundo.

“Passeios turísticos diurnos combinados com espectáculos noturnos tornaram-se a nova norma de viagem”, observou Liu Changmei, presidente da Associação de Promoção da Cultura Urbana de Macau. Segundo a responsável, esta tendência prolonga a estadia dos turistas e revigora a economia nocturna de Macau.

Os festivais culturais enriquecem ainda mais o encanto de Macau. Eventos como o Desfile Internacional de Macau, o Festival de Artes de Macau e o Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa mostram a mistura harmoniosa de influências orientais e ocidentais da cidade.

De acordo com os dados do Governo da RAEM, os vários eventos artísticos e culturais em 2023 registaram quase 20 milhões de participantes. Os concertos e outros eventos organizados por empresas de estâncias turísticas integradas e de lazer atraíram um público de 1 milhão de pessoas, gerando aproximadamente 1,1 mil milhões de patacas (140 milhões de dólares americanos) em vendas de bilhetes.

 

O TURISMO E MAIS ALÉM

 

Em 1997, o residente Si Wun Cheng tirou uma fotografia a preto e branco em frente às Ruínas de S. Paulo, com apenas alguns turistas ao fundo. Em 2024, ano do 25º aniversário do regresso de Macau à pátria, Si recriou a imagem no meio de uma multidão de visitantes de todo o mundo.

Os números contam uma história convincente: em 7 de dezembro de 2024, Macau recebeu mais de 32,5 milhões de visitantes, esperando atingir 33 milhões até ao final do ano. Os números reflectem a vibrante atracção cultural e turística de Macau, reforçada pelo seu património histórico e pela integração da tecnologia moderna.

Desde o antigo Templo de A-Ma até à moderna Taipa, passando pelo metro ligeiro de superfície e depois pela tranquila Coloane para um passeio, os turistas podem viajar no tempo e no espaço. O passeio “cidade antiga, nova experiência” esboça a mistura única de elementos antigos e modernos desta pequena cidade.

Actualmente, os visitantes munidos de smartphones podem digitalizar códigos QR para descobrir as ricas histórias destes locais, misturando na perfeição o passado com o presente.

Para além do património e da tecnologia, Macau prospera na inovação cultural. O governo tem promovido projectos comunitários, tais como a revitalização de bairros históricos com espaços para arte e espectáculos, criando novas atracções dinâmicas.

Em Junho deste ano, Macau recebeu o título de Cidade Cultural da Ásia Oriental 2025, um programa de arte e cultura lançado pela China, Japão e Coreia do Sul. A presidente do Instituto Cultural de Macau, Leong Wai Man, acredita que este é “um cartão de ouro cultural que conta a história da China”.

Leong Wai Man afirmou que Macau continuará a tirar partido das suas vantagens de combinar as culturas chinesa e ocidental e dos seus extensos intercâmbios internacionais, mostrando o seu encanto multicultural e aprofundando ainda mais os intercâmbios culturais e turísticos e a cooperação na Ásia Oriental.

 

Xinhua