Até Setembro deste ano, um total de 166 indivíduos registou-se como afectados pelos distúrbios do vício do jogo junto do Instituto de Acção Social. O número testemunha um acréscimo significativo de 50% comparando com o mesmo período do ano passado. O organismo apontou, no entanto, que apenas 6% dos pedidos de ajuda foram feitos por trabalhadores da indústria de jogo, contra uma taxa de 25% registada em 2011.
O registo central dos indivíduos afectados pelo distúrbio do vício do jogo do Instituto de Acção Social (IAS) contabilizou mais 58 novos casos entre Julho e Setembro, fazendo com que o número total dos casos atingisse 166 nos primeiros três trimestres deste ano.
Em comparação com os 110 casos de pedidos de ajuda até Setembro do ano passado, o cálculo deste ano representa uma subida acentuada de 50% em termos anuais. O número está ainda a aproximar-se ao total registado no ano passado, de 169 casos, o maior número desde que há registo e o dobro do assinalado no ano anterior.
Os dados estatísticos foram anunciados ontem por Cheang Io Tat, chefe do departamento de Prevenção e Tratamento da Dependência do Jogo e da Droga do IAS, em declarações citadas pelo canal chinês da Rádio Macau, à margem de uma conferência sobre o 15.º aniversário da promoção do Jogo Responsável. Apesar de admitir o aumento de 50% no registo de casos em geral, Cheang Io Tat salientou que há cada vez menos funcionários do sector de jogo que se envolvem no jogo problemático.
“Muitas pessoas prestam atenção à situação de envolvimento de funcionários de casinos no distúrbio do vício do jogo. Todavia, na tendência geral dos pedidos de assistência nos últimos anos podemos verificar que o número de pessoas trabalhadoras da indústria de jogo diminuiu, de 25% correspondente ao número total de pedidos em 2011, para 6% nos primeiros três trimestres deste ano”, adiantou. O responsável afirmou ainda que os turistas estão cada vez mais sensibilizados para o Jogo Responsável ou para as perturbações do jogo.
Cheang Io Tat, nesse sentido, acrescentou que o IAS tem dado formação contínua aos trabalhadores de casinos para que seja capaz de compreender ou identificar pessoas que possam ter perturbações relacionadas com o jogo, prestando-lhe assim apoio e encorajando-as a procurar ajuda.
O organismo não divulgou ainda o relatório completo até Setembro sobre o sistema de registo central dos indivíduos afectados pelo distúrbio do vício do jogo e os detalhes de perfil dos casos. No entanto, nos primeiros seis meses deste ano houve 108 pedidos de ajuda, cujos solicitantes de assistência do IAS tinham uma média de idade de 38,8 anos, o valor mais baixo desde que há registo em 2011. Entre eles, 60% eram residentes locais e 70% tinham emprego, enquanto 29% viam as apostas como “resolução das dificuldades financeiras” e 71% tinham dívidas.
A conferência de ontem sobre o Jogo Responsável foi realizada pelo IAS, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) e o Instituto de Estudos sobre a Indústria de Jogo da Universidade de Macau. Na cerimónia de encerramento, as entidades organizadoras entregaram certificados de “Entidade Modelo de Jogo Responsável” a 21 organizações de serviço social, casinos e outros estabelecimentos de jogo, bem como certificados a 201 pessoas que concluíram cursos de instrutores na área do Jogo Responsável.
Segundo um estudo liderado pela Universidade de Macau no ano passado, o nível de conhecimento da população de Macau sobre o jogo responsável registou uma subida significativa, de 16,2% em 2009, período que antecede os respectivos trabalhos de promoção, para 64,9% em 2023.











