O acesso ao emprego por parte dos idosos está com dificuldades acrescidas. Menos vagas de trabalho e redução de recursos financeiros levaram às empresas a apostar na contratação de jovens, que “têm menos exigências salariais e benefícios laborais”. Empresas de recursos humanos salientam que a atitude no recrutamento dos idosos por parte das empresas locais é “conservadora”.
Os idosos em Macau estão a enfrentar cada vez mais desafios para serem contratados, dado que o número de vagas de emprego no território diminuiu com os impactos económicos provocados pela pandemia, e a concorrência em relação aos jovens está a aumentar. A afirmação foi revelada por algumas empresas de recursos humanos numa análise relativamente aoemprego dos idosos.
Citadas pelo Jornal Ou Mun, as empresas de recursos humanos admitiram que o envelhecimento da população de Macau está a intensificar, o que se está a reflectir no mercado de trabalho, com um aumento dos candidatos de maior idade,acreditando que a situação será agravada no futuro.
Salientando que, no passado, a prosperidade da indústria do jogo impulsionou muito o desenvolvimento global da economia, os profissionais de recursos humanos apontaram que muitas pessoas de meia-idade e idosos podiam receber uma remuneração satisfatória por trabalhar nos casinos e nas empresas hoteleiras. “Agora, a indústria de jogo está em declínio, e alguns trabalhadores desse grupo saíram do sector ou foram encorajados a se aposentar. O ambiente geral mudou e o acesso ao emprego está difícil”, frisaram.
A análise de recursos humanos mostrou que, com a redução das vagas no mercado de trabalho, as empresas e os comerciantes estão mais rigorosos na escolha de candidatos, mostrando mais vontade para contratar jovens em vez de pessoas de meia-idade e idosos. Referiram ainda que os motivos principais se devem ao facto de que os jovens, particularmente os licenciados, poderão “ter menos exigênciasno salário e benefícios laborais, e uma maior tolerância à carga de trabalho”, uma vez que “concentram-se na absorção de experiências profissionais”.
A maioria das empresas em Macau mantém uma atitude conservadora relativamente ao recrutamento dos idosos, visto que “têm sempre mais requisitos nos trabalhos, são difíceis quando se pede para fazerem coisas, necessitando ainda de mais recursos de formação para domínio da tecnologia e deaparelhos electrónicos”, apontaram.
As empresas de recursos humanos entrevistadas citaram as suas observações do mercado para explicar que é difícil perante o ambiente económico actual criar e oferecer postos com boas condições, pelo que quando as pessoas mais idosas são forçadas a mudar de emprego, muitas vezes só podem optar por um tipo de trabalho mais duro.
“Com as suas limitações físicas poderão preferir procurar empregos a tempo parcial, porque podem cansar-se mais rapidamente do que os jovens. Mas o número dos empregos de tempo parcial também sofreu uma quebra de 30% a 40% nos últimos três meses, comparando com a mesma época do ano passado”, lamentaram.
Manifestando algum pessimismo, as empresas de recursos humanos consideram que o mercado de trabalho para idosos tem pouca probabilidade de melhorar num curto a médio prazo, mesmo que a pandemia estabilize ou até termine.
De acordo com os dados estatísticas divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, no primeiro trimestre deste ano, a população empregada do grupo etário com idades entre 55 e 64 anos registou 58.800 pessoas, e do grupo etário de idade superior a 65 anos foi de 13.900 pessoas, representando uma diminuição de 2.400 e 600 pessoas, respectivamente, em relação ao trimestre transacto.Além disso, a mediana da idade da população empregada baixou 0,3 anos para 40,8 anos no primeiro trimestre.
Relativamente ao envelhecimento da população, o deputado Lei Leong Wong considerou que as autoridades devem criar mais condições para que os idosos que tenham capacidade e vontade continuem a trabalhar e contribuam para a sociedade. “Além de continuar a prestar serviços como acompanhamento de casos, formação e aconselhamento, o Executivo tem de formular medidas específicas para promover e incentivar as empresas a contratar idosos. Por exemplo, criar centros de formação profissional para seniores, e um mecanismo de combinação de emprego dedicado à reinserção dos idosos no mercado”, solicitou. O deputado sugeriu ainda a optimização do sistema de pensões e a criação de um fundo de cuidados comunitários em resposta à intensificação do envelhecimento.
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