Brenda Histed foi a primeira presidente do International Ladies Club of Macau e a impulsionadora da sua criação.
O International Ladies Club of Macau foi criado em 1982 para ajudar na integração das mulheres dos funcionários estrangeiros, que tinham acabado de chegar ao território, para trabalhar na Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM). A sua primeira presidente, Brenda Histed, conta a história ao PONTO FINAL.
“Nessa altura, havia muito pouco entretenimento em Macau, por isso, tínhamos de inventar o nosso próprio”, recorda. Assim nasceu o ILCM, que começou por ser um clube de mulheres, com encontros sociais e algumas actividades, como jogos de mahjong, mas rapidamente percebeu-se que poderia ser muito mais. “A Edith Jorge, macaense, abriu tantas portas para nós, apresentando-nos, por exemplo, a mulher do Governador”, recorda. “Encontrámos um orfanato em Coloane, que na altura era considerado muito longe [o Orfanato dos Salesianos] onde viviam 250 órfãos e crianças abandonadas, em pobreza extrema, só tinham quatro freiras a tomar conta deles e não tinham dinheiro”, recorda. Por isso, o ILCM transformou esse no seu projecto principal.
Passaram a organizar regularmente eventos de angariação de fundos para poder apoiar de forma mais consistente o orfanato. “A Susana Chow [anterior presidente da Assembleia Legislativa de Macau, entre 1999 e 2009] forneceu lã das suas fábricas e tricotámos roupa de cama para as crianças”, recorda.
Mas um dos grandes amigos do ILCM, na altura, foi Andrew Stow, que era farmacêutico. “Ele era incrível, apoiava em tudo. Costumávamos ir até ao orfanato para brincar com as crianças e prestar apoio”, diz, com um sorriso, recordando o companheiro de aventura. Contando com várias iniciativas para angariar fundos, Brenda recorda-se que conseguiram renovar a cozinha e construir casas de banho. “As crianças costumavam tomar banho na rua”, declara. Entre os eventos organizados pelo clube, incluem-se desfiles de moda. “O primeiro foi em 1983. Duas senhoras moravam em Hong Kong e organizaram o desfile para nós”, recorda.
Brenda acabou por sair do território em 1986, regressando apenas em 2012, para uma curta visita, por ocasião do 30.º aniversário do ILCM, recordando-se então dos tempos de outrora. “Aquelas crianças [do orfanato] precisavam de tanta ajuda; o Andrew fornecia produtos como shampoo e medicamentos e uma das nossas senhoras, uma enfermeira, teve inclusivamente de fazer um parto”, conta. “Era uma senhora que veio da China Continental e era ilegal, não podiam abandonar o local.”
Quando Brenda regressou a Macau para celebrar o 30.º aniversário do ILCM, veio a conhecer aquele bebé, que, entretanto, se transformou num adulto, professor no Colégio Dom Bosco. “Adorava aquelas crianças, espero ter feito um pouco de diferença nas suas vidas”, diz.











