1.
Xun Kuang
Escritos de Mestre Xun
Livros do Meio/ Fundação Macau
Tradução de Rui Cascais, Gong Yuhong e Carlos Morais José
Primeira tradução integral de chinês para português da obra completa do filósofo Xun Kuang, conhecido por Xun Zi, oferecendo “uma pedra angular do pensamento filosófico chinês finalmente acessível ao leitor lusófono em edição definitiva e preenche uma lacuna crucial nos estudos filosóficos e sinológicos em língua portuguesa”, como se lê na apresentação da edição.

2.
Taina Tervonen
Os Vigilantes – Cinco vigias
em torno das fronteiras
Antígona
Tradução de Luís Leitão
A jornalista Taina Tervonen parte das entrevistas que fez a cinco pessoas que diariamente ajudam quem tenta chegar à Europa através das rotas do Mediterrâneo. De um lado do mar, o endurecimento das leis migratórias, a exploração do discurso xenófobo, a imposição da ilegalidade a quem consegue chegar; do outro, as mortes e o silêncio em torno de quem desaparece.

3.
Miguel Carvalho
Por Dentro do Chega
– a face oculta da extrema-direita em Portugal
Objectiva
Há vários anos que o jornalista Miguel Carvalho acompanha o Chega, observando o seu contributo para a ascensão do discurso de extrema-direita em Portugal e reunindo dados, entrevistas, documentos. Quem quer perceber como tantos eleitores passaram a votar na extrema-direita tem aqui um trabalho monumental e bem documentado ao qual recorrer, para tentar entender o país e o mundo, mas também para poder desmontar os tantos logros de que se alimenta esta forma de fazer política.
4.
Rafaela Ferraz
Portugal de Morte a Sul
Quetzal
Um percurso pela morte e pelos lugares e tempos onde esse momento derradeiro não deixa de ser parte fundamental da vida, o livro de Rafaela Ferraz é uma espécie de guia que percorre cemitérios, igrejas, museus e alguns espaços menos óbvios, nem sempre totalmente acessíveis ao público, à medida que reflecte sobre a nossa condição mortal, inevitabilidade da qual não nos livramos e que nunca deixou de definir a nossa consciência, as nossas acções e o nosso modo de existir no mundo.
5.
Charles JH Halcombe
(intr. e notas de Paul French)
The Mystic Flowery Land
BlackSmith Books
Novo volume da colecção China Revisited, o texto de Halcombe tem um subtítulo esclarecedor, A Curious Imperial Maritime Customs Officer’s Roamings in Hong Kong and Canton in Southern China’s Plague Year, deslocando os leitores para as ruas e recantos de Hong Kong e Cantão no final do século XIX.

6.
Valério Romão
O Desfufador: Contágio (vol.I)
Tinta da China
Primeiro tomo de uma narrativa que promete estender-se por outros volumes, o novo romance de Valério Romão é uma sátira capaz de atirar em várias direcções, da masculinidade ao turismo, passando pela academia e a esperança tecnológica, sempre com a atenção virada para o modo como vivemos e nos relacionamos e, sobretudo, para o absurdo que nos atravessa os dias.
Navegar é preciso
Histórias à Sombra do Montado é um projecto que começou em 2022, em Odemira, pela mão da Ronha – Associação Cultural e que chega agora à sua terceira edição. A materialização do projecto resultou, agora, em quatro histórias em banda desenhada que juntam argumentistas e desenhadores em narrativas que têm o montado no seu centro nevrálgico. Como explicam os organizadores no texto de apresentação, «desta forma, pretendeu-se criar um projecto que preste a merecida homenagem ao sobreiro e ao Montado de sobro, reforçando sentimentos de identidade e pertença que atravessam múltiplas gerações e, simultaneamente, possa contribuir para disseminar um conjunto de boas práticas para a preservação do Montado que podem ser implementadas e partilhadas por todos.»
Neste terceiro número, as histórias são assinadas por Susana Moreira Marques e Joana Estrela, José Riço Direitinho e Miguel Rocha, João Pedro Vala e Bia Kosta e Isabel Minhós Martins e André Pereira. A edição em papel circula em diferentes locais de Odemira, mas as histórias estão igualmente disponíveis on-line, para que toda a gente possa conhecê-las e partilhá-las, independentemente da geografia. E a partilha é importante, não só pela qualidade do trabalho final, e pelo acerto editorial no modo como se juntaram autores de palavras e autores de imagens, mas também pela relevância que assume, em tempos de seca, destruição ambiental e crise económica e demográfica, conhecer e proteger um eco-sistema único e fundamental em Portugal.
No texto que descreve o projecto, ficamos a saber que este é um ecossistema «caracterizado por florestas de sobreiros ou azinheiras ordenadas nas planícies onduladas, o Montado é hoje a paisagem que simboliza o Alentejo, marcando a cultura, os ciclos de trabalho e a economia local. Constitui um dos ecossistemas mais ricos do mundo e Portugal tem a maior área a nível mundial (concentra 34% da área mundial, num total de 736 mil hectares que correspondem a 23% da floresta nacional).» Foi nesse lugar com características naturais, humanas e culturais tão específicas, que nasceram estas Histórias à Sombra do Montado. Aprendamos a conhecer-lhes o lugar de origem e a protegê-lo.

