Os jovens finalistas universitários estão a mostrar uma atitude relativamente optimista na inserção no mercado de trabalho em comparação com o tempo da pandemia, considerando que a reabertura da cidade trouxe mais oportunidades de emprego. A Universidade Politécnica de Macau realizou ontem uma Feira de Emprego com três mil vagas para os alunos. A instituição revelou que mais de 80% dos licenciados do ano passado já estão a trabalhar ou a prosseguir os estudos.
Apesar de considerar que a competitividade no actual mercado de trabalho é elevada, os estudantes universitários finalistas estão confiantes em encontrar um emprego adequado que seja do seu desejo. Consideram que é mais acessível encontrar emprego agora em comparação com a situação dos últimos anos, dado que mais empresas voltaram a recrutar pessoal, sendo mais importante o tipo de trabalho em comparação com o nível salarial.
“Muitas empresas de dimensão média ou grande estão à procura de novos recursos humanos. Acho que há muitas oportunidades e tenho capacidade para conseguir em breve um emprego que seja adequado para mim. Sinto-me bem preparada para isso, portanto estou confiante”, frisou Joselina Wong, aluna finalista da Universidade Politécnica de Macau (UPM), ao PONTO FINAL.
A estudante do curso de Tradução Chinês-Inglês confessou que, para já, não tem uma direcção fixa e específica para a sua carreira, mas tem em consideração os sectores bancários, hoteleiros e de educação, acreditando que muitas empresas precisam de trabalhadores com a qualificação académica do seu curso.
Presente na Feira de Emprego “Careers Day 2023” realizada pela UPM, em cooperação com mais de 120 empresas locais e da Grande Baía, Joselina Wong assumiu que a iniciativa ofereceu uma boa ocasião para os jovens conhecerem mais a situação do mercado de emprego.
“Venho para ver se há alguns postos que sejam adequados ao meu perfil, uma vez que há muitas organizações e empresas que estão aqui a participar nesta feira, e espero saber o desenvolvimento do mercado”, indicou.
A jovem avançou também que o salário “não é o principal factor durante a sua procura de emprego”, por ser uma finalista de licenciatura. “Para mim o mais importante é encontrar um emprego que gosto e onde posso aproveitar o meu conhecimento, bem como que habilidades e conhecimentos posso aprender”, explicou.
Quanto à vontade para trabalhar na Grande Baía ou Hengqin, Wong disse que tudo depende das propostas e das empresas empregadoras, e que não iria recusar trabalhar na Ilha da Montanha caso houvesse uma boa oportunidade de emprego.
Um outro aluno, de apelido Ho, referiu uma posição diferente relativamente a uma carreira na Grande Baía: “Quero apenas trabalhar em Macau”, frisou. Ho, que está a frequentar o curso da Administração Pública, também afirmou que está optimista na entrada no mercado de trabalho, sendo que tem estado a trabalhar em tempo parcial durante os estudos no ensino superior.
Tendo preferência para trabalhar na função pública, o jovem referiu que quer um emprego correspondente ao seu curso. Ho adiantou ainda que a sua expectativa de salário ronda as 15 mil patacas, mas que não se importa se o valor não chegar a tanto. “Ganhar experiência é a prioridade para um recém-licenciado”, apontou.
VANTAGEM DE LÍNGUA PORTUGUESA
“Macau posiciona-se como uma plataforma de cooperação entre a China e os países de língua portuguesa, espero encontrar um emprego onde posso participar nas actividades de negócios relacionados a países lusófonos no futuro”, afirmou Catarina Chang, estudante, também finalista, do curso de Relações Comerciais entre a China e dos Países Lusófonos.
A aluna local começou a aprender português desde a universidade, e reconheceu que o domínio da língua portuguesa implica certas vantagens na procura de emprego em Macau.
Revelando esperança em encontrar um emprego no sector bancário, Catarina Chang destacou que está mais interessada na área comercial e na cooperação económica com os países lusófonos. “Na verdade, já recebi uma proposta de emprego do Banco da China. Enviei recentemente o meu currículo aos bancos, porque nas grandes empresas as condições de recrutamento são melhores, e também têm mais espaços para promoção e desenvolvimento da carreira”, observou.
Chang esteve ontem na Feira de Emprego para saber a situação do mercado de trabalho e se existem outras oportunidades de emprego. Prevendo um nível salarial de 12 mil patacas, a jovem acha que agora é mais fácil encontrar um emprego do que antes, e disse que os colegas estão mais optimistas na situação deste ano, dado que as empresas têm actualmente mais recursos para contratarem pessoas com a reabertura e fim de restrições epidémicas.
Para a universitária, a Feira de Emprego foi positiva, onde foi disponibilizada ainda uma simulação de entrevista para os alunos praticarem e obterem opiniões sobre como podem melhorar por parte dos professores da instituição. Por outro lado, Catarina Chang avançou que também tem vontade de trabalhar na Grande Baía ou Hengqin devido ao espaço de desenvolvimento para jovens.
“SITUAÇÃO DE EMPREGO DOS LICENCIADOS É IDEAL”
Sendo um evento de realização anual, a presente edição da Feira de Emprego na UPM juntou mais de 120 empresas e instituições de renome do território e da Grande Baía, tendo fornecido mais de três mil vagas de emprego e oportunidades de estágio nas instituições públicas, nas áreas do turismo, hotelaria, finanças bancárias, contabilidade, empreendedorismo, educação e serviços sociais, imobiliário, restauração, tecnologia informática e aviação.
De acordo com Christy Cheong Weng Lam, chefe de Departamento de Serviços de Assuntos Académicos da UPM, os dados estatísticos mais recentes mostram que a situação de emprego dos licenciados mantém-se estável face aos últimos anos.
“A nossa pesquisa indica que mais de 80% dos graduados estão empregados ou continuam a prosseguir os seus estudos, e a maioria conseguiu encontrar emprego dentro de três meses após o término do curso. Estão envolvidos na sua profissão o sector de ‘Big Health’, educação, gestão empresarial, serviços sociais e administração”, revelou.
Christy Cheong salientou ainda que a média de salário dos licenciados da UPM no ano passado foi de 16 mil patacas, sendo que muitos antigos alunos conseguiram entrar na indústria que corresponde ao curso que tiraram. Além de Macau, Cheong disse que os antigos estudantes estão espalhados no mercado de emprego de Hengqin, do interior da China e também no estrangeiro.
Ao apresentar a Feira de Emprego, a responsável mostrou-se contente por o evento poder ser realizado presencialmente este ano com levantamento de restrições da Covid-19, frisando que foram organizadas actividades sobre o planeamento de carreira, estratégia de entrevista e sessões de explicação.











