A presidente do Centro Científico e Cultural de Macau em Lisboa, Carmen Amado Mendes, planeia dentro dos próximos dois anos reforçar a cooperação com a Universidade de Macau, para que se continue a construir a Rede Portuguesa de Arquivos Asiáticos. A PADAN (Portuguese Asian Digital Archive Nework) irá possibilitar a académicos e ao público geral consultar documentos e outras informações digitalizadas sobre as relações entre a Ásia e a Europa entre os séculos XVI e XX, o que é uma mais-valia para Macau, defende.
A Rede Portuguesa de Arquivos Asiáticos, na sigla inglesa PADAN – Portuguese Asian Digital Archive Nework – é um projecto da responsabilidade do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) de Lisboa que foi fundado com o intuito de criar um arquivo digital com documentos, publicações, materiais históricos e dados sobre os intercâmbios entre a Europa e a Ásia desde o século XVI até ao século XX.
A responsável e também presidente do CCCM, a professora Carmen Amado Mendes, em declarações ao jornal Ou Mun anunciou que dentro dos próximos dois anos o projecto vai estar centrado na sua colaboração com a Universidade de Macau (UM), isto depois de um acordo de cooperação ter sido assinado em Lisboa em Abril passado com representantes da Universidade de Macau (UM). A instituição académica da RAEM, onde Carmen Amado Mendes é professora convidada, é uma das quatro instituições académicas, juntamente com as universidades de Leuven, Boston e Xangai, que até à data criaram uma parceria com o CCCM. Para além da cooperação com a Universidade de Macau, a iniciativa também tem recebido o apoio da Universidade de São José, “o que é positivo”, acrescentou a responsável.
Com o reforço desta cooperação nos próximos dois anos, passará a ser “mais conveniente para os especialistas e académicos de Macau e mesmo dos países de língua portuguesa procurarem as informações de investigação de que necessitam”, defendeu Carmen Amado Mendes, referindo-se também à já existente publicação contínua de livros académicos e a todo um trabalho de cooperação académica nos campos científicos e culturais entre o CCCM e a UM.
Esta rede de arquivos asiáticos, destacou ainda a especialista em estudos asiáticos, é de uma grande utilidade para Macau em particular, já que esta base de dados facilitará o acesso aos dados correspondentes a quem deles necessita, conseguindo assim uma melhor utilização dos recursos, defendeu. O CCCM tem a “obrigação de fornecer manuscritos e documentos relacionados com o estudo da história da China e de Macau a especialistas e académicos de Portugal e de outros países europeus” e também agora a todos os interessados que queiram consultar estes dados.
Ao jornal Ou Mun, Carmen Amado aproveitou para esclarecer que o CCCM foi criado em Portugal antes da transferência de soberania e é uma instituição pública com poderes administrativos e financeiros autónomos, criada sob a tutela do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, que tem por missão a investigação, promoção e divulgação de conhecimentos sino-portugueses e asiático-europeus, tendo também se empenhado no estudo e ensino da língua chinesa e da história e cultura chinesas, no estudo das relações internacionais sino-portuguesas e asiático-europeias e na formação contínua de quadros superiores relevantes.
Na página do CCCM pode-se ler que numa primeira fase, o projeto centrar-se-á nos acervos existentes em Portugal e construirá um recurso digital de referência, colocado no servidor do CCCM em Lisboa, que estará disponível ao público. Após a conclusão desta primeira fase, o projecto alargará o seu âmbito de aplicação, passando a incluir a referência a acervos existentes em arquivos, bibliotecas e centros de documentação de toda a Europa, China, Japão, Brasil e EUA, bem como a recursos digitais natos de todo o mundo.
Segundo os responsáveis pela rede de arquivos, o acesso a materiais históricos e de arquivo promoverá um estudo mais aprofundado e alargado do intercâmbio de ideias que teve lugar ao longo dos séculos e do desenvolvimento da multiculturalidade que resultou desses primeiros contactos. É de esperar que a existência de um recurso digital de referência promova ainda mais a investigação internacional sobre a história de Portugal e conduza a uma maior cooperação internacional, defenderam, garantindo ainda que a rede utilizará um software capaz de recolher e dar acesso a informação heterogénea proveniente de várias fontes diferentes e fornecerá um ponto de acesso único e privilegiado. Após a descoberta da informação, os utilizadores serão reencaminhados para o sistema que contém a informação original, de forma a visualizá-la em contexto e de forma completa.
A selecção dos recursos a partilhar será da responsabilidade das instituições fornecedoras em colaboração com o Conselho Científico do projecto, nomeadamente a professora Carmen Amado Mendes, presidente do CCCM, a professora Isabel Murta Pina, investigadora do CCCM e o professor Roger Greatrex, consultor do CCCM.
Actualmente, o museu do CCCM na Rua da Junqueira em Lisboa, possui uma colecção de mais de 3.500 artefactos, incluindo estátuas, obras de arte de valor prático e decorativo, e exposições em diversos materiais, como faiança grossa, terracota e porcelana. A primeira secção da exposição apresenta a “Situação Histórica e Cultural de Macau nos Séculos XVI e XVII”, que mostra a situação internacional durante a Dinastia Ming na China, a cultura de fusão sino-europeia estabelecida na cidade portuária de Macau, bem como os resultados da investigação sobre a história de Macau e a história das relações sino-portuguesas.












