Nelson Kot critica instruções “repentinas” e de “duplo critério” em eventos gastronómicos  

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Comemorações do 10 de Junho, na residência oficial do cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong.

O ex-candidato às eleições legislativas Nelson Kot criticou as novas orientações sobre a realização ou participação nos eventos com oferta de comida e bebida, lançadas pelos Serviços de Saúde na segunda-feira, pelo “duplo critério” e pela “perturbação dos cidadãos” e “carência de base científica”.

Recorde-se que as autoridades divulgaram novas instruções esta semana estabelecendo que o sector público ou instituições e associações financiadas pelo Governo apenas podem realizar actividades com comida e bebida com o máximo de 19 participantes, sem contar os trabalhadores. Já as instituições privadas ou indivíduos sem financiamento do Governo estão proibidos de organizar eventos com comida com mais de 299 pessoas. E caso o número de participantes seja superior a 20, os trabalhadores e participantes devem possuir certificado negativo de teste de ácido nucleico.

Nelson Kot, citado pelo Jornal do Cidadão, considera que as restrições foram anunciadas de forma “repentina”, uma vez que a população ficou mais relaxada após o surto e muitas entidades estão a retomar as actividades. “Em vez de levantar as medidas, o Governo apertou as instruções para os eventos com oferta de comida. Não sei se há outras preocupações por trás por parte das autoridades, espero que possam dar uma explicação”, realçou, recordando que o número máximo de participantes nas festas tinha sido fixado em 399 pessoas antes do último surto. Além disso, os organizadores de eventos são obrigados a registar o nome e o contacto dos convidados e guardar estas informações por 28 dias, para eventual rastreamento.

Ironizando que o Governo ainda não divulgou a lista toda de participantes do banquete de casamento no Grand Lisboa Palace, o também presidente da Associação de Estudos Sintético Social referiu que estas medidas não são muito práticas, e o sector da restauração precisará assim de muito mais pessoal para implementar as regras. “Muitos restaurantes já recebem centenas de clientes ao mesmo tempo, porque não há restrições para isto? Há um duplo critério para as instituições, particularmente aquelas financiadas pelo Governo”, lamentou, defendendo que a recepção de subsídio por parte das entidades não representa um relacionamento científico com a prevenção de epidemia.