A Liga dos Chineses em Portugal repudia a atitude de um administrador da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal perante o Embaixador da China em Portugal. Numa nota enviada às redacções, a entidade lamenta aquilo a que apelida de “situação insólita” por parte do responsável da AICEP em relação a Zhao Bentang. “Na sequência da notícia vinda a público de uma situação insólita em que um administrador da AICEP adverte em público o Embaixador da República Popular da China em Portugal sobre as opções e visões soberanas da política externa e interna chinesas, a Liga dos Chineses em Portugal vem por este meio repudiar firmemente tal situação, exigindo ao Governo da República Portuguesa uma explicação e resolução do servidor do Estado constituindo um perigo para o excelente relacionamento multissecular luso-chinês”, pode ler-se na missiva enviada aos jornalistas, assinada por Y Ping Chow, onde nunca é divulgado o nome do administrador em questão.
A situação foi trazida a público num artigo de opinião publicado no jornal português Correio da Manhã e assinado por Miguel Alexandre Ganhão com o título “O enorme peso de um apelido”. Sem citar nomes, o colunista referiu-se à família Rebelo de Sousa dando a entender que o administrador da AICEP envolvido terá, alegadamente, sido Luís Rebelo de Sousa, sobrinho do Presidente da República de Portugal. Y Ping Chow lamenta “a forma extemporânea e fora de contexto que o administrador executivo da AICEP advertiu publicamente o Embaixador da China em Portugal pelas consequências da opção da neutralidade no conflito russo-ucraniano e sobre a questão de Taiwan, interferindo directamente nos assuntos internos da China, violando assim os princípios assumidos entre Portugal e a República Popular da China do princípio da China única e de não ingerência nos assuntos internos”.
O presidente da Liga dos Chineses em Portugal, também ele presidente da Associação para Promoção da Paz pela China Única, sublinha que “no plano formal, a AICEP não tem competências a nível de decisão da política externa portuguesa, competências exclusivas do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação e obviamente do ministro da tutela ou Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho”, salientando que cabe apenas à agência portuguesa “promover a atracção de investimento directo estrangeiro”.
Y Ping Chow recorda ainda que “as relações entre Portugal e a China datam de mais de meio milénio e sempre foram pautadas da melhor cooperação e amizade entre ambos os países onde ambas as nações se miscigenaram fruto de convivência multissecular e onde na China, especificamente entre Macau, Hong Kong e Cantão, vivem cerca de 200 mil cidadãos nacionais portugueses e em Portugal mais de 40 mil cidadãos nacionais chineses”.













