Zhao Bentang, embaixador da República Popular da China em Portugal, nota que as negociações com a União Europeia não são fáceis. Segundo o diplomata, os responsáveis europeus demonstram três posicionamentos contraditórios face à China, o de parceiro, competidor e ameaça.
O embaixador chinês em Portugal, Zhao Bentang, admitiu que as negociações com a União Europeia (UE) “não são assim tão fáceis” porque o bloco tem três posicionamentos diferentes, considerando simultaneamente Pequim como “parceiro, competidor e ameaça”.
“Três posicionamentos contraditórios. Isso não é bom para orientar uma conversa a longo prazo”, afirmou Zhao Bentang num simpósio organizado pela embaixada da China em Lisboa, subordinado ao tema das relações entre a China e a Europa para os próximos 50 anos. O encontro também serviu para debater a recente cimeira UE-China, que decorreu na capital chinesa a 24 de Julho.
O diplomata defendeu que Pequim “sempre toma a Europa como um parceiro”, mas reforçou que com três posicionamentos diferentes não existirá uma “força comum” com Bruxelas.
“A China sempre toma a Europa como um parceiro, como um colaborador, como um amigo e deixando assim discrepâncias e diferenças, procurando a comunidade e o consenso para chegar ao mesmo ponto, mas, com pontos distintos, não temos uma força comum”, sublinhou.
O embaixador considerou que, desde que a UE tenha “uma política coesa e que una todos os membros, não importa se são 27, 50 ou 1.000”, e que por isso é do interesse da China que Bruxelas tenha uma política consolidada e que seja benéfica para o seu próprio desenvolvimento.
Em relação ao futuro, Zhao Bentang vincou que a China tem sempre uma perspectiva a longo prazo no que diz respeito aos seus planos, acrescentando que Pequim adquiriu experiência nos últimos 50 anos de relações com a UE e que se baseia nessas mesmas experiências para evitar erros.
O embaixador reforçou também que as relações bilaterais são muito importantes na relação multilateral, defendendo, por exemplo, que a relação China–Portugal poderá fortalecer as relações China-UE.
Ainda sobre relações bilaterais, Zhao Bentang reforçou que casos como os da Lituânia, que abriu um gabinete de representação diplomática em Taiwan, já são “um problema” nos laços que, de acordo com o embaixador, devem ter “um fundo comum”.
No dia 24 de Julho, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, visitaram Pequim para um encontro com o Presidente chinês, Xi Jinping, em que confirmaram a necessidade de mútua cooperação.
Na cimeira na capital chinesa que assinalava o 50.º aniversário do estabelecimento de laços bilaterais, os líderes discutiram a guerra na Ucrânia, o clima, direitos humanos e acordos comerciais, num momento marcado pela instabilidade causada pelas tarifas anunciadas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.













