A taxa de incidência de tuberculose em Macau ainda “está longe” da meta de eliminação da doença definida pela Organização Mundial da Saúde, admitem os Serviços de Saúde. No ano passado, registaram-se 258 casos de tuberculose no território, ou seja, 37,5 casos por cada 100 mil habitantes, valor significativamente superior ao limiar fixado, de 10 casos por cada 100 mil habitantes, pela organização internacional.
No ano passado, Macau registou 258 novos casos de tuberculose, o que corresponde a 37,5 casos por cada 100 mil habitantes. Apesar de a taxa de incidência de tuberculose na região ter verificado uma tendência de quebra, os números ainda se encontram significativamente distantes da meta de eliminação da doença definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A meta da OMS de erradicar a tuberculose, até 2035, exige que a taxa de incidência seja reduzida para menos de 10 casos por cada 100 mil habitantes. Neste caso, Macau ainda tem “muito trabalho para fazer” nos próximos dez anos até atingir o critério da organização internacional, admitiu o Governo, que apelou para que tanto os cidadãos como os profissionais de saúde “se mantenham vigilantes”.
Os dados mais actualizados sobre o diagnóstico de tuberculose foram divulgados ontem pelos Serviços de Saúde no âmbito do Dia Mundial da Tuberculose, que se assinala anualmente a 24 de Março.
Recorde-se que a taxa de incidência de tuberculose em Macau em 1998 era de 109,1 casos por cada 100 mil habitantes, segundo as estatísticas do Governo. Houve 316 casos em 2023, o que representa 46,2 casos por cada 100 mil habitantes, taxa idêntica ao ano anterior. O cômputo passou então para uma média de 37,5 casos em 2025, o valor mais baixo da história.
De acordo com um relatório da OMS, Macau, tal como Hong Kong, foi classificado como região com incidência “moderada superior” de tuberculose.
Chou Kuok Hei, representante do Centro de Prevenção e Tratamento da Tuberculose, avançou que mais de 60% dos casos registados no ano passado ocorreram em idosos com mais de 65 anos.
O médico, citado pelo canal chinês da Rádio Macau, acrescentou que a tuberculose é uma doença infecciosa respiratória crónica, transmitida principalmente por via aérea e através de gotículas. “A infeccção latente de tuberculose pode manifestar-se quando o estado de saúde e a imunidade se debilitam”, explicou Chou, que apelou, assim, aos grupos de alto risco, incluindo idosos, diabéticos e doentes com patologias imunossupressoras, para que realizem tratamentos preventivos antes de manifestar sintomas da doença.
Entre os sintomas mais comuns da tuberculose destacam-se a tosse persistente por mais de duas semanas, a presença de expectoração ou hemoptises, a perda de peso sem causa aparente, os suores nocturnos, a febre baixa ao final da tarde e o cansaço fácil.
Chou Kuok Hei explicou que os tratamentos preventivos para a tuberculose, ao contrário do tratamento de doenças comuns, utilizam geralmente um ou dois medicamentos, no menor tempo possível, para evitar a manifestação futura da doença.
Em relação aos métodos de diagnóstico, os Serviços de Saúde dispõem actualmente do teste cutâneo da tuberculina e análises ao soro. E, relativamente aos casos suspeitos, especialmente no âmbito de testes em lares de idosos, os métodos mais eficazes continuam a ser a análise de amostras de expectoração e a radiografia do tórax
Contudo, dada a dificuldade de alguns idosos em fornecer amostras de expectoração, os Serviços de Saúde introduziram também o teste de zaragatoa lingual. Este método consiste na recolha de uma amostra na zona profunda da cavidade oral com uma vareta de algodão, permitindo detectar uma parte dos casos de tuberculose existentes.
Os Serviços de Saúde vão ainda introduzir, no segundo semestre deste ano, o rastreio por zaragatoa oral ou lingual, destinado a idosos ou pessoas com dificuldade em fornecer amostras de expectoração, na esperança de “aumentar a taxa de cobertura do rastreio e identificar precocemente casos de infecção activa ou latente”, apontaram.
A tuberculose afecta principalmente os pulmões, onde mais de 90% dos doentes apresentam sintomas. Neste caso, a tuberculose pulmonar é a doença mais comum, mas pode também alastrar-se a outras partes do corpo, como pleura linfa, ossos e intestinos.
Apesar de ser uma doença que pode ser prevenida e curada, a tuberculose continua a ser uma das principais doenças infecciosas a nível mundial e é a principal causa de morte por doenças infecciosas. Em 2024, o número de novos casos de tuberculose a nível global atingiu os 10,7 milhões, com o número de mortes a ultrapassar os 1,2 milhões.











