China pede aos EUA que corrijam imediatamente ações comerciais antes de negociações

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A China instou ontem os Estados Unidos a “corrigir imediatamente os comportamentos errados” em matéria comercial, num momento em que representantes das duas maiores economias do mundo retomaram negociações em Paris.

Altos responsáveis de ambos os países iniciaram no domingo, na capital francesa, uma nova ronda de conversações económicas e comerciais, lideradas pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, segundo a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

As negociações surgem depois de uma disputa comercial intensa em 2025 entre as duas potências, que levou à imposição de tarifas retaliatórias elevadas antes de ambas acordarem uma trégua de um ano em outubro.

Num comunicado divulgado ontem, o ministério chinês do Comércio criticou novas investigações comerciais anunciadas pelos Estados Unidos contra 16 parceiros comerciais, entre os quais a China, destinadas a avaliar possíveis violações relacionadas com trabalho forçado.

Segundo Washington, os inquéritos podem conduzir à imposição de novas tarifas. Pequim classificou as investigações como um acto “totalmente unilateral, arbitrário e discriminatório” e “um exemplo típico de protecionismo”. “A parte chinesa já apresentou protestos junto da parte norte-americana. Exortamos os Estados Unidos a corrigirem imediatamente os seus comportamentos errados, a darem um passo em direção à China e a resolverem as divergências através do diálogo e da negociação”, afirmou o ministério.

As autoridades chinesas alertaram ainda que as novas medidas norte-americanas representam “um erro sobre outro erro”, que prejudica gravemente “a segurança e a estabilidade das cadeias de abastecimento globais”.

Apesar da trégua comercial acordada no final do ano passado, as tensões comerciais continuam a marcar as relações entre Washington e Pequim.

Especialistas consideram que o encontro em Paris poderá ser decisivo antes da eventual cimeira entre Xi e Trump. O economista Gary Ng, do banco francês Natixis, afirmou que a principal questão será saber se os dois países conseguem “concordar sobre o que já foi acordado e gerir as divergências”.

Além das questões comerciais, temas geopolíticos como o conflito envolvendo o Irão e o impacto nos preços e no fornecimento global de petróleo também poderão ser abordados nas conversações.

As negociações actuais são mais um capítulo num processo iniciado no ano passado, que já levou Bessent e He Lifeng a reunir-se em cidades como Genebra, Londres, Estocolmo, Madrid e Kuala Lumpur.

China diz que mantém conversações com Estados Unidos sobre visita de Trump

China e Estados Unidos mantêm conversações sobre uma possível visita de Donald Trump ao país asiático, indicou ontem o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, após o Presidente norte-americano ter admitido adiar a deslocação devido à guerra no Médio Oriente. “A China e os Estados Unidos mantêm um diálogo sobre a [possível] visita do Presidente Trump à China”, afirmou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Lin Jian.

O responsável evitou comentar as pressões exercidas por Trump para que a China ajude, juntamente com outros países, a desbloquear o Estreito de Ormuz. Lin reiterou o apelo de Pequim para o fim das hostilidades. “A China apela mais uma vez a todas as partes para que cessem imediatamente as operações militares, evitem qualquer nova escalada das tensões e impeçam que a instabilidade regional tenha um impacto ainda maior no desenvolvimento económico global”, afirmou durante a conferência de imprensa.

Segundo a Casa Branca, o Presidente norte-americano deverá deslocar-se à China entre 31 de março e 2 de abril, embora Pequim ainda não tenha confirmado oficialmente as datas.

Trump pediu no domingo o apoio da NATO e da China para restabelecer a circulação marítima no estratégico Estreito de Ormuz, acrescentando que gostaria de obter uma resposta de Pequim antes da visita, sob pena de a adiar. O líder norte-americano justificou o pedido com a importância da via marítima para o abastecimento energético da China.

De acordo com a empresa de análise Kpler, mais de metade das importações chinesas de petróleo bruto transportado por via marítima provém do Médio Oriente e passa maioritariamente pelo Estreito de Ormuz.