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      Número de viagens aumenta quase 40% no início de período de deslocações na China

      O número de deslocações realizado na China no primeiro dia da temporada de viagens por ocasião do Ano Novo Lunar aumentou 38,2%, em relação a 2022, após Pequim ter abolido medidas de prevenção epidémica.

      Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, no total, foram realizadas 34,7 milhões de viagens no último sábado, o primeiro dia de um período de 40 dias durante o qual os chineses costumam regressar às respectivas terras natais para celebrar o Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas.

      Este período, que é a maior migração anual do planeta, foi afectada, nos últimos dois anos, pelas medidas de prevenção contra a covid-19 que vigoraram na China, ao abrigo da política de ‘zero casos’ de covid-19.

      Apesar do aumento do número de viagens, os dados são ainda assim 48,6% inferiores aos registados no primeiro dia da temporada de viagens de 2019, o último Ano Novo Lunar antes da pandemia.

      Em Dezembro, no âmbito do fim da política de ‘zero covid’, que vigorou no país durante quase três anos, o governo chinês retirou as restrições às viagens internas, que incluíam a exigência de testes PCR negativos para viajar de avião ou comboio e o registo das deslocações através de uma aplicação de localização.

      Cada cidade ou província tinha também as suas próprias políticas: Pequim, por exemplo, não permitia a entrada de viajantes vindos de áreas onde tivessem sido registados casos de covid-19 nos sete dias anteriores.

      Em 2023, o Ano Novo Lunar calha entre os dias 21 e 27 de Janeiro, e a temporada alta de viagens, conhecida em chinês como ‘chunyun’, ocorre entre os dias 7 de Janeiro e 15 de Fevereiro.

      As autoridades de saúde chinesas pediram já às zonas rurais, para onde vão viajar muitos trabalhadores migrados nas cidades, que se preparem para a propagação da covid-19. Algumas cidades do país já ultrapassaram o pico dos surtos do novo coronavírus, mas ainda não se alastraram às zonas rurais e pequenos centros urbanos.

      O Conselho de Estado, o executivo chinês, exortou os governos locais em meados de dezembro a dar prioridade a estas áreas “para proteger a população”, apontando “a sua relativa escassez de recursos de saúde”.

      O relaxamento das restrições antecedeu uma onda inédita de infecções no país asiático, que provocou cenas de grande pressão hospitalar em diversas cidades.

      A rápida disseminação do vírus pelo país lançou dúvidas sobre os números oficiais, que relataram apenas algumas mortes recentes pela doença, apesar de localidades e províncias estimarem que uma proporção significativa das suas populações ficou infetada.

       

      HENAN ESTIMA QUE 90% DA POPULAÇÃO FOI JÁ INFECTADA

      Quase 90% dos residentes de Henan, uma das províncias mais populosas da China, foram já infetados pela covid-19, disse ontem uma autoridade regional de saúde, depois de o país ter posto fim à política de ‘zero casos’.

      O número de pacientes na China cresceu exponencialmente, sobrecarregando o sistema de saúde e os crematórios, depois de o país ter levantado as medidas altamente restritivas de prevenção epidémica, que incluíam a realização de testes em massa e o bloqueio de cidades inteiras.

      Em Henan, a terceira província mais populosa da China, 89% da população foi infetada com o novo coronavírus, até 06 de Janeiro, disse Kan Quancheng, funcionário da autoridade de saúde local. Esta percentagem representa cerca de 88,5 milhões de pessoas.

      O número de consultas médicas para febre atingiu o pico em 19 de Dezembro e desde então tem diminuído progressivamente em Henan, disse o funcionário, citado pela imprensa local.

      As autoridades esperam uma nova onda de casos durante o Ano Novo Lunar, que calha este ano a 22 de Janeiro. Este período, a principal festa das famílias chinesas, é a maior migração anual do planeta, à medida que milhões de chineses retornam às suas terras natais.

      A China, que tem 1,4 mil milhões de habitantes, registou, oficialmente, apenas 30 mortes por covid-19, desde o levantamento das restrições sanitárias em Dezembro passado, apesar de uma vaga de casos sem precedentes no país. Estes números não reflectem a situação para muitos especialistas e para a Organização Mundial da Saúde (OMS).

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau